Foto de Leah Millis/ Reuters: em primeiro plano, o republicano Jim Jordan, trumpista de primeira água, que acabou revelando para o mundo os crimes do golpistas da fake news nas redes sociais.
Por Leandro Demori, no ICL Notícias
Um relatório de 541 páginas, divulgado por políticos do Comitê de Assuntos Judiciários da Câmara dos Estados Unidos sobre supostos “ataques à liberdade de expressão” no Brasil, revela crimes praticados pela milícia digital bolsonarista e extremistas como o blogueiro Allan dos Santos — foragido há quase três anos da Justiça brasileira e que se mudou para aquele país para não ser preso.
São documentos que a rede social de Elon Musk enviou ao Congresso norte-americano depois do jogo combinado com o congressista Jim Jordan, um dos principais apoiadores de Donald Trump — herói dos bolsonaristas.
A Justiça brasileira havia pedido o bloqueio de contas no Twitter (atualmente X) em redes sociais da Ordem dos Advogados Conservadores do Brasil (OACB), uma entidade que alimentou os políticos de extrema-direita Gustavo Gayer, Bia Kicis e André Fernandes com a mais famosa fake news espalhada no calor do 8 de janeiro.
Documento revela como políticos espalharam a fake news mais conhecida do 8 de janeiro, sobre suposta morte de uma idosa
Políticos bolsonaristas “mataram” idosa
Eles divulgaram a farsa da senhora que teria morrido nas dependências da Polícia Federal (PF) depois das prisões daquele dia. Nas redes, uma foto de um casting de agência de publicidade foi usada para dar veracidade à história e “comprovar” a “tortura” que os apreendidos recebiam da PF.
Para dar credibilidade à história, eles usaram a sigla da entidade chamada Ordem dos Advogados Conservadores do Brasil (OACB) como se fosse a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Tudo isso está no relatório publicado esta noite por esse comitê da Câmara dos EUA.
Depois, a neta da idosa em questão gravou um vídeo chamando a fake news de “porca” e “nojenta”. A foto usada para espalhar a mentira foi retirada de um banco de imagens gratuito do fotógrafo Edu Carvalho, de Campinas (SP). Ela retrata Deolinda Tempesta Ferracini, avó de sua esposa e que morreu em novembro de 2022 devido a um acidente vascular cerebral (AVC).
Bolsonaristas divulgaram que falsa morte de idosa veio da OAB, e não da OACB: uma letra a mais que faz toda diferença

