Caso de Política | Luís Carlos Nunes
Na semana passada, a pré-candidata a vereadora pelo União Brasil, Dicíola Baquero, anunciou seu apoio a Otoniel Teixeira. Em um discurso matinal, Dicíola enfatizou a importância da continuidade administrativa em Barreiras, destacando o trabalho de Otoniel.
“Como um barreirense que sou, digo que Zito foi o melhor prefeito de Barreiras. Conheci todas as questões dos últimos 60 anos e digo isso com muita sinceridade, sobriedade e segurança”, disse Dicíola Baquero, em um tom que faltava entusiasmo.
Ela impõe a necessidade de eleger Otoniel “para garantir que Barreiras continue a crescer” e prospere sob uma nova liderança que já se mostrou eficiente.

Imagem extraída do vídeo intitulado “Pronunciamento oficial!” postado em setembro de 2023
Por outro lado, uma questão ainda não resolvida permeia a trajetória política de Dicíola. Em um vídeo de setembro de 2023, ela buscou esclarecer sua exoneração da Secretaria de Assistência Social de Barreiras, uma situação que até hoje levanta muitas dúvidas. No vídeo, Dicíola parece visivelmente decepcionada, explicando que sua missão foi resultado de pressão política.
“A Secretaria de Assistência Social era um verdadeiro cabide de empregos e fonte de garantia para eleições de políticos”, afirmou, indicando que sua tentativa de realizar uma gestão técnica e transparente esbarrou em interesses contrários.
Dicíola Baquero foi nomeada secretária em outubro de 2022, após um convite do então prefeito Zito Barbosa, que atuou para implementar um choque de gestão na secretaria. Segundo ela, ao assumir a carga, encontrei um ambiente desorganizado e focou em corrigir essas falhas, o que acabou descontentando alguns vereadores.
“Minha exoneração é absolutamente política, foi um movimento dos vereadores ao prefeito Zito Barbosa para que ele me tirasse dessa secretaria”, explicou Dicíola.
Ela ainda relatou que várias pessoas receberam relatórios sem trabalho, o que, ao ser corrigido, gerou descontentamento entre políticos que tinham parentes trabalhados de forma irregular.
“Pessoas receberam o seu vencimento e sem trabalho, talvez eu tenha ferido muitos vereadores que tinham esposa, irmão, cunhado trabalhado. Foram em torno de oito pessoas”, relatou Dicíola, evidenciando a resistência enfrentada.
Dicíola também se destacou ao tentar mudar a percepção da Secretaria de Assistência Social, tradicionalmente vista como um trampolim político.
“A Secretaria de Assistência Social sempre foi vista como trampolim político, um lugar de fazer ofertas e barganhas com os benefícios eventuais, e essa não era minha proposta”, disse, reiterando que buscava uma política de assistência relevante aos direitos dos cidadãos, e não ao favorecimento político.
Ela destacou a importância da transparência e da moralidade em sua gestão, aspectos que afirmam serem pilares de sua vida pública e profissional.
“Trabalhei 37 anos no serviço público e nunca recebi nenhum processo administrativo, nunca tive inimizade com ninguém. Atendendo todos sem distinção”, garantiu, reforçando sua trajetória ética e de compromisso com a população de Barreiras.
O discurso de Dicíola Baquero ainda levanta uma série de questões e especulações sobre as reais motivações por trás de sua exoneração. Será que a política em Barreiras está disposta a abraçar uma gestão transparente e técnica? Ou os interesses pessoais e políticos continuarão a prevalecer? O que mudou de lá para cá, afinal de contas, em suas falas de desabafo, ela laça a gestão de Zito que governa Barreiras desde 2017?As próximas movimentações políticas e as eleições futuras poderão trazer respostas a essas perguntas, além de definir os rumores da assistência social na cidade.Mesmo diante dos desafios e das adversidades que o cenário político de Barreiras lhes impõe, Dicíola Baquero permanece ativa na política local, determinada a buscar assento no Parlamento municipal, ombro a ombro, lado a lado de um grupo político que a retalia politicamente.
Autor: jornaloexpresso
Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril
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