Polícia Federal prende delegado e inicia desmonte da farsa de Juiz de Fora

Bolsonaro leva facada em ato de campanha em Juiz de Fora (MG) - Notícias -  UOL Eleições 2018Cada PF envolvido na segurança tinha um pano branco para estancar o sangue. Teatro puro saído da imaginação fértil de Carlos Bolsonaro. Alguns dias depois de comentar o episódio, o Ministro Gustavo Bebianno morreu misteriosamente.

“Delegado preso hoje pela PF, é a peça central para esclarecer o evento de Juiz de Fora”, diz Joaquim de Carvalho. Apontado como pivô da Abin paralela, Marcelo Bormevet se tornou o homem forte do governo Bolsonaro depois de supostamente falhar na segurança do então candidato.

Do jornalista Joaquim de Carvalho, no Brasil247

Um dos alvos da Operação Última Milha, deflagrada nesta quinta-feira (11) pela Polícia Federal (PF) com o objetivo de desarticular a ‘Abin paralela’, organização criminosa voltada ao monitoramento ilegal de autoridades e à produção de notícias falsas, é o delegado da PF Marcelo Araújo Bormevet. Integrante da corporação desde 2005, Bormevet fez parte da equipe de segurança de Jair Bolsonaro (PL) no evento de Juiz de Fora durante a campanha eleitoral de 2018, segundo o jornalista do  Brasil 247 e da  TV 247 Joaquim de Carvalho. 

Bormevet foi um dos personagens da reportagem que fizemos de Juiz de Fora. Ele é central para entender a Abin paralela e também para entender o que aconteceu lá em Juiz de Fora”, explica Carvalho.

O jornalista destaca que Bormevet não era integrante fixo da equipe de segurança de Bolsonaro durante a campanha de 2018. O delegado foi destacado especificamente para atuar no evento de Juiz de Fora.

“Ele era lotado na Delegacia da Polícia Federal em Juiz de Fora e ali ele foi mobilizado por um deputado federal na época, o Marcelo Álvaro Antônio – que depois seria ministro do Turismo e foi quem organizou o evento de Juiz de Fora -, e ali o Bolsonaro tinha, como candidato a presidente, direito a seguranças da Polícia Federal”.

Segundo Carvalho, Bormevet, Álvaro Antônio e Carlos Bolsonaro são personagens interligados neste caso: “[Marcelo Álvaro Antônio] foi quem organizou o evento de Juiz de Fora e depois ele foi protegido pelo Carlos Bolsonaro.

O Carlos Bolsonaro é chave tanto na promoção deste policial quanto na proteção do Marcelo Álvaro Antônio. Quando ele era ministro do Turismo houve aquela denúncia dos laranjas e ele não caiu porque o Carlos Bolsonaro o protegia”.

O jornalista ainda contou que Bormevet, enquanto responsável pela segurança de Bolsonaro em Juiz de Fora, fez uma série de exigências para a realização do evento que são estranhas ao procedimento padrão da Polícia Federal no caso da proteção de candidatos a presidente.

“Eu estive na frente do apartamento dele [Bormevet] em Juiz de Fora, falei com a esposa dele e eu queria falar com ele justamente porque eu tinha descoberto que ele organizou toda a chamada ‘segurança paralela’. Porque tinha a segurança que a Polícia Federal faz dos candidatos e havia lá em Juiz de Fora uma ‘segurança paralela’, e quem coordenou tudo isso foi o Bormevet”.

“Eu soube disso porque o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Juiz de Fora me contou. Ele teve que fazer algumas coisas por conta da exigência desta pessoa. Era um esquema completamente diferente do que a Polícia Federal faz para proteger os candidatos. Inclusive, ele teve que contratar um drone que tinha que sobrevoar todo o tempo lá da caminhada, que foi onde o Adélio [Bispo] encontrou o Bolsonaro.

O presidente da Associação Comercial falou: o Marcelo [Bormevet] fez uma reunião na minha casa e fez uma série de exigências; uma delas era que deveríamos ter um drone para gravar o tempo inteiro. Essas imagens – a íntegra – de drone desapareceram. Só ficou a imagem que foi usada na campanha do Bolsonaro. No mesmo dia já teve vídeo na internet que mostrava aquela multidão, o Bolsonaro carregado… Eu queria a íntegra porque poderia ter o momento do ataque, mas desapareceram essas imagens”, complementou.

É suspeito o movimento de Bormevet após o evento de Juiz de Fora. Mesmo tendo supostamente falhado na segurança do então candidato Bolsonaro, ele foi colocado no coração do poder e promovido a chefe do Centro de Inteligência Nacional (CIN) da Abin. Se a facada ocorreu como narrado pelo bolsonarismo, não faria sentido premiar o responsável pela segurança daquele dia.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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