Da Agência Pública, editado.
Denúncias de remoção forçada das ruas voltaram a ocorrer nas férias de julho, mesmo após ação ser proibida pela Justiça
Por Alice Maciel | Edição: Ed Wanderley
“Não dê esmola. Dê oportunidade. Disque 156”, diz a placa cravada na praça no centro de Balneário Camboriú (SC), a cidade com o metro quadrado mais caro do país. O número indicado é da Abordagem Social, serviço da prefeitura que estaria tirando pessoas em situação de vulnerabilidade das ruas de forma violenta para promover internações forçadas em comunidades terapêuticas fora do município, segundo denúncias.
As ações, descritas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) como “truculentas, ilegais, imorais e desumanas”, coincidem com períodos em que a cidade está mais cheia de turistas, como no último verão e as férias escolares de julho.
O serviço vinculado à Secretaria de Inclusão Social de Balneário Camboriú foi comparado, em decisão judicial, à antiga “carrocinha”, que recolhia cachorros de rua. “Até é prestada ajuda àqueles que querem, mas os que se negam são de todo modo recolhidos – não como pessoas livres, mas mais próximo do que se faz com cães, em que são colocados na carrocinha”, escreveu o desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) Hélio do Valle Pereira.
Por que isso importa?
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É preciso denunciar e responsabilizar promotores de políticas de “higienização social”, em especial caso fique verificado desrespeito direto a ordens judiciais.

Van da Abordagem Social, serviço da prefeitura de Balneário Camboriú
O catador de recicláveis Jorge*, de 37 anos, foi pego à força por policiais nas ruas de Balneário
Ele ficou quatro meses preso em uma clínica
Tales foi agredido e algemado ao resistir à internação compulsória
Segundo ofício do MPSC enviado ao STF o município estaria promovendo uma “higienização social”
Entrada da comunidade terapêutica Instituto Redenção, localizada na zona rural de Biguaçu (SC), a 71 km do centro de Balneário