Governador Tarcísio comete crime eleitoral ao divulgar mentiras sobre PCC e Boulos

Crime deveria redundar em cassação dos direitos políticos de Tarcísio.

Do blog do Noblat.

Foi assim em 1989, na véspera do dia da 1ª eleição direta para presidente em segundo turno (Collor x Lula) depois do fim da ditadura militar de 64: a polícia paulista informou que os sequestradores do empresário Abílio Diniz, recém-libertado, eram ligados ao PT, e que camisetas e cartazes do partido haviam sido encontrados no local onde ele esteve preso. De imediato, a notícia espalhou-se pelo país por meio de jornais e de emissoras de rádio. O ministro da Justiça do então presidente José Sarney desmentiu-a. Mas quanto a mentira custou a Lula em número de votos, não se sabe, nunca se soube.

Como nunca se saberá quantos votos haverá de perder, hoje, Guilherme Boulos com a notícia de que o PCC recomendou o voto nele para prefeito de São Paulo. O portador da notícia foi o governador Tarcísio de Freitas, bolsonarista de quatro costados que posa de direita civilizada.

Segundo a Folha de São Paulo, ele não apresentou provas do que disse. Mas nem a Folha, nem outros veículos de comunicação se negaram a publicá-la. Licença para ferir ou matar agora é assim: você escreve “sem apresentar provas”, e passa a notícia adiante.

Aconteceu em 2018, por exemplo, com o kit-gay, que beneficiou Bolsonaro na reta final do segundo turno contra Fernando Haddad (PT). Não lembro de terem se referido a ele sequer como “suposto kit-gay”. Antes de publicar, cabe à imprensa, supostamente séria, investigar uma suposta mentira ou uma eventual verdade. O kit-gay foi uma mentira como tantas outras publicadas. Dá-se crédito a supostos comunicados de facções criminosas só porque um governador de Estado os divulgou.

O que fará a justiça? Aposto que nada. Quanto aos cúmplices da mentira, esses dirão, como já começaram a dizer para salvar a própria face, que foi algo “muito grave” caso se prove que Tarcísio encampou uma mentira com o claro propósito de influir nos resultados da eleição.

Viva a democracia, a imprensa responsável e o direito à mentira assegurado pela Constituição.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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