Golpistas levantaram nomes, rotina e até armas de seguranças de Lula

Bolsonaro nos EUA - 31/12/2022 - Política - Fotografia - Folha de S.PauloMedo da prisão levou Bolsonaro a fugir para os EUA.

Golpistas queriam deter o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes.

Por José Roberto de Toledo e Thais Bilenky
Colunistas do UOL

Com a ajuda de um software israelense, a Polícia Federal recuperou arquivos eletrônicos apagados pelo tenente-coronel Mauro Cid que revelam minúcias do golpe frustrado de 8 de janeiro de 2023.

As informações resgatadas provocaram a convocação de novas testemunhas, entre elas um general kid preto (das forças especiais do Exército) e o ex-diretor da Abin (a agência de inteligência) durante o governo de Bolsonaro, Alexandre Ramagem.

As minúcias da preparação do golpe incluíram – segundo apuramos com duas fontes ligadas à investigação – o levantamento dos nomes, das rotinas e até do armamento usado pelos responsáveis pela segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O mesmo trabalho foi feito em relação aos seguranças do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

O planejamento do golpe previa, portanto, a abordagem e captura de Lula e de Moraes pelos golpistas. Pelo tipo de informações coletadas por eles, fica evidente que os golpistas se preparavam para a eventualidade de um confronto armado e violento com os seguranças do presidente e do ministro.

No dia da tentativa de golpe, nem Lula nem Moraes estavam em Brasília. Lula havia viajado para Araraquara, no interior de São Paulo, e Moraes tinha ido para Paris, França.

Policial federal e candidato derrotado a prefeito do Rio de Janeiro, Alexandre Ramagem dirigiu os arapongas da Abin por nomeação de Bolsonaro. Ele foi convocado e prestou depoimento à Polícia Federal esta semana no inquérito sobre o golpe.

No dia seguinte a Ramagem, prestou depoimento à PF o general Nilton Diniz Rodrigues. Atualmente, ele comanda a Segunda Brigada de Infantaria de Selva, baseada em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. Na época do golpe, ele ainda era coronel. Condecorado com a medalha do Pacificador, entre outras, Diniz Rodrigues se formou no curso de Forças Especiais em 1998.

A descoberta das minúcias do golpe levou Alexandre de Moraes a prorrogar o inquérito por 60 dias. Logo, o eventual indiciamento dos líderes golpistas, dos executores e dos financiadores só deve acontecer no final de dezembro ou no começo de 2025.

Jair Bolsonaro é um dos investigados e, mesmo antes de ser denunciado à Justiça, trabalha para ser anistiado pelo Congresso.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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