PF achou slides que Braga Netto usou para incitar tropa em golpe

Material foi encontrado em computador apreendido na sede do PL, em Brasília, durante a Operação Tempus Veritatis

Braga Netto visitando bolsonaristas em pé de guerra.

Em um computador apreendido na sala dos assessores do general Walter Braga Netto, os policiais federais encontraram uma apresentação que teria sido usada por ele em palestras em clubes militares. O material foi encontrado na sede do Partido Liberal (PL), em Brasília, na Operação Tempus Veritatis.

O arquivo foi nomeado como “Palestra nos Clubes Militares – 29 JUN V2.pptx”. Na primeira página, há um aviso de “acesso restrito”. “Solicita-se evitar cópias e divulgação”, diz o alerta escrito em vermelho.

Os slides mostram a “evolução do relacionamento civil-militar no Brasil” e defende o “poder de pressão política” das Forças Armadas para “participar ativamente das decisões nacionais” e “ampliar o poder de influência na Esplanada”.

A apresentação de slides tem 67 páginas. O documento começa se contrapondo ao discurso de que “Forças Armadas não se envolvem em política” e de que “lugar de militar é no quartel”.

“Seguindo o pensamento liberal, os militares foram afastados do centro de poder e das decisões de Estado. Com isso, perdemos paulatinamente a capacidade de influenciar!”, diz um dos slides.

O material reserva espaço para críticas ao Poder Judiciário, especialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF). A soltura de Lula, em 2019, após 580 dias de prisão na Lava Jato, e a “articulação contra o voto impresso e auditável” são usados como exemplos de um suposto “ativismo” do Judiciário.

Os slides comparam presença de militares nos governos de Lula e Dilma e na gestão de Bolsonaro. A defesa do general Braga Netto ainda não se posicionou.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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