Neto de Figueiredo, um dos golpistas indiciados pela PF, é multado em R$102 milhões por “operações irregulares”

Paulo Figueiredo foi acusado de propagar fake news e incentivar ataques contra militares em oposição à abolição do Estado Democrático de Direito; em 2013, ele se associou a Trump para trazer sua marca hoteleira ao Brasil, mas o projeto foi afetado pelas revelações da Operação Circus Maximus sobre pagamento de propinas.

Paulo Figueiredo, neto do 30º presidente do BrasilJoão Baptista Figueiredo, que governou durante a ditadura, entre 1979 e 1985, foi um dos 37 indiciados pela PF (Polícia Federal) pela tentativa de golpe de Estado.

Acusado pela instituição policial de ter atuado sob orientação de militares para propagar fake news e incentivar ataques contra os fardados contrários à abolição do Estado Democrático de Direito, Paulo Figueiredo viralizou por afirmar que se sentia “honrado” por estar sendo indiciado.

O herdeiro do ditador foi condenado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) – autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda – a pagar R$ 102 milhões em multas pela prática de “operações fraudulentas” para desviar recursos da LSH Barra, empresa da qual ele foi presidente, e ainda fraude ante dos interesses do mercado, informa a coluna de Lauro Jardim, no Globo, segundo processo relatado pelo diretor João Accioly, cujas punições foram impostas de maneira unânime.

Elas teriam acontecido por meio de contratações de prestadores de serviço (multa de R$ 75 milhões) e também da sobrevalorização de um laudo de avaliação, bem como da transferência indevida de riqueza (multa de R$ 27 milhões).

As condenações impostas pela autarquia têm relação com o Trump Hotel, projeto luxuoso que começou a ser tocado pela LSH mais de dez anos atrás e que seria inaugurado na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, em 2020.

Paulo Figueiredo foi quem se associou a Trump em 2013 para trazer ao Brasil a marca hoteleira, já conhecida no exterior. Só que a construção do empreendimento foi impregnada pelas descobertas da Operação Circus Maximus, de 2019, referentes ao pagamento de propinas a diretores e ex-diretores do Banco de Brasília, o BRB, em troca de investimentos no hotel.

O rolo envolveu, segundo a PF apurou lá atrás, cerca de R$ 40 milhões pagos aos representantes do BRB para que dinheiro de fundos de pensão e de órgãos públicos, todos administrados pelo banco, fossem investidos em projetos sem análise técnica. Entre eles, estava o Trump Hotel. O prejuízo foi calculado em R$ 400 milhões aos cofres públicos. Paulo Figueiredo foi alvo de uma ordem de prisão.

Em 2016, diante da demora para a conclusão do hotel e da operação, Trump, que se elegeria presidente dos EUA naquele ano, retirou o próprio nome do negócio. Seria a primeira incursão desse braço de suas organizações na América Latina. Hoje, o estabelecimento se chama LSH Hotel Barra.

Além de Paulo Figueiredo, outras 19 pessoas, entre físicas e jurídicas, eram alvo do julgamento de ontem na CVM pelo mesmo episódio. Oito delas foram condenadas. A multa mais alta, além dos R$ 102 milhões de Paulo, foi imposta a Ricardo Siqueira Rodrigues (R$ 53 milhões), que era sócio de Figueiredo no fundo criado para captar recursos para o Trump Hotel.

A defesa de Figueiredo alegou nulidades no processo contra ele, como a falta de citação adequada e depoimentos de delação sem direito de resposta, e a argumentação foi aceita, embora ainda seja possível recorrer ao CRSFN.

Também alegou que Paulo Figueiredo nunca foi regularmente citado pela CVM para se defender, e que a citação apresentada foi apenas um registro da devolução do envelope de recebimento. Foi mencionado também que as nulidades serão comprovadas em recursos e que o direito de defesa do neto do ditador não foi respeitado.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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