O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), espera levar a proposta à votação em plenário nesta quarta (11). O texto já foi incluído na pauta prévia de votações desta semana.
Em linhas gerais, o projeto estabelece balizas para as cobranças dos três impostos sobre o consumo (IBS, CBS e Imposto Seletivo) criados pela promulgação da reforma do sistema tributário em 2023.
Os impostos vão substituir — depois de um período de transição, que deverá ser concluído em 2033 — cinco tributos que atualmente incidem sobre produtos e serviços: PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS.
Em agosto, depois de alterações feitas pela Câmara, o Ministério da Fazenda estimou que a alíquota padrão — cobrada sobre todos os itens que não estiverem em regras especiais da reforma — dos impostos unificados deverá ser de 27,97%.
Já aprovado pelos deputados, o principal projeto de regulamentação da reforma tributária poderá retornar à análise da Câmara ainda em dezembro — a depender do nível das mudanças confirmadas pelos senadores.
A Câmara terá a palavra final sobre as mudanças, podendo acatar ou rejeitar as alterações promovidas pelos senadores, antes de encaminhar a proposta à sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), tem se mobilizado para concluir a votação ainda durante a sua gestão, que se encerra em fevereiro de 2025. O Palácio do Planalto também trata o encerramento da primeira etapa de regulamentação da reforma tributária como prioridade.
Proteínas isentas
O parecer de Eduardo Braga, que ainda terá de ser votado pela CCJ e pelo plenário do Senado, mantém carnes, frangos e peixes na lista de itens que terão isenção tributária dos novos impostos unificados sobre o consumo.
Os produtos foram incluídos pela Câmara dos Deputados nos itens que compõem a cesta básica nacional, que terá alíquota zero do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
A incorporação das proteínas na cesta havia sido um dos pontos mais polêmicos do debate realizado pelos deputados em julho deste ano. Apesar da oposição de lideranças do Planalto e do presidente Arthur Lira, os itens foram incluídos por ampla maioria de votos — 477 a 3.
Essa mudança, que contrariou a equipe econômica do governo, fez subir a projeção da alíquota comum dos novos impostos. Segundo o Ministério da Fazenda, as proteínas foram responsáveis por elevar em 0,56 ponto percentual a estimativa.
Estarão isentos:
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carnes bovina, suína, ovina, caprina e de aves — com exceção de foies gras;
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peixes — com exceção de salmão, atum, bacalhau, hadoque, saithe e ovas;
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arroz;
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leite;
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leite em pó;
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fórmulas infantis;
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manteiga;
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margarina;
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feijão;
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café;
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óleo de soja;
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farinha de mandioca e tapioca;
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farinha de milho;
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grãos de milho;
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farinha de trigo;
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açúcar;
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massas alimentícias;
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pão francês;
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grão de aveia;
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farinha de aveia;
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queijos mozarela, minas, prato, coalho, ricota, provolone, parmesão, fresco não maturado e do reino, além de requeijão;
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sal;
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ovos;
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alguns tipos de produtos hortícolas — com exceção de cogumelos e trufas;
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frutas frescas ou refrigeradas e frutas congeladas, sem açúcar ou conservantes;
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plantas e produtos de floricultura relativos à horticultura e cultivados para fins alimentares, ornamentais ou medicinais;
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raízes e tubérculos; e
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cocos.
Terão redução de 60% na alíquota do IBS e da CBS:
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crustáceos e moluscos — com exceção de lagosta e lagostim;
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leite fermentado e compostos lácteos;
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mel natural;
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mate;
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outros tipos de farinha, que não estão isentas;
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grumos e sêmolas de cereais;
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amido de milho;
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óleos de milho, canola e outros óleos vegetais;
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outras massas alimentícias, que não estão isentas;
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sucos naturais, sem adição de açúcar e conservantes;
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polpas de frutas, sem adição de açúcar e conservantes;
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pão de forma;
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extrato de tomate;
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frutas, produtos hortícolas e vegetais, sem adição de açúcar e conservantes — com exceção de frutas de casca rija;
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cereais, sementes e frutos oleaginosos;
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produtos hortícolas pré-cozidos ou cozidos em água ou vapor, sem açúcar e conservantes; e
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frutas de casca rija regional, amendoins e outras sementes.
Imposto do ‘pecado’
O relatório de Eduardo Braga propõe incluir armas e munições na lista de produtos e serviços que sofrerão com a cobrança do Imposto Seletivo.
Na primeira versão de seu parecer, o senador sugeriu também incluir de itens de plástico descartável no “imposto do pecado”. Em coletiva à imprensa, Braga disse ter cometido um “erro”. Nova versão do parecer será apresentada com a exclusão desses produtos.
O texto de Braga mantém, ainda, a lista de itens tributados aprovada pela Câmara em julho, que inclui apostas e carros elétricos:
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cigarros;
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bebidas alcoólicas;
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bebidas açucaradas;
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embarcações e aeronaves;
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carros, incluindo os elétricos;
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armas, munições e acessórios;
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apostas nas modalidades físicas e online, como “bets” e “fantasy games”; e
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extração de minério de ferro, de petróleo e de gás natural.
Pelo parecer, ficarão de fora do Imposto Seletivo:
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caminhões; e
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veículos de uso operacional das Forças Armadas ou dos órgãos de segurança pública.
O Imposto Seletivo foi criado pela emenda constitucional que reformulou a tributação sobre consumo no Brasil.
O tributo é aplicado sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Na prática, essa categoria terá uma tributação maior do que a alíquota padrão — estimada pelo Ministério da Fazenda em 27,97%.