Prefeito, secretários e médicos são suspeitos de desviar R$ 12 milhões da saúde pública na Bahia

Formosa do Rio Preto, alvo de uma grande operação policial

Uma operação da Polícia Civil realizada nesta terça-feira (17) desarticulou um esquema milionário de desvio de recursos da saúde pública envolvendo o prefeito, secretários, médicos e servidores de Formosa do Rio Preto, no Oeste baiano. O caso, que também alcança cidades no Piauí, chocou pela gravidade das fraudes, como a inclusão de ultrassonografias transvaginais supostamente realizadas em homens.

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Denominada “Operação USG”, a ação busca combater uma rede criminosa acusada de fraudar licitações e desviar cerca de R$ 12 milhões dos cofres públicos municipais. A operação foi coordenada pelo Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco).

As ações ocorreram em Formosa do Rio Preto e nas cidades de Corrente e Bom Jesus, no Piauí. Segundo a Polícia Civil, o esquema envolvia exames fictícios, plantões fantasmas e pagamentos por serviços não realizados.

Mandados judiciais foram cumpridos em residências de médicos, políticos e ex-secretários municipais. Além disso, valores desviados foram bloqueados em contas bancárias de clínicas e indivíduos investigados.

As investigações revelaram fraudes na execução de contratos médicos, como listas fictícias de pacientes, exames incompatíveis com a realidade e o uso de empresas de fachada para desviar recursos públicos. O Draco segue investigando o caso e não descarta a identificação de novos envolvidos e o aumento do valor desviado.

Há um ano, o jornalista Luís Carlos Nunes denunciava:

A Secretaria Municipal da Saúde de Formosa do Rio Preto, na Bahia, está no epicentro de um escândalo que abala as estruturas da população local. Obtida pelo Oeste Global, a denúncia revela que a prefeitura autorizou a realização de exames transvaginais em homens, desafiando a lógica desses procedimentos destinados originalmente às mulheres.

A denúncia, enviada pelos Correios no início de agosto, lança dúvidas sobre a legalidade desses exames. Os documentos recebidos destacam que os procedimentos foram realizados em clínicas particulares, levantando especulações sobre possíveis violações ao princípio da legalidade.

No período entre 7 de julho e 16 de setembro de 2022, a denúncia aponta que os mesmos 60 pacientes – uma lista reproduzindo exatamente os mesmos nomes e na mesma sequência – teriam passado por esse procedimento peculiar. Tal repetição levanta questionamentos sobre a legitimidade dos exames e a possibilidade de fraude.

Os exames transvaginais, tradicionalmente usados para visualizar órgãos femininos na cavidade pélvica por meio de ultrassonografias, foram inexplicavelmente realizados em homens, conforme indicam os registros. A ironia é evidente, pois esses exames foram concebidos estritamente para o corpo feminino.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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