Ex-presidente falou sobre ‘perseguição política’, criticou Moraes e atacou o governo Lula. Pena que o grande talento dramatúrgico não aflorou durante a morte de centenas de milhares de brasileiros durante a pandemia, sugestionados a tomar vermífugos, sem acesso às vacinas e sufocados sem oxigênio, como em Manaus.
“Estou chateado, estou abalado ainda, né? Mas eu enfrento uma enorme perseguição política por parte de uma pessoa. Essa pessoa decide a vida de milhões de pessoas no Brasil. Ele e mais ninguém. Ele é o dono do processo. Ele é o dono de tudo”, declarou o ex-presidente, sem mencionar Moraes diretamente.
Na sexta-feira (17), o ministro manteve a decisão que impede Bolsonaro de sair do país, enviando o caso à Procuradoria-Geral da República para análise.
Durante sua declaração no aeroporto, Bolsonaro chora e não poupa críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), classificando o governo como inviável e afirmando que o país está sendo conduzido por um “bebum”.
Ele também retomou antigas alegações, defendendo o voto impresso e insinuando relações do presidente com traficantes do Complexo do Alemão.
Sobre os ataques de 8 de janeiro, Bolsonaro afirmou que o episódio foi uma “encenação” e voltou a discutir o papel de militares após sua derrota nas eleições de 2022.
“Discuti hipóteses, como disse o comandante do Exército, de dispositivos constitucionais. Isso não é golpe. Quando se fala em estado de sítio, o presidente primeiro tem que ouvir os conselhos da República e da Defesa, depois mandar mensagem para o Congresso”, explicou.
Michelle Bolsonaro também se manifestou sobre a situação do marido, reafirmando sua confiança: “Meu marido está sendo perseguido. Mas, assim como aqueles que Deus envia, serão perseguidos”.
Apesar das críticas e declarações polêmicas, Bolsonaro segue impossibilitado de deixar o Brasil enquanto responde às investigações em andamento, incluindo aquelas relacionadas às fake news e aos atos de 8 de janeiro.
“Espero não ter que usar tornozeleira, declarou ainda o inviajável. Uma preocupação a menos para o ex-Presidente, pois dentro da sala de estado maior que terá direito quando privado de liberdade, não é necessário o uso do localizador policial.

