Tarifaço de Trump poderia atingir com força o agro brasileiro

85% do suco de laranja consumido nos EUA é exportado pelo Brasil.

Mesmo em meio às tensões provocadas pelas políticas protecionistas e debates sobre imigração durante o governo de Donald Trump, o país ampliou sua lista de importações de produtos brasileiros, incluindo feno, erva-mate e flor seca de cravo-da-índia.

Desde que assumiu a presidência dos Estados Unidos, Donald Trump tem adotado uma política comercial mais rígida, intensificando disputas com diversos parceiros internacionais.

Em poucas semanas, determinou a aplicação de tarifas sobre produtos importados do México, Canadá e China, e já considera ampliar essas medidas para a União Europeia. Esse novo cenário global desperta tanto preocupações quanto possibilidades para a economia brasileira, especialmente no agronegócio.

No comércio agrícola, Brasil e Estados Unidos competem diretamente em produtos como soja e algodão, mas também mantêm uma relação comercial significativa. Os norte-americanos figuram entre os principais compradores do agronegócio brasileiro, de acordo com o Ministério da Agricultura. Em 2024, as exportações para os EUA somaram 9,43 milhões de toneladas, gerando um faturamento de US$ 12,09 bilhões.

Os Estados Unidos se consolidaram como o segundo maior destino das exportações do agronegócio brasileiro, ficando atrás apenas da China. Em 2024, a fatia americana no valor total das vendas do setor subiu de 5,9% para 7,4%, reforçando a importância dessa parceria comercial.

Até o momento, as medidas tarifárias impostas pelo governo Trump não atingiram diretamente o Brasil. No entanto, esse cenário pode mudar, e especialistas alertam que o país deve se manter atento.

O deputado Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), acredita que novas tarifas podem ser aplicadas ao agronegócio brasileiro. “O protecionismo faz parte da estratégia americana, e é provável que o Brasil enfrente barreiras comerciais. Precisamos estar preparados para lidar com isso”, afirmou.

Caso as políticas comerciais dos EUA endureçam, setores estratégicos da agroindústria brasileira podem ser impactados. Confira os segmentos que mais dependem desse mercado e que podem sentir os efeitos de eventuais restrições.

Exportações de Produtos Florestais do Brasil para os EUA em 2024

O setor de produtos florestais, abrangendo madeira, celulose e papel, teve o maior desempenho entre as exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2024. De acordo com dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura, a categoria movimentou US$ 3,73 bilhões, representando 30,88% da receita total do agro com os norte-americanos. O volume enviado foi expressivo, alcançando 4,9 milhões de toneladas, o que corresponde a 52,02% do total exportado pelo setor agropecuário brasileiro para os EUA.

A celulose foi o carro-chefe desse segmento, com embarques de 3,02 milhões de toneladas, respondendo por 32,1% do volume total exportado pelo Brasil para os EUA. O faturamento desse produto chegou a US$ 1,68 bilhão, o que equivale a 13,94% da receita geral do agronegócio com o mercado americano. Outro item de destaque foi a madeira perfilada, com 252,59 mil toneladas enviadas, totalizando US$ 480,94 milhões em receita. Esse montante corresponde a 2,68% do volume total e 3,98% do faturamento geral.

Já o papel figurou entre os principais produtos do setor, somando 203,91 mil toneladas exportadas, gerando um faturamento de US$ 267,03 milhões. Esses números representam 2,16% do volume total e 2,21% da receita global das exportações agropecuárias brasileiras para os EUA.

Carne, Suco e Açúcar se Destacam

No ranking das exportações agropecuárias brasileiras para os Estados Unidos, o setor de carnes ocupa o terceiro lugar, com 248,5 mil toneladas exportadas, o que representa 2,63% do volume total enviado ao mercado americano. Em termos financeiros, o valor alcançado foi de US$ 1,4 bilhão, correspondendo a 11,65% da receita total registrada no ano passado.

Editado a partir de informações do portal Compre Rural

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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