Hoje é dia de comemorar o fim de quase meio século de ditadura em Portugal.

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O ditador Antonio de Oliveira Salazar, cujo lema era “Deus, Pátria, Família”, (lembra alguém?) cometeu abusos incontáveis durante o seu governo. O Estado Novo (1933–1974) foi um regime autoritário, conservador, nacionalista, corporativista de Estado de inspiração fascista, parcialmente católica e tradicionalista, de cariz antiliberal, antiparlamentarista, anticomunista, e colonialista, que vigorou em Portugal sob a Segunda República.

A Revolução dos Cravos, ocorrida em 25 de abril de 1974, foi um levante militar e popular que derrubou a ditadura do Estado Novo em Portugal, instaurando a democracia. A revolução, também conhecida como 25 de Abril, foi marcada pela utilização de cravos vermelhos pelos soldados como símbolo de paz e pela recepção calorosa da população às ruas.

Contexto:

  • O Estado Novo, regime ditatorial que governava Portugal desde 1933, era marcado pela repressão, censura e falta de liberdade.

  • A longa guerra colonial em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, que esgotou os recursos e as forças armadas, contribuiu para a crise do regime.

  • A Revolução dos Cravos foi planejada por um grupo de oficiais militares, que formaram o Movimento das Forças Armadas (MFA), com o objetivo de derrubar o governo e restabelecer a democracia. 

Desdobramentos:

  • Com a revolução, as liberdades individuais foram restauradas, a censura foi abolida e a liberdade de expressão foi garantida.
  • Os exilados políticos, incluindo personalidades como Mário Soares, puderam retornar ao país.
  • Portugal se aproximou da União Europeia e, em 1986, aderiu à Comunidade Económica Europeia. 
  • A Revolução dos Cravos inspirou outros movimentos de resistência em países que viviam sob ditaduras e deu esperança a povos que sonhavam com a liberdade.
  • O regime democrático implantado em Portugal influenciou outros países na transição para a democracia, como o Brasil. 

Símbolo:

  • Os cravos vermelhos se tornaram o símbolo da revolução devido a um gesto de uma florista, que ofereceu flores aos soldados que se rebelavam.
  • Os cravos, colocados nos canos das armas, simbolizavam a paz e a ausência de violência do movimento.

Em resumo: A Revolução dos Cravos foi um marco na história de Portugal, que colocou fim a um longo período de ditadura e abriu caminho para a democracia e o desenvolvimento do país.

“Grândola, Vila Morena” é a canção composta e cantada por Zeca Afonso que foi escolhida pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) para ser a segunda senha de sinalização da Revolução dos Cravos. A canção refere-se à fraternidade entre as pessoas de Grândola, no Alentejo, e teria sido banida pelo regime salazarista como uma música do partido comunista de Moscovo Comunismo.

Às zero horas e vinte minutos do dia 25 de abril de 1974, a canção era transmitida na Rádio Renascença, a emissora católica portuguesa, como sinal para confirmar o início da revolução. Por esse motivo, transformou-se em símbolo da revolução, assim como do início da democracia em Portugal. À meia-noite e vinte minutos da madrugada do dia 25 de abril de 1974, a «Grândola, vila morena» foi tocada no programa Limite da Rádio Renascença.

Era a segunda senha que confirmava o bom andamento das operações e despoletava o avanço das forças organizadas pelo MFA. Em Fevereiro de 2013, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho falava no debate quinzenal com os deputados quando foi interrompido pelo público das galerias a cantar “Vila Morena” como forma de protesto contra as políticas económicas de seu governo e da troika.

Dias depois esta mesma música foi cantada em Madrid na Puerta del Sol pela Solfónica aquando de uma manifestação. No dia 18 de Fevereiro, num encontro promovido pelo Clube dos Pensadores, o Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, foi igualmente interrompido por manifestantes ao som do Grândola, tendo chegado a entoar alguns versos da música.”

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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