O comércio entre China-EUA parou: a cadeia de suprimentos norte-americana entra em parafuso.

Escassez de navios cargueiros da China gera pânico nos portos da Costa Oeste dos EUA. Na manhã de sexta-feira, autoridades portuárias da Costa Oeste dos Estados Unidos relataram um fato incomum: nenhum navio cargueiro havia partido da China com destino aos dois principais portos da região – o Porto de Los Angeles e o Porto de Long Beach – nas últimas 12 horas.

Na manhã de sexta-feira, autoridades portuárias da Costa Oeste dos Estados Unidos relataram um fato incomum: nenhum navio cargueiro havia partido da China com destino aos dois principais portos da região – o Porto de Los Angeles e o Porto de Long Beach – nas últimas 12 horas.

Este cenário, que não ocorria desde o início da pandemia, levanta sérias preocupações sobre os impactos da guerra comercial em curso entre os EUA e a China, além de seus reflexos na cadeia de suprimentos global.

De acordo com as informações fornecidas por autoridades portuárias à CNN, o número de embarcações programadas para partir da China com destino ao Complexo da Baía de San Pedro, que engloba os portos de Los Angeles e Long Beach, caiu drasticamente.

Há seis dias, 41 navios estavam agendados para partir da China, mas, na sexta-feira, o número foi reduzido a zero. A situação é reflexo direto das tensões comerciais e tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, que dificultam os negócios entre os dois países.

As tarifas pesadas impostas pelo governo dos EUA às importações chinesas no mês anterior têm levado a um número reduzido de navios carregando mercadorias. Para muitas empresas, fazer negócios com a China se tornou financeiramente inviável, dado o alto custo das tarifas.

Com isso, as autoridades portuárias têm observado uma diminuição significativa na quantidade de navios e mercadorias que chegam aos Estados Unidos, o que coloca em risco a eficiência das operações logísticas nos portos mais movimentados do país.

Mario Cordero, CEO do Porto de Long Beach, expressou preocupação com a situação. “Estamos vendo números de cancelamentos e menos chegadas de navios superiores aos que testemunhamos na pandemia”, afirmou.

A situação mais preocupante ocorreu no Porto de Seattle, que, na quarta-feira, não registrou a chegada de nenhum navio porta-contêineres, um fenômeno que não acontecia desde o período de pico da pandemia.

O encontro entre EUA e China

Diante deste cenário, representantes comerciais dos EUA e da China têm se reunido para tentar resolver as questões comerciais em aberto. Neste fim de semana, em Genebra, ocorrerá o primeiro encontro presencial entre os dois países, com o objetivo de apaziguar a guerra comercial que vem afetando a relação entre as duas potências.

As tarifas aplicadas às mercadorias da China que chegam aos Estados Unidos chegam a 145%, enquanto as exportações dos EUA para a China enfrentam uma tarifa de 125%.

O presidente Donald Trump sugeriu na sexta-feira que as tarifas com a China poderiam ser reduzidas para 80%, mas a decisão final ficará a cargo do secretário do Tesouro, Scott Bessent.

Preocupações com a escassez de produtos

A situação não afeta apenas as empresas e os portos, mas também os consumidores. De acordo com Cordero, se as condições não mudarem rapidamente, o impacto será sentido diretamente pelos consumidores, com escassez de produtos e aumento nos preços. “Se as coisas não mudarem rapidamente, a incerteza que estamos vendo poderá resultar em prateleiras vazias nos próximos 30 dias”, alertou.

Redução no volume de carga

A Maersk, segunda maior companhia marítima do mundo, também comentou sobre a queda no volume de carga entre os EUA e a China. Segundo a empresa, o volume de mercadorias caiu de 30% a 40% em relação ao normal, uma redução significativa que afeta o fluxo comercial entre os dois países.

Vincent Clerc, CEO da Maersk, destacou que, caso a situação com a China não seja resolvida em breve, as consequências podem se tornar mais graves.

Conclusão

A redução no número de navios cargueiros partindo da China, aliada à queda no volume de mercadorias nos portos da Costa Oeste dos EUA, é um reflexo direto da guerra comercial e das tarifas impostas entre os dois países.

Com o cenário incerto e o impacto crescente sobre as operações logísticas, a necessidade de um acordo comercial rápido se torna ainda mais urgente. Enquanto as autoridades dos dois países tentam encontrar uma solução, o impacto negativo já é visível no comércio global, afetando tanto empresas quanto consumidores.

De O Cafezinho

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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