PF pede ao STF mais 60 dias para apurar ‘sistema de corrupção mais sofisticado e complexo’ no STJ.

Fachada do edifício sede do Superior Tribunal de Justiça (STJ) | Agência  Brasil

Investigações miram rede de lobistas, desembargadores do Mato Grosso e ex-servidores de quatro gabinetes do Supremo Tribunal de Justiça – Caso tramita sob sigilo, com relatoria de Zanin, pois há menções a pelo menos um ministro.

Polícia Federal (PF) revelou um esquema de corrupção no Superior Tribunal de Justiça (STJ) descrito como “consideravelmente mais sofisticado e complexo” do que inicialmente previsto, segundo matéria publicada por O Globo.

A investigação, que apura a venda de sentenças judiciais, levou a PF a solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Cristiano Zanin Martins, a prorrogação das apurações por mais 60 dias.

O pedido reflete a descoberta de uma rede que vai além de “atos isolados de compartilhamento de minutas de decisões”, envolvendo advogados, lobistas, operadores financeiros, empresários do agronegócio e agentes do Poder Judiciário.

Inicialmente, a PF tratava o caso como episódios pontuais. No entanto, análises financeiras em andamento revelaram indícios que ampliam a profundidade das hipóteses criminais, justificando a competência do STF para supervisionar o inquérito.

A complexidade do esquema inclui movimentações financeiras suspeitas, com depósitos e saques em dinheiro vivo, apontando para possível lavagem de dinheiro.

A investigação identificou uma rede de lobistas e desembargadores, com detalhes sórdidos sobre a articulação do esquema, que também atinge tribunais de Justiça, como o de Mato Grosso.

PF encontrou evidências de um sistema estruturado, longe de ser apenas troca de favores isolada, diz uma publicação no o Bastidor. A instituição descartou a hipótese de atos isolados, apontando para um sistema organizado com ramificações em tribunais estaduais.

A matéria também menciona a descoberta de transferências para “contas de passagem” e entregas de dinheiro em espécie.

Folha de S. Paulo trouxe detalhes adicionais, destacando que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apoiou a prorrogação do inquérito por 45 dias, conforme parecer do procurador-geral Paulo Gonet.

A investigação mira quatro gabinetes do STJ, envolvendo ex-servidores, desembargadores do Mato Grosso do Sul e até um motorista de lobista, João Batista Silva, que recebeu R$ 2,625 milhões entre 2019 e 2023 de uma empresa ligada ao lobista Andreson de Oliveira Gonçalves.

Esses valores chamam atenção, especialmente porque o motorista foi beneficiário do auxílio emergencial durante a pandemia, sugerindo incongruências financeiras.

A PF realizou uma operação em março de 2025 contra a venda de informações sigilosas do STJ, identificando uma rede clandestina de monitoramento e comercialização de dados sensíveis.

Essa operação reforça a existência de um sistema estruturado, com tentáculos que vão além da simples venda de sentenças, incluindo a exploração de informações privilegiadas.

O escândalo abala a credibilidade do Judiciário brasileiro, especialmente o STJ, que é a segunda mais alta corte do país.

A sofisticação do esquema, com uso de contas intermediárias e entrega de dinheiro em espécie, sugere um nível de organização que pode ter impactado decisões judiciais de grande relevância.

A prorrogação das investigações indica que novas revelações podem surgir, potencialmente envolvendo figuras de alto escalão.

A supervisão do STF reforça a gravidade do caso, que pode ter implicações políticas e jurídicas significativas, especialmente em um contexto de polarização e questionamentos sobre a imparcialidade do Judiciário.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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