Confirmado: Trump está nos arquivos de Epstein ligado a pornografia infantil e foi informado pela Justiça, diz jornal.

Em maio de 2025, uma reunião no Salão Oval da Casa Branca, sede do governo dos EUA, trouxe à tona uma revelação explosiva: o Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou ao presidente Donald Trump que seu nome aparece várias vezes nos arquivos relacionados ao caso Jeffrey Epstein, o financista condenado por tráfico sexual que morreu em 2019.

A informação, revelada pelo Wall Street Journal em uma matéria publicada em 17 de julho de 2025, desencadeou uma série de reações, incluindo uma ação judicial de US$ 10 bilhões movida por Trump contra o jornal e seu proprietário, Rupert Murdoch, por suposta difamação.

A polêmica reacendeu debates sobre a relação entre Trump e Epstein e levantou questionamentos sobre a transparência do governo em relação aos arquivos do caso.

O Contexto: Trump, Epstein e os Arquivos

Jeffrey Epstein, figura influente que mantinha laços com políticos, empresários e celebridades, foi preso em 2019 por acusações de tráfico sexual de menores. Sua morte em uma cela de prisão, oficialmente considerada suicídio, gerou teorias da conspiração que persistem até hoje.

Durante anos, especulações sobre uma suposta “lista de clientes” de Epstein alimentaram a curiosidade pública, especialmente entre apoiadores de Trump, que acreditavam que ele, ao assumir a presidência em 2025, liberaria documentos reveladores sobre o caso.

No entanto, em 7 de julho de 2025, o Departamento de Justiça e o FBI (Federal Bureau of Investigation – a polícia federal dos Estados Unidos) divulgaram um memorando afirmando que não havia evidências de uma “lista de clientes” nem de chantagem de figuras proeminentes por Epstein.

O Futuro da Polêmica

O caso Epstein permanece um tema sensível, com implicações políticas e jurídicas significativas. A ação judicial de Trump contra o Wall Street Journal pode prolongar o debate, enquanto a possível liberação de testemunhos do grande júri pode trazer novas revelações ou acalmar as tensões com sua base.

Por enquanto, o presidente busca equilibrar a defesa de sua imagem com a pressão por transparência, em um cenário onde cada movimento é escrutinado por aliados e adversários.

A decisão de não liberar mais arquivos gerou indignação entre a base MAGA (Make America Great Again), que via na promessa de transparência uma bandeira de campanha de Trump.

A pressão aumentou quando o senador democrata Dick Durbin revelou que cerca de 1.000 agentes do FBI, trabalhando em turnos de 24 horas, foram instruídos em março de 2025 a “marcar” qualquer documento que mencionasse Trump, levantando suspeitas sobre a condução da revisão dos arquivos.

A Carta Polêmica e a Ação Judicial

O estopim da controvérsia foi uma matéria do Wall Street Journal que descreveu uma carta supostamente enviada por Trump a Epstein em 2003, como parte de um álbum de aniversário de 50 anos do financista, organizado por Ghislaine Maxwell, ex-associada de Epstein condenada por tráfico sexual.

A carta, segundo o jornal, continha um desenho de uma mulher nua com a assinatura “Donald” e uma mensagem sugestiva: “Feliz aniversário — que cada dia seja outro segredo maravilhoso“.

Trump negou veementemente ter escrito a carta, chamando-a de “falsa” e “maliciosa” em postagens no Truth Social, sua rede social. Ele afirmou ter alertado Rupert Murdoch e a editora-chefe do jornal, Emma Tucker, sobre a suposta falsidade do documento antes da publicação.

Em resposta, Trump entrou com uma ação de difamação no Tribunal Federal do Distrito Sul da Flórida, exigindo no mínimo US$ 10 bilhões em danos. A ação nomeia o Wall Street Journal, sua empresa-mãe Dow Jones, News Corp, Murdoch, o CEO Robert Thomson e os repórteres Joseph Palazzolo e Khadeeja Safdar.

A defesa de Trump argumenta que o jornal não apresentou provas concretas da autenticidade da carta, como uma cópia do documento, e que a publicação teve como objetivo difamá-lo. A Dow Jones, por sua vez, afirmou ter “total confiança na precisão de sua reportagem” e prometeu se defender vigorosamente.

A Reação do Governo e a Demanda por Transparência

Diante da pressão crescente, Trump anunciou em 17 de julho de 2025 que ordenou à procuradora-geral Pam Bondi que solicitasse a liberação de testemunhos do grande júri relacionados ao caso Epstein, sujeitos à aprovação judicial.

No dia seguinte, o Departamento de Justiça apresentou um pedido formal a um tribunal de Nova York para desclassificar esses documentos, argumentando que o caso é de “interesse público“. No entanto, as regras de sigilo do grande júri são rígidas, e a liberação pode levar tempo ou ser negada, especialmente para proteger vítimas e testemunhas ainda vivas.

A decisão de Trump de liberar parte dos arquivos veio após semanas de críticas, inclusive de aliados como Laura Loomer e Charlie Kirk, que questionaram a autenticidade da carta do Wall Street Journal e defenderam o presidente.

A Casa Branca, por meio da secretária de imprensa Karoline Leavitt, tentou minimizar a polêmica, afirmando que o presidente não recomenda a nomeação de um procurador especial para o caso Epstein, apesar das demandas de sua base.

Impacto Político e Social

A controvérsia expôs tensões entre Trump e sua base de apoiadores, que esperavam revelações bombásticas sobre Epstein. A recusa inicial do Departamento de Justiça em liberar mais documentos foi vista como uma traição por alguns, enquanto a ação judicial contra o Wall Street Journal uniu temporariamente figuras do MAGA, como Steve Bannon, que acusaram a mídia de orquestrar uma campanha contra Trump.

No entanto, analistas políticos, como Whit Ayres, apontam que o caso Epstein é principalmente um problema interno ao movimento MAGA, com pouco impacto no público geral. Além disso, a relação de Trump com Epstein, documentada em fotos e registros de voos de seu jato particular nos anos 1990 e 2000, continua a alimentar especulações.

Embora Trump tenha dito em 2019 que rompeu com Epstein após um desentendimento, sua aparição em nove documentos da “fase um” dos arquivos liberados em fevereiro de 2025, incluindo listas de contatos e registros de voos, mantém o assunto em destaque.

Novas imagens de Trump e Epstein

Um artigo da CNN, publicado na terça-feira (22/jul), revela novas fotos e vídeos que destacam a relação passada entre Donald Trump e Jeffrey Epstein, incluindo a presença de Epstein no casamento de Trump com Marla Maples em 1993 e em um evento da Victoria’s Secret em 1999, onde aparecem rindo e conversando.

Descobertos pela equipe KFile da CNN durante uma revisão de arquivos de eventos dos anos 1990 e 2000, esses materiais, que também mostram Epstein na inauguração do Harley-Davidson Café em 1993, não foram amplamente divulgados antes e são anteriores às acusações criminais contra Epstein, que surgiram em 2005.

A relação de Trump e Epstein, que começou nos anos 1980, terminou em meados dos anos 2000 devido a uma disputa imobiliária, e nenhuma autoridade acusou Trump de irregularidades relacionadas a Epstein.

As novas imagens reacendem o escrutínio sobre essa conexão, em meio à controvérsia sobre a decisão do Departamento de Justiça de não divulgar arquivos prometidos sobre Epstein, gerando críticas de parte do movimento MAGA.

A CCN também mostrou um vídeo em que Trump aparece assistindo a um desfile com jovens modelos:

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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