Bolsonaro reclama de dor de cabeça por ruído de gerador na carceragem da prisão na PF
O ex-presidente Jair Bolsonaro se queixa agora de um novo problema em sua detenção: dores de cabeça persistentes atribuídas ao ruído incessante de um gerador posicionado ao lado de sua cela na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília.
A queixa, revelada nesta sexta-feira (5/dez), ganhou destaque ao ser repassada pela equipe médica e jurídica do condenado, destacando as dificuldades de adaptação em um ambiente projetado para segurança, mas criticado por falhas em conforto básico.
De acordo com relatos obtidos pela CNN Brasil, o barulho constante do equipamento, essencial para o abastecimento de energia da unidade, tem se tornado uma fonte de incômodo diário para Bolsonaro, que ocupa uma sala de estado-maior de cerca de 12 metros quadrados.
Equipada com cama de solteiro, frigobar, ar-condicionado e acesso a TV aberta, a cela oferece condições superiores às de presídios comuns, como a Complexo Penitenciário da Papuda, mas restrições impostas após um episódio de circulação não autorizada no dia 23 de novembro limitam o ex-presidente a permanecer confinado no espaço.
Películas escuras instaladas nas portas visam preservar a privacidade, mas não atenuam o ruído externo.
A defesa de Bolsonaro já havia sinalizado preocupações com o bem-estar físico desde o início da detenção preventiva, em 22 de novembro, convertida em pena definitiva pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 25 de novembro.
O episódio que precipitou a transferência da prisão domiciliar para a PF envolveu a violação da tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, justificada pelo próprio condenado como uma “alucinação” e “paranoia” induzidas por medicamentos como pregabalina e sertralina – usados para tratar ansiedade e dor crônica, conforme análise da psiquiatra Natalia Travenisk Hoff em reportagem do O Globo.
Atualizações recentes agravam o quadro. Em 27 de novembro, Bolsonaro sofreu uma crise intensa de soluços e refluxo, sequelas da facada sofrida em 2018 durante a campanha eleitoral, que o impediu de dormir e exigiu atendimento remoto pelo cardiologista Leandro Echenique, conforme noticiado pelo Valor Econômico.
Seus filhos, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o vereador Jair Renan (PL-SC), relataram o episódio nas redes sociais, e o senador mencionou uma recaída noturna em 25 de novembro, segundo o g1.
Outra complicação surgiu com a alimentação: as “quentinhas da Dona Michelle” preparadas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro viraram ponto de tensão, pois a PF exige laudo médico para autorizar a dieta externa, temendo riscos de qualidade, como detalhado pelo O Globo.
Essas queixas não são isoladas e ecoam um histórico de contestações às condições de detenção de Bolsonaro.
Em 22 de novembro, o ministro Alexandre de Moraes rejeitou pedido de prisão domiciliar humanitária, apesar de laudos médicos que citavam “complicações permanentes” da facada – incluindo problemas gastrointestinais, pulmonares e neurológicos –, conforme cobertura da BBC News Brasil.

