Os corsários do Norte continuam a levar nossas riquezas.
Eduardo Galeano explica em “As Veias Abertas da América Latina” (1971) que a pobreza e o subdesenvolvimento do continente são resultado de séculos de exploração por potências estrangeiras, desde a colonização espanhola e portuguesa até a influência dos EUA no século XX, que veem a região como seu “quintal”, saqueando recursos (ouro, prata, petróleo) e promovendo golpes de estado (como no Brasil em 1964) para manter seus interesses econômicos, ligando o desenvolvimento do Norte à nossa exploração, e mostrando que essa dinâmica de dependência continua, tornando a soberania latino-americana uma luta constante.
Principais Pontos da Explicação de Galeano:
- O Início da Exploração: A história começa com a colonização, a extração de riquezas (minérios) e a escravização de povos indígenas e africanos, estabelecendo um padrão de expropriação que perdura.
- Capitalismo e Subdesenvolvimento: A Revolução Industrial e o capitalismo no Norte foram financiados pelo saque das riquezas latino-americanas, criando uma relação de dependência: “Nós perdemos; outros ganharam. Mas acontece que aqueles que ganharam, ganharam porque nós perdemos”.
- Intervenção dos EUA: Os EUA atuaram como “mão de obra” imperialista, promovendo golpes (CIA, embaixadores) para garantir o controle de recursos (ferro, petróleo), transformando a América Latina em seu quintal econômico.
- Ciclos de Dependência: A dependência se manifesta em ciclos de monocultura (café, açúcar), exploração de matérias-primas e dívidas externas, mantendo a região subserviente ao mercado mundial.
- Atualidade: Embora escrito há décadas, o livro continua relevante, mostrando como os mecanismos de exploração se adaptam (precarização do trabalho, desigualdade digital), e a necessidade de conhecer essa história para entender a realidade atual e a luta pela soberania.
Em essência, Galeano argumenta que a América Latina não é subdesenvolvida por falta de modernização, mas por ser sistematicamente explorada, com suas riquezas sangrando para fora, mantendo-a em um estado de dependência e subordinação.
