Barreiras autoriza aumento nas passagens de ônibus via decreto; nova tarifa urbana chega a R$ 5,00.

Aumento da tarifa de ônibus Barreiras 10012025

Decisão unilateral do prefeito Otoniel Teixeira impõe reajuste de 3,24% sem debate na Câmara; custo mensal pode consumir até 27% do salário mínimo de 2026

Caso de Política | Luís Carlos Nunes

O prefeito de Barreiras, Otoniel Nascimento Teixeira, oficializou o reajuste das tarifas do transporte coletivo urbano e rural no município. Pelo Decreto nº 04, de 7 de janeiro de 2026, o Executivo autorizou aumento de 3,24% nas passagens operadas pela Viação Cidade de Barreiras Ltda. Os novos valores passam a vigorar na quinta-feira, 15 de janeiro, sob a justificativa de recomposição do equilíbrio econômico-financeiro dos contratos 173/2014 e 174/2014.

Manobra administrativa: o isolamento conveniente do Legislativo

Embora o ato encontre respaldo formal nos artigos 102 e 103 da Lei Orgânica e nos contratos vigentes, o reajuste por decreto reacende o debate sobre transparência e participação democrática. Ao optar por uma decisão solitária, o governo municipal contorna a Câmara de Vereadores e elimina qualquer possibilidade de escrutínio público.

A estratégia impede que parlamentares avaliem os dados apresentados pela concessionária ou vinculem o aumento a melhorias imediatas na frota. Na prática, a discussão técnica se restringe aos gabinetes do Executivo e da Procuradoria Jurídica, afastando o contraditório político e excluindo a sociedade de um debate que afeta diretamente o orçamento de milhares de trabalhadores.

Modalidades de tarifa: quando a economia no cartão esconde o peso real

O decreto preserva a diferenciação entre pagamento em dinheiro e pelo Barreiras CARD. Na Linha Urbana, a diferença chega a 10% – R$ 4,50 no cartão contra R$ 5,00 no pagamento em espécie. Nas linhas distritais, o percentual varia conforme o trecho:

  • Linha Urbana: economia de 10% no cartão
  • Barreiras / Diocese: economia de 3,12%
  • Linha Alimentadora (AL04): economia de 2,77%
  • Distrital Rio Branco: economia de 0,68%

Tabela de Tarifas Selecionadas (Principais Linhas)

Linha / Descrição Tarifa em Dinheiro (Arredondada) Tarifa Barreiras CARD Diferença em %
Urbana R$ 5,00 R$ 4,50 -10,00%
Linha Tarifa Social R$ 1,40
Distrital Rio Branco (RAD01) R$ 21,85 R$ 21,70 -0,68%
Distrital Bezerro (RAD02) R$ 16,25 R$ 16,00 -1,53%
Distrital Taboa (RAD04) R$ 10,85 R$ 10,50 -3,22%
Fazenda IZA – via Cerradão (RAD06) R$ 21,50 R$ 21,40 -0,46%

Simulação: quanto pesa no bolso – e no salário mínimo

Com o salário mínimo de 2026 fixado em R$ 1.621,00, o transporte público assume relevância crítica no orçamento dos trabalhadores. Em um mês comercial com 22 dias úteis, o impacto é o seguinte:

Cenário A – Barreiras CARD (R$ 4,50):

  • 2 passagens/dia: R$ 198,00/mês – 12,2% do salário
  • 4 passagens/dia: R$ 396,00/mês – 24,4% do salário

Cenário B – Pagamento em dinheiro (R$ 5,00):

  • 2 passagens/dia: R$ 220,00/mês – 13,6% do salário
  • 4 passagens/dia: R$ 440,00/mês – 27,1% do salário

Um trabalhador que depende de quatro conduções diárias e paga em dinheiro compromete mais de um quarto da renda apenas para se deslocar – sem contar alimentação, aluguel, contas básicas e imprevistos.

Análise crítica e reação popular: aumento sem melhoria

O reajuste chega em meio a constantes queixas sobre o serviço prestado. Usuários relatam, nas redes sociais, atrasos frequentes, superlotação e veículos em condições precárias. A justificativa empresarial do aumento do diesel é recorrente, mas, do ponto de vista do passageiro, raramente se traduz em viagens mais seguras ou confortáveis.

O contraste entre tarifas urbanas e distritais – algumas ultrapassando R$ 21,00 – aprofunda a desigualdade de mobilidade. Moradores da zona rural permanecem isolados e dependem de uma tarifa que inviabiliza deslocamentos rotineiros para saúde, educação e serviços públicos.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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