
Caso aconteceu na madrugada desta quinta-feira. Agricultor estava armado, pois já tinha experiência de assaltos na mesma propriedade. Com isso foi fuzilado por soldados da Polícia Militar. Nesta segunda-feira iniciam os depoimentos dos envolvidos.
Do Correio do Povo
Os 17 policiais militares, mais a viúva do produtor rural Marcos Daniel Nörnberg, Raquel Amorim Motta Nörnberg, começam a ser ouvidos na próxima segunda-feira na investigação que apura a ação da Brigada Militar (BM) que resultou na morte de Marcos, ocorrida na madrugada da última quinta-feira, em Pelotas, no Sul do Estado.
O caso agora está nas mãos da Delegacia de Homicídios de Pelotas, cuja titular é a delegada Walquiria Meder. “Será uma investigação rigorosa, estritamente técnica e imparcial”, disse ela, informou ainda ter recebido as diligências preliminares a partir do delegado César Nogueira, da 2ª Delegacia de Polícia (2ª DP), até então responsável pelo caso.
De acordo com Walquiria, “possivelmente outras pessoas também serão ouvidas”. Nogueira havia dito, na semana passada, que a Polícia Civil não tinha conhecimento prévio da ação pela BM na propriedade de Nörnberg. O produtor foi atingido por disparos enquanto os policiais investigavam uma suposta presença de integrantes de uma quadrilha suspeita de crimes como sequestro e porte de armas.
A casa do produtor chegou a ser cercada enquanto ele e a esposa dormiam. Ainda na sexta-feira, uma reunião entre a Corregedoria da BM e a Polícia Civil alinhou a troca de informações a respeito do caso. Os policiais envolvidos na operação foram afastados, sendo nove do 5º Batalhão de Choque e oito do 4º Batalhão de Polícia Militar.
Em entrevista à Record Guaíba na última sexta-feira, o corregedor-geral da BM, Rodrigo Assis Brasil Ramos Aro, explicou que, diante de denúncias de crimes em andamento, e dependendo da urgência da ação, não há tempo ou necessidade legal de informar a Polícia Civil imediatamente, embora esta investigação vá apurar se as condições para tal existiam.
“A flagrância é uma das situações que permite a entrada na residência a qualquer hora do dia. Isto está na legislação brasileira. Agora, claro, temos de nos certificar de que aquelas condições estão presentes para que possamos entrar”, comentou ele à Record Guaíba. O prazo para a conclusão do inquérito policial é de 30 dias a partir da instauração.
