
Conversas, fotos, e-mails e registros antigos, mesmo que não relacionados diretamente ao caso Master, estarão expostos aos investigadores
A Polícia Federal revelou possuir aparato tecnológico singular no Brasil, capaz de extrair integralmente o conteúdo de aparelhos celulares mesmo quando desligados e protegidos por senhas robustas.
Essa capacidade, aplicada na apuração envolvendo o Banco Master, tem gerado um surto de apreensão em Brasília, onde conexões políticas amplificam o temor de exposições indesejadas.
A técnica empregada pelos peritos da PF transcende métodos convencionais adotados por outras forças de segurança, que se limitam ao desbloqueio de telas.
Aqui, o processo inicia com o isolamento do dispositivo em uma estrutura conhecida como Gaiola de Faraday – uma caixa metálica que bloqueia sinais eletromagnéticos, impedindo conexões a redes Wi-Fi ou dados móveis.
Essa precaução neutraliza riscos de apagamento remoto via nuvem, preservando a integridade das evidências.
Como detalhado no blog de Julia Duailibi no g1, “a Polícia Federal é o único órgão com equipamento capaz de acessar o conteúdo de um aparelho mesmo que ele esteja sem senha e desligado”.
Os aparelhos em questão foram apreendidos na operação deflagrada em 19/nov do ano passado, mirando Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, seu cunhado e o investidor Nelson Tanure.
Localizado no bairro Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, o banco é pivô de alegações de irregularidades financeiras.
A extração de dados, conforme fontes, é absoluta: abrange conversas, fotografias, e-mails e registros históricos, independentemente de relevância direta ao inquérito.
“Isso significa que conversas, fotos, e-mails e registros antigos, mesmo que não relacionados diretamente ao caso, estarão expostos aos investigadores”, enfatiza o relatório.
O pavor que se alastra pela capital federal decorre precisamente dessa amplitude. Figuras proeminentes, ligadas indiretamente aos investigados, receiam a revelação de diálogos sensíveis ou materiais comprometedores.
Tal tecnologia explica o pânico silencioso que tomou conta da capital federal, ao possibilitar uma devassa irrestrita no histórico digital.
Ademais, o episódio acirra fricções institucionais. Em decisão divulgada em 16/jan, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou da custódia da PF os celulares e computadores, determinando sua desconexão de redes para mitigar riscos de deleção remota, segundo o blog de Valdo Cruz no g1.
Tal medida, contudo, suscita preocupações na corporação, pois atrasos na perícia poderiam permitir intervenções externas. Toffoli indicou nominalmente quatro peritos da PF sem consulta prévia, azedando relações entre a força policial e o tribunal.
O uso da Gaiola de Faraday é elemento chave para garantir a extração sem interferências. Essa ferramenta não permite graduações: ou se obtém tudo, ou nada.
Complementarmente, a PF emprega software agregador que indexa conteúdos de múltiplas plataformas – WhatsApp, e-mails, galerias – facilitando buscas por palavras-chave e cruzamentos de dados.
Em suma, a proeza tecnológica da PF fortalece o arsenal investigativo e impõe reflexões sobre privacidade digital em esferas de poder, enquanto a operação prossegue e o eco de inquietude em Brasília sinaliza que, em um mundo hiperconectado, nem o desligamento oferece refúgio absoluto.
Editado por Urbs Magna
Autor: jornaloexpresso
Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril
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