Bahia registra mais de 700 casos de intolerância religiosa em 2025 e delegado destaca predominância do racismo religioso

A Bahia registrou cerca de 759 ocorrências relacionadas referentes ao crime de racismo, que inclui discriminações referentes a raça, cor, religião ou procedência nacional. Nesta quarta-feira, dia 21 de janeiro, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, o Bahia Notícias divulga os dados obtidos junto à Polícia Civil da Bahia. 

O material da Polícia Civil ainda destaca que, entre os 759 registros, estão os casos ocorridos em ambientes digitais ou em meios de comunicação. Neste caso, 23 denúncias ocorreram a partir de ataques em meios de comunicação, o equivalente a 3,03% do total. Os números apontam que cerca de 43,6% dos casos ocorreram justamente na capital baiana, que figurou com 329 boletins de ocorrência registrados no ano passado, sendo 8 deles em casos ocorridos em meios de comunicação digitais. 

O BN conversou com o delegado Ricardo Amorim, titular da Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrim), para compreender como se dá o processo de acolhimento das denúncias e investigação dos casos registrados na unidade desde a sua inauguração há exatamente um ano. 

Em entrevista, o delegado da Polícia Civil relata que uma das principais ações da unidade no último ano foi divulgar a existência da Decrim e sua importância temática. “Nesse período de 2025, a gente fez muita divulgação da unidade, inclusive, a gente foi em vários terreiros, em igrejas, em outros templos também para divulgar a unidade, nos colocar à disposição e a gente percebe que começou a ter um aumento de demanda”, detalha. 

Ele conta que uma parte das vítimas se sente mais à vontade para denunciar os casos ao saber que receberão um atendimento especializado nesta temática. “Muitas pessoas que a gente atende às vezes chegam aqui e falam assim: ‘Não, eu sofro intolerância religiosa há 20 anos. Eu tenho uma vizinha que comete todo tipo de intolerância, fala todo tipo de coisa, há 20 anos, mas eu nunca registrei’. Então, hoje eu vim aqui registrar porque eu soube que tem uma delegacia especializada”, relata.

A Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrim) funciona dentro do Centro Policial de Cidadania e Diversidade (CPCD), localizado no Engenho Velho de Brotas, e atua na repressão e investigação de crimes de racismo e intolerância religiosa de forma complexa, além de especificidades como LGBTfobia e violências direcionadas a pessoas idosas.

Ricardo sustenta ainda que, apesar da imensa diversidade religiosa da Bahia, os casos de violência ainda seguem atrelados às religiões de matriz africana. “A delegacia é de combate à intolerância religiosa, ou seja, a gente é uma delegacia aberta para todas as religiões, para proteger a liberdade das pessoas de professar qualquer religião, mas, no final das contas, aqui em Salvador é 99% contra as religiões de matriz africana”, certifica. 

No que diz respeito ao “formato” destas violências, o delegado destaca que “esses crimes de intolerância religiosa acontecem das mais variadas formas, nas mais variadas situações e locais que a gente pode imaginar”. “A gente tem muitos crimes de intolerância religiosa, por exemplo, que acontecem em transportes públicos”, detalha.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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