Mendonça é o novo relator do Caso Master após Toffoli deixar caso sob pressão do STF

Ministro André

Revelações explosivas da PF sobre pagamentos suspeitos abalam a Corte Suprema e provocam mudança relâmpago no comando de inquérito bilionário

Do portal Urbs Magna

O ministro Dias Toffoli optou por se afastar (ou não resistiu ao afastamento) da relatoria do inquérito envolvendo o Banco Master, uma instituição financeira liquidada em novembro de 2025 sob acusações de falência fraudulenta com prejuízos estimados em até R$ 47 bilhões.

A decisão veio na esteira de uma reunião extraordinária convocada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, na quinta-feira (12/fev), onde os dez ministros da Corte debateram um relatório da Polícia Federal (PF) que cita menções ao nome de Toffoli em mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, proprietário do banco.

A redistribuição do processo ocorreu por sorteio eletrônico, conforme o regimento interno do tribunal, resultando na designação do ministro André Mendonça como novo relator.

Excluídos do sorteio apenas Toffoli e Fachin, o procedimento visou preservar a imparcialidade institucional.

Em nota conjunta divulgada ao final do encontro, os magistrados enfatizaram que “não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição”, invocando o artigo 107 do Código de Processo Penal e o artigo 280 do Regimento Interno do STF.

O documento, assinado por todos, reconhece a “plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli” e expressa “apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento”.

O caso Banco Master ganhou contornos dramáticos com as investigações da PF, que revelaram uma rede de irregularidades incluindo mais de 252 mil contratos de empréstimos consignados não autorizados a aposentados e pensionistas do INSS, configurando um esquema de roubo sistemático.

Vorcaro, o epicentro das apurações, teve seu aparelho apreendido, e as mensagens nele contidas sugerem pagamentos financeiros vinculados ao nome de Toffoli, especificamente relacionados à venda de sua participação no resort de luxo Tayayá, em Ribeirão Claro (PR).

Segundo relatório da PF, tais transações teriam ocorrido via fundo Arleen, gerido por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, com valores que chegam a R$ 20 milhões.

As conversas entre Vorcaro e Zettel indicam que os pagamentos foram combinados em 2024, anos após a operação de compra em 27 de setembro de 2021, o que suscita questionamentos sobre a temporalidade das negociações.

Toffoli, que assumira a relatoria em novembro de 2025, negou qualquer relação de amizade com Vorcaro e classificou o relatório policial como baseado em “ilações“.

No entanto, evidências apontam para conexões indiretas, como uma viagem de jatinho particular em novembro de 2023 para assistir à final da Libertadores em Lima (Peru), ao lado do advogado do Banco Master, Augusto Arruda Botelho.

O dono da aeronave, empresário Luiz Oswaldo Pastore, também foi visto com Toffoli no Tayayá em 2023.

Essas revelações, conforme apurado pela Folha de S.Paulo, intensificaram a pressão interna no STF, com ministros criticando a PF por avançar em investigações sem autorização judicial prévia – destaque para Mendonça, que se mostrou o mais veemente no debate, afirmando que tal conduta “não acho que isso seja aceitável, eu não gostaria disso para ninguém”.

A reunião, iniciada por volta das 16h30 e estendida até após as 20h, não teve caráter oficial, mas serviu para Fachin compartilhar o material da PF e a defesa de Toffoli.

A nota coletiva sublinhou que o ministro atendeu a todos os pedidos da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), e que a redistribuição atende a “altos interesses institucionais“.

Com Mendonça à frente – relator também de inquérito sobre descontos indevidos em benefícios previdenciários –, o processo pode ganhar novo ímpeto, potencialmente destravando medidas paralisadas sob sigilo imposto por Toffoli.

Essa transição no STF ecoa preocupações sobre a integridade institucional, especialmente em um contexto de escrutínio público sobre relações entre magistrados e investigados.

O afastamento evita um julgamento formal de suspeição, preservando a unidade da Corte em meio a uma crise sem precedentes.

No âmbito das reações, postagens em redes sociais, como a da jornalista Amanda Miranda no X (antigo Twitter), ironizam a substituição:

“Ainda bem que somos um estado laico e que se precisar vai ter investigação na igreja da Lagoinha, né?“, aludindo ao perfil evangélico de Mendonça, ex-pastor presbiteriano, e à possível influência de instituições religiosas em investigações futuras.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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