Bayer anuncia acordo bilionário para encerrar litígios sobre seu herbicida Roundup

Empresa afirma que estudos científicos e autorizações regulatórias demonstram que o produto é seguro

Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer considera o glifosato como provável carcinógeno.

O grupo Bayer, por meio de sua filial Monsanto, anunciou nesta terça-feira (17) um acordo de até 7,25 bilhões de dólares (R$ 37,94 bilhões) para cobrir reivindicações “atuais e futuras” relacionadas ao herbicida à base de glifosato Roundup, associado a alguns tipos de câncer.

Esses pagamentos serão anuais, “limitados e decrescentes”, e poderão ser efetuados ao longo dos próximos 21 anos, o que oferecerá “maior previsibilidade financeira” ao grupo, informou um comunicado.

O acordo coletivo, que ainda deve ser aprovado pelo tribunal de St. Louis (Missouri, Estados Unidos), oferece à Bayer uma saída diante da avalanche de ações judiciais relacionadas ao herbicida de sua filial americana.

O grupo com sede em Leverkusen, na Alemanha, aumentará em 4 bilhões de euros (R$ 24,74 bilhões) suas provisões destinadas a litígios sobre esse produto, elevando o total para 11,8 bilhões de euros (R$ 72,99 bilhões). A Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer considera o glifosato, um dos componentes do Roundup, como provável carcinógeno, mas a Bayer afirma que estudos científicos e autorizações regulatórias demonstram que o herbicida é seguro.

O produto foi acusado de favorecer o desenvolvimento de linfomas não Hodgkin (LNH), um tipo de câncer. A Bayer recordou, no entanto, que as medidas anunciadas nesta terça-feira são adotadas “unicamente para conter os litígios” e que os acordos firmados com os demandantes “não implicam qualquer reconhecimento de responsabilidade ou culpa”.

Desde a compra da companhia americana Monsanto, em 2018, a Bayer já desembolsou mais de 10 bilhões de dólares (R$ 52,34 bilhões) em processos judiciais. Em janeiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos aceitou examinar o recurso do gigante alemão do setor agroquímico contra uma indenização de 1,25 milhão de dólares (R$ 6,54 milhões) concedida a um homem do Missouri, que alegou que o Roundup foi responsável por seu câncer.

A empresa sustenta que deveria estar protegida contra ações estaduais porque a Agência de Proteção Ambiental (EPA) federal autorizou a venda do Roundup a consumidores e agricultores americanos sem qualquer advertência.

O acordo e o recurso à Suprema Corte são etapas “independentemente necessárias” e “que se reforçam mutuamente”, acrescentou o grupo. Cerca de 67 mil processos seguem pendentes, e o CEO da Bayer, Bill Anderson, declarou ao Wall Street Journal no ano passado que a empresa poderia abandonar o Roundup, o herbicida mais popular do mundo, citando o custo das prolongadas batalhas judiciais.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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