Brasil fatura alto com exportações de miúdos e outras partes inusitadas do boi para a Ásia.

Você conhece o 'Mapa do Boi' ?Identificando e compreendendo os cortes de carne bovina - NP Expresso

Chegou o momento em que perdemos apenas o berro do boi

Maior exportador mundial de carne bovina, o Brasil não fatura apenas com a venda de cortes nobres como picanha, alcatra e contrafilé. No ano passado, o setor faturou US$ 604,9 milhões com o envio ao exterior de miudezas, que vão de vísceras e tripas até o pênis do animal, conhecido como vergalho.

Muitos desses produtos não têm grande consumo no Brasil, mas são valorizados em mercados da Ásia, África e América Latina, onde fazem parte de pratos tradicionais ou são utilizados pela indústria alimentícia, segundo o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac).

Nesse grupo estão incluídos órgãos como coração, rins, estômago e intestinos; partes da cabeça, como bochecha, língua e miolo; além de rabo, diafragma, tendões, pâncreas e testículos.

No caso do vergalho bovino, um dos principais destinos internacionais é Hong Kong, onde o valor da tonelada pode chegar a US$ 6 mil. O produto é exportado na forma in natura, seguindo rigorosos protocolos sanitários.

Em algumas culturas asiáticas, como na medicina tradicional chinesa, o órgão também é considerado afrodisíaco, sendo utilizado em preparações cozidas, ensopadas e pratos típicos. Além disso, é valorizado pela textura e pela capacidade de absorver temperos e caldos.

As diferentes demandas culinárias ajudam a sustentar um comércio estável por subprodutos bovinos menos convencionais ao paladar ocidental, ampliando as oportunidades para países exportadores como o Brasil.

“A comercialização do vergalho in natura é contínua, com volume médio mensal entre quatro e cinco toneladas”, diz Alan Gutierrez, gerente de marketing da SulBeef, uma das indústrias mato-grossenses autorizadas a exportar o subproduto. Segundo ele, a regularidade das vendas demonstra a existência de um mercado consolidado para esses produtos.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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