
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), participou da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial (India AI Impact Summit 2026), realizada em Nova Délhi, na Índia, nesta quinta-feira (19/fev), organizado pelo governo indiano e parte do Processo de Bletchley iniciado no Reino Unido em 2023, marcando a primeira edição realizada no Sul Global, reunindo líderes mundiais, CEOs de grandes empresas de tecnologia e delegações de dezenas de países para debater governança, segurança e impactos da IA.
Lula enfatizou o retorno do mundo digital à sua “terra natal“, recordando contribuições milenares da Índia, como o sistema binário.
Ele alertou para a dualidade da tecnologia: avanços em produtividade, medicina, serviços públicos e conectividade contrastam com riscos graves, como armas autônomas, desinformação, discursos de ódio, pornografia infantil, violência contra mulheres e precarização laboral.
“Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia”, declarou o presidente.
O mandatário brasileiro criticou a concentração de capacidades computacionais, infraestrutura e capital em poucos países e empresas, afirmando que “quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação”.
Ele destacou a apropriação de dados gerados por cidadãos de nações em desenvolvimento sem contrapartidas equivalentes e mencionou dados da União Internacional de Telecomunicações sobre 2,6 bilhões de pessoas desconectadas.
Lula defendeu regulação das Big Techs para proteger direitos humanos, integridade informativa e indústrias criativas, colocando o ser humano no centro.
No âmbito nacional, citou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, lançado em 2025, focado em melhorar serviços públicos, gerar emprego e renda, além de discussões no Congresso Nacional sobre marco regulatório e atração de investimentos em centros de dados.
O Brasil participa de múltiplos fóruns, como a iniciativa chinesa para uma organização internacional de cooperação em IA voltada a países em desenvolvimento, a Parceria Global em Inteligência Artificial (do G7) e o Pacto Digital Global aprovado na ONU em setembro de 2024, que criou o Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial.
Lula reiterou a preferência por governança universal sob a ONU, multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento, reconhecendo diversidade de trajetórias nacionais.
O discurso ecoou a Cúpula dos BRICS no Rio de Janeiro (ano passado), reforçando compromisso com democracia, coesão social e soberania.
Lula elogiou o legado indiano em ética, justiça, diversidade e inclusão como referencial para os dilemas atuais da IA.
Além do discurso, o Presidente manteve reuniões bilaterais com Emmanuel Macron, com Sundar Pichai (CEO do Google), dentre outros.
