Lideranças dos caminhoneiros suspenderam os planos de paralisação nacional que vinham sendo discutidos em assembleias regionais. Toda a torcida dos bolsonaristas pela greve gorou de fato.
A decisão ocorreu após o governo Lula publicar, na quinta-feira (19/mar), a Medida Provisória nº 1.343/2026 que endurece a fiscalização e as punições para quem descumpre o piso mínimo do frete.
De acordo com o SBT News, primeira fonte a detalhar o cancelamento com os elogios da categoria, o diretor do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens (Sindicam), Romero Costa, destacou o compromisso inédito do Executivo: “pela primeira vez desde a última grande paralisação, em 2018”.
O presidente da Abrava, Wallace Landim, conhecido como Chorão, classificou a iniciativa como “grande avanço” e reforçou que a categoria segue em estado de alerta, mas aberta ao diálogo.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou as medidas na quarta-feira (18) e a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) terá sete dias para regulamentar o monitoramento eletrônico de todas as operações por meio do CIOT vinculado ao MDF-e.
CIOT e MDF-e são siglas muito usadas no setor de transporte de cargas no Brasil, especialmente no transporte rodoviário:
CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte (ou Código Identificador da Operação de Transportes) é um código numérico único gerado eletronicamente pela ANTT ou por instituições de pagamento homologadas. Seu principal objetivo é registrar e regulamentar o pagamento do frete de forma transparente e segura, especialmente quando se contrata transportadores autônomos de cargas (TAC) ou equiparados (empresas com até 3 veículos no RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas). Ele substitui a antiga “carta-frete” (em papel) e garante que o pagamento seja feito por meios eletrônicos (como transferência bancária ou plataformas autorizadas), evitando fraudes e pagamentos “por fora”. O CIOT deve ser gerado antes da viagem e é obrigatório em certas contratações para comprovar a regularidade da operação.
MDF-e (Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais) é um documento fiscal digital obrigatório que “agrupa” vários documentos fiscais de uma mesma viagem (como múltiplas NF-e, CT-e, etc.). Ele informa à fiscalização quais mercadorias estão sendo transportadas, os dados do veículo, do transportador, origem, destino e outros detalhes. Substitui documentos impressos antigos (como o antigo manifesto de carga) e facilita a fiscalização, pois concentra tudo em um arquivo eletrônico.
CIOT vinculado ao MDF-e refere-se ao fato de que, quando há contratação de transportador autônomo (TAC), o CIOT precisa ser informado (vinculado) dentro do MDF-e. Isso é obrigatório em muitos casos para validar a operação completa. Se o CIOT não for cadastrado no MDF-e (quando exigido), a empresa pode levar multa (geralmente de R$ 550 a R$ 5.000 ou mais por ocorrência, dependendo da regra vigente).
CIOT → controla o pagamento do frete (foco no transportador autônomo) / MDF-e → controla os documentos fiscais da carga em trânsito.
Quando o CIOT é vinculado ao MDF-e → garante que a operação de transporte está regular tanto no aspecto fiscal quanto no pagamento do frete.
As novas regras preveem multas de até R$ 10 milhões por operação, suspensão cautelar do RNTRC e até cancelamento do registro por até dois anos para reincidentes.
Transportadores autônomos ficam protegidos das suspensões. Essa resposta atende diretamente a uma reivindicação histórica da categoria, que desde a lei de 2018 luta pelo cumprimento efetivo da tabela.
O diesel acumula alta superior a 20% nas últimas semanas, pressionado por conflitos internacionais, o que reacendeu o risco de paralisação.
A greve foi evitada sem prejuízo ao abastecimento nacional.
Renan Filho citou grandes embarcadoras como BR Foods, Raízen, Vibra Energia, Unilever e AmBev para reforçar a responsabilidade coletiva no setor.
A medida também integra cruzamento de dados com a Receita Federal e fiscos estaduais, garantindo maior transparência.
Em complemento às ações, Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, confirmou reunião com as lideranças para a próxima semana e defendeu rigor contra abusos.
A economia e a política ganham com o diálogo mantido, evitando impactos que poderiam chegar a bilhões em perdas, como ocorreu em 2018.
Boulos reforçou que o governo não tolerará especulação com combustíveis.
De acordo com o perfil no X, @analise2026, “políticos bolsonaristas já estavam se preparando para manipular a greve e favorecer os seus interesses, transformando pautas econômicas da categoria em mobilização eleitoral“.
O comentário foi feito sobre matéria do portal progressista de notícias Revista Fórum: “Boulos percebeu, entrou em contato com caminhoneiros autônomos e negociou a MP com Lula e Renan Filho“, completa o Análise Política.

