Governo mostra vontade de recomprar Landulpho Alves e aumentar capacidade de refino.

Refinaria de Mataripe faz 75 anos e une história, modernidade e  sustentabilidade - Comunicação | Acelen - Energia para acelerar

O presidente Lula anunciou em Betim que o governo pretende recomprar a refinaria Landulpho Alves na Bahia, privatizada no governo Bolsonaro, e liberou R$ 9 bilhões em investimentos da Petrobras para ampliar o refino e criar uma política de estoques estratégicos de combustíveis contra crises internacionais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante agenda na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, que o governo federal pretende recomprar a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), localizada na Bahia e privatizada em 2021 durante o governo de Jair Bolsonaro.

A unidade foi vendida por US$ 1,65 bilhão e é uma das principais do sistema de refino nacional. No mesmo evento, Lula anunciou um pacote de R$ 9 bilhões em investimentos da Petrobras voltados para a ampliação da capacidade de refino e a modernização de unidades existentes.

Conforme CNN, o que chamou atenção de analistas foi um detalhe estratégico anunciado no mesmo discurso: a criação de uma política de estoques de combustíveis, apresentada ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Segundo Lula, a medida tem como objetivo permitir que o Brasil reaja a momentos de crise e de pressão internacional sobre os preços, sem ficar refém de oscilações do mercado de energia. O presidente reconheceu que a iniciativa exige tempo e tem custo elevado, mas classificou o tema como ponto estratégico para o país.

O que é a Refinaria Landulpho Alves e por que ela foi privatizada em 2021

A Refinaria Landulpho Alves (RLAM), localizada no município de São Francisco do Conde, na Bahia, é uma das maiores e mais antigas unidades de refino do Brasil. Ela atende parcela relevante do mercado de combustíveis do Nordeste e foi durante décadas um ativo estratégico da Petrobras.

Em 2021, como parte da política de desinvestimentos adotada durante o governo Bolsonaro, a RLAM foi vendida ao grupo Mubadala, dos Emirados Árabes, por US$ 1,65 bilhão, passando a operar sob o nome Refinaria de Mataripe.

A venda gerou controvérsia desde o início. Críticos argumentaram que a privatização da refinaria enfraquecia a capacidade da Petrobras de controlar o mercado interno de derivados e aumentava a dependência do país em relação a preços internacionais.

Defensores da medida sustentaram que o desinvestimento era necessário para reduzir o endividamento da estatal e atrair capital privado para o setor. A decisão de Lula de buscar a recompra reacende esse debate e coloca a RLAM novamente no centro da disputa entre visões opostas sobre o papel da Petrobras na  economia brasileira.

Energia e serviços públicos

O que Lula disse sobre a recompra da refinaria e como o processo deve funcionar

Durante o discurso em Betim, Lula foi direto ao afirmar que o governo vai recomprar a refinaria da Bahia. Eles venderam a refinaria da Bahia, nós vamos comprar a refinaria da Bahia, pode demorar um pouco, mas nós vamos comprar, declarou o presidente.

A fala indica que a negociação com o grupo Mubadala ainda não está formalizada e que o processo pode levar tempo, especialmente considerando que o valor de mercado da unidade pode ter mudado desde a venda em 2021.

Segundo Lula, a recompra faz parte de uma estratégia mais ampla de ampliar a capacidade de refino no país e reduzir a dependência de derivados importados.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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