“Vigarice, picaretagem, safadeza em estado puro”, diz advogado sobre relatório “pronto” para “atingir Lula”.

imagem expandidaRelatório CPMI do INSS carregado em pacote fechado por Alfredo Gaspar (PL-AL) e aberto sobre a mesa na sessão de leitura – Ao lado, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Viana (Podemos-MG).

Segundo Luiz Carlos da Rocha, queriam “prorrogar a CPMI do INSS ” porque “eles já tinham a decisão de tentar entregar Fabio Luís“, enfatizando que um documento de “4 ou 5 mil páginas não fica pronto da noite para o dia“

A CPMI do INSS encerrou os trabalhos na madrugada de sábado (28/mar) sem aprovar relatório final. Por 19 votos a 12, os membros rejeitaram o parecer do relator, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), que, com mais de 4 mil páginas, pedia o indiciamento de 216 pessoas por fraudes em descontos indevidos de benefícios previdenciários.

Entre os nomes citados no documento estava o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O relator propunha ainda que a Advocacia do Senado solicitasse à Justiça a prisão preventiva do empresário, com base em “indícios concretos” de risco de fuga após viagem à Espanha.

O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), encerrou a sessão sem colocar em votação o relatório paralelo apresentado pela base governista.

Esse documento alternativo indiciava 130 pessoas, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Carlos Viana afirmou que cópias do relatório rejeitado serão encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal, à Procuradoria-Geral da República, à Polícia Federal e a outros órgãos de controle para continuidade das apurações.

“Saio daqui de cabeça erguida e com a sensação de dever cumprido”, declarou o senador, segundo a Agência Senado.

A tentativa de prorrogação dos trabalhos por 60 dias, anunciada pelo mesmo Carlos Viana com base em liminar do ministro André Mendonça do STF, foi derrubada pelo plenário da Corte na quinta-feira (27/mar) por 8 votos a 2.

A decisão manteve o prazo final da comissão neste sábado (28/mar).

A investigação, instalada há sete meses, apurou um esquema bilionário de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS via entidades associativas de fachada.

O parecer de Alfredo Gaspar apontava crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção, atingindo ex-ministros dos governos Lula e Bolsonaro, parlamentares, dirigentes do INSS e da Dataprev, além de executivos de instituições financeiras.

A rejeição do relatório principal e a ausência de votação do texto alternativo refletem as divisões políticas que marcaram os trabalhos.

Parlamentares da oposição lamentaram a falta de prorrogação, enquanto governistas defenderam que a comissão cumpriu seu papel sem politização excessiva.

Cópias dos documentos seguem para as autoridades competentes, garantindo que as investigações sobre as fraudes no INSS prossigam fora do âmbito parlamentar.

“Vigarice, picaretagem, safadeza em estado puro!“

O advogado Luiz Carlos da Rocha publicou uma análise sobre os bastidores da CPMI do INSS. Ele argumentou que a tentativa de prorrogação dos trabalhos da comissão não se destinava apenas a aprofundar as investigações sobre fraudes em benefícios previdenciários, mas a criar um cenário favorável para desgastar o governo federal no início do processo pré-eleitoral de 2026.

Segundo Luiz Carlos da Rocha, o relatório de Alfredo Gaspar, com cerca de 4 ou 5 mil páginas, já estava pronto com antecedência. Para ele, a oposição sabia que não contava com maioria para aprovar o texto e o objetivo era adiar o desfecho para que o ataque a Lulinha ganhasse repercussão exatamente quando as articulações eleitorais se intensificam.

Luiz Carlos da Rocha destacou ainda a proximidade temporal entre a filiação de Alfredo Gaspar ao PL, oficializada na quarta-feira (25/mar) ao lado de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e a apresentação do relatório.

O senador convidou Alfredo Gaspar para presidir o diretório estadual em Alagoas e disputar cargo majoritário em 2026, o que, na visão do advogado, reforça a hipótese de negociação política.

Ele classificou a conduta como “vigarice, picaretagem, safadeza em estado puro”.

Editado por Urbs Magna

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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