Ministro do STJ, Og Fernandes, homologa acordo de delação no âmbito da Operação Faroeste

Ministro Geraldo Og Nicéas Marques Fernandes, o homem que está reformando a Justiça da Bahia.

Texto de Carlos Augusto, editor do Jornal Grande Bahia.

O acordo de delação premiada apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF), envolvendo o advogado Júlio César Cavalcanti Ferreira, foi homologado em 31 de março de 2020, pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Og Fernandes.

O documento apresenta a possibilidade de modificar profundamente o Poder Judiciário Estadual da Bahia, revelando relações escusas, que violaram o princípio da Justiça,

Conforme documento e relato de fonte do Jornal Grande Bahia (JGB), o criminoso confesso Júlio César apresentou 25 anexos ao Termo de Colaboração Premiada, sendo que em cada anexo são apontadas possíveis práticas criminais envolvendo empresários, grandes escritórios de advocacia, assessores, juízes e desembargadores que atuam no Estado.

Para consolidar a narrativa, o delator apresentou ampla documentação e diversas gravações dos diálogos estabelecidos com a rede de criminosos. Neste aspecto, pode-se antever que uma série de operações da Polícia Federal (PF) deve ocorrer, principalmente, em Salvador.

Júlio César é advogado e ex-servidor do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA). Ele foi denunciado criminalmente na 1º fase do Caso Faroeste e encontra-se preso.

Veja no link Acordo de delação premiada de Júlio César Cavalcanti Ferreira

Veja aqui os primeiros resultados da delação de Júlio César.

Advogado implicado na Operação Faroeste faz delação e devolverá R$2,2 milhões à Justiça

Desembargadora Sandra Inês foi presa depois de ação controlada pela PF e MPF.

A colaboração premiada do advogado Júlio César Cavalcanti Ferreira, que resultou na prisão da desembargadora  Sandra Inês Rouciolelli, do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) depois de operação controlada pela Polícia Federal ainda vai render um dinheirinho extra.

Ficou acertado que o advogado devolverá a importância, constante de dinheiro e carros usados.

O advogado, que já atuou como servidor do TJ-BA, teria dialogado, negociado e cooptado diversos agentes criminosos para comprar decisões judiciais e influenciar o conflito fundiário no oeste baiano.

Ele teria negociado 30 decisões judiciais em 1º e 2º graus, bem como feito o retardo de decisões em benefício de terceiros e designação de magistrados para atender seus anseios, em processos envolvendo litígios rurais na região do oeste da Bahia e outras localidades.

Júlio César afirmou que chegou a receber uma oferta de Adailton Maturino de R$ 10 milhões para o juiz Sérgio Humberto cumprir o acertado entre os desembargadores para garantir a posse das terras.

Segundo a delação do advogado, apesar da Bom Jesus Agropecuária já ter tido seu direito as terras reconhecido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), decidiu se associar ao advogado, agora delator, para se opor ao grupo de Adailton Maturino, que pretendia transformar o borracheiro José Valter Dias “em um dos maiores latifundiários do Brasil”. 

O mais incrível da história é que, mesmo depois da eclosão da Operação Faroeste, com a prisão de vários magistrados, empresários e advogados, a desembargadora Sandra Inês ainda vendeu uma sentença, validada em sessão plenária do TJ-BA, no dia 21 de janeiro deste ano.

Com a delação do advogado já acertada, a Polícia Federal e o MPF conseguiram monitorar toda a fraude.