O que está acontecendo com o Partido .38 de Bolsonaro? Virou um traque?

Ao que parece, existe mesmo uma conspiração de forças vermelhas contra o “nosso muy amado e leal Soberano do Brasil”.

Ao contrário do que se pensava, os seus 57 milhões de eleitores em 2018 não aderiram bovinamente ao partido que pretende fundar.

O Aliança pelo Brasil, partido que está em formação desde novembro de 2019, segue longe de cumprir uma das principais exigências estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para se legitimar: a confirmação das assinaturas de eleitores.

Segundo informações do jornal Correio Braziliense, o partido que o presidente Jair Bolsonaro deseja fundar conseguiu 15.762 assinaturas consideradas válidas das 492 mil necessárias para que a sigla funcione como agremiação partidária.

Ou seja, obteve o equivalente a 3,2% do total necessário.

Uma análise elaborada pela Seção de Gerenciamento de Dados Partidários do Tribunal mostra que 25.386 assinaturas foram rejeitadas, e por 26 razões diferentes, passando de eleitores inexistentes ao uso de documentos de pessoas que já faleceram.

O que está acontecendo não seria fruto dos casuísmos e inverdades de sempre, como “a mamadeira de piroca”, o “kit gay”, a facada sem cicatriz e agora “a esquerda que defende a pedofilia”?

A conspirata emudeceu os fiéis seguidores de Bolsonaro? Será que colocaram alguma coisa na água potável?

Poderia ser ivermectina, que de nada adianta para a Covid, mas mata com eficiência os vermes? Será que mataram os oxiúros, aqueles vermes que dão coceirinha na bunda?

Temos que estudar isso com urgência: os militares estão cansando de procuradores, sejam um capitão aposentado por incapacidade ou generais de pantufas de pelúcia. Cada dia, o general Mourão sobe um degrau mais alto no palanque eleitoral. Isso é notório.

A permanência de Bolsonaro no poder depende agora só do Centrão. Mas os canalhas do Centrão não costumam dormir ao lado de cadáveres políticos.

Pelo contrário: vendem-se para presidentes agonizantes, mas sempre ajudam a enterrá-lo.

De onde surgiu essa raça de lobos ferozes no País do samba, do futebol e da gentileza?

Nesta quinta-feira (21),  durante convenção de lançamento do partido Aliança pelo Brasil, um simpatizante presenteou o presidente Jair Bolsonaro com um painel feito com mais de 4 mil cartuchos de balas.

O futuro partido do presidente, que tem entre seus princípios temas como a defesa de Deus, da família, do porte de armas e do livre mercado, será presidido por ele mesmo e terá o filho senador, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), como vice-presidente e o filho caçula, Jair Renan, 21 anos, ainda sem mandato, como um dos conselheiros.

O logotipo feito com projéteis de armas esteve em exposição em uma das entradas do local onde a convenção aconteceu. Segundo informações do Uol, a peça foi encomendada pelo deputado estadual Delegado Péricles (PSL-AM) a Rodrigo Camacho, que utilizou na construção do painel cartuchos doados pelo Exército após treinamentos internos da corporação.

Após uma foto do presente recebido por Bolsonaro repercutir no Twitter, a viúva da vereadora Marielle Franco (PSol), Monica Benicio, lembrou a morte a tiros da companheira e do motorista Anderson Gomes: “Balas como essas mataram Marielle e Anderson”.

Puro cabotinismo! Bolsonaro incentiva seus seguidores à violência para manter o link político com o qual foi eleito: racismo, morte a marginais de qualquer grau de periculosidade, misoginia, violência contra a mulher e fundamentalismo religioso. Ele apenas fala o que os minions querem ouvir.

De onde surgiu essa raça de lobos no seio da nossa pátria de homens gentis e mulheres lutadoras de nosso Brasil de antanho, parodiando o escritor russo Soljenitsin ao lamentar os horrores do estalinismo?

Se era para eleger tal nulidade, poderíamos ter eleito Plínio Salgado, do Integralismo, ou Plínio Correa de Oliveira, da TFP – Tradição, Família e Propriedade. Ou ainda, talvez, restabelecer a Monarquia, com o sorumbático (eu disse sorumbático!) princípe D’Órleans e Bragança.

Bolsonaro está folheando o livro da história brasileira de trás para a frente e sublinhando com marcador de texto, verde-amarelo, as páginas mais negras.