Golpista arrependido diz que impeachment de Dilma foi farsa.

Um dos defensores do afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016, o ex-senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) agora considera que houve uma “manipulação política do impeachment” pela força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e pelo ex-juiz Sergio Moro, atual ministro do governo Jair Bolsonaro (PSL).

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o tucano disse que isso ficou provado após a divulgação de mensagens trocadas entre procuradores da operação, obtidas pelo site The Intercept Brasil por meio de fonte anônima e também analisadas por outros veículos, entre eles a Folha.

“Eles manipularam o impeachment, venderam peixe podre para o Supremo Tribunal Federal. Isso é muito grave”, afirma Aloysio.

Em outro trecho da entrevista, o ex-senador diz que a divulgação de telefonema entre a então presidente Dilma e o ex-presidente Lula em 2016 impediu o governo petista de recompor sua base e barrar o impeachment. À época, o vazamento resultou em decisão do Supremo Tribunal Federal que barrou a posse de Lula como chefe da Casa Civil do governo.

No ano seguinte à queda de Dilma do Planalto, Aloysio Nunes se tornou ministro das Relações Exteriores do governo Michel Temer (MDB). Neste ano, passou a chefiar a Investe SP (agência de fomento de São Paulo) no governo João Doria (PSDB), mas deixou o cargo em fevereiro, após ser alvo de busca e apreensão na 60ª fase da Lava Jato, a Ad Infinitum. ​

Pedido de propina

No último mês, também foi revelado que o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro relatou, em sua proposta de acordo de delação, que Aloysio teria pedido propina a campanhas do PSDB em troca da liberação de recursos de obras em São Paulo.

Questionado pela Folha, Aloysio diz que o relato de Pinheiro é absurdo e cita apenas informações que não podem ser sujeitas à comprovação.

Já sobre a Lava Jato diz que após as revelações das mensagens de procuradores ficou “profundamente chocado com o que aconteceu”.

Instado a avaliar a atuação da Lava Jato até aqui, ele diz:

“Acho que os diálogos divulgados pelo Intercept e por vários veículos, entre os quais a Folha, carimbam muitos desses procedimentos de absoluta ilegitimidade. Não é possível, em um processo judicial, em um país civilizado, um juiz e os procuradores se comportarem da forma como se comportaram. Processo judicial exige um juiz independente, imparcial, que dê iguais oportunidades tanto à defesa quanto ao Estado provarem seus argumentos”.

Um velho muito safadinho pode ir parar na cadeia

Paulo Preto, Aloysio e Dória, cartas do mesmo naipe e do mesmo surrado baralho.

Lembram daquela frase de Aloysio Nunes, o senador tucano, golpista:

“Não quero o impeachment, quero ver a Dilma sangrar”

Pois bem: o indigitado foi flagrado na Operação que prendeu Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, o caixa dos desvios de Serra, no dia de ontem, com um singelo cartão internacional de débito e crédito.

Também se locupletava da continha de mais de R$130 milhões que Paulo Preto abriu na Suíça, através de uma série de mudanças de endereços em paraísos fiscais.

Artífice do golpe contra Dilma, Aloysio foi chanceler do Governo Temer e forte articulador da entrega da indústria de petróleo brasileira às petroleiras estrangeiras.

Ontem mesmo pediu demissão de seu cargo na InvesteSP, portal de investimentos do Estado de São Paulo, onde reina João Dória Jr.

Aloysio, um velho de 73 anos deveria ter mais vergonha na cara, deixar de roubar e conspirar e ir para casa gozar a boa vida com os netos.

Senador Aloysio Nunes a blogueiro: “Vai a PQP, vagabundo!”

senador

O blogueiro Rodrigo Grassi foi detido ontem pela Polícia do Senado depois de entrevistar o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP); conhecido como “Rodrigo Pilha”, Grassi fez perguntas sobre o cartel dos trens e o suposto envolvimento de Aloysio com o caso Alstom-Siemens, provocando uma reação violenta do parlamentar; “Vai para a puta que te pariu”, disse o senador, que tentou também impedir o registro das imagens; Pilha é o mesmo que, recentemente, vaiou Joaquim Barbosa na saída de um restaurante em Brasília.

A blogueirada vermelha não é fácil! No entanto, políticos precisam ter sangue frio e manter a compostura. O Senador adora atirar uma pedra no telhado alheio, mas quando é no seu, a história é outra.