A primavera silenciosa. Estamos caminhando para a construção de um deserto?

mapa deserto

Recebemos um email de um leitor, reiterando a oportunidade das manifestações do povo de Correntina sobre o desmatamento e o uso da água de veredas e do lençol freático profundo. O que mais chama a atenção no email do leitor é um mapa de 1973, portanto com 42 anos, quando a ocupação do Oeste era rarefeita, sobre os terrenos do Oeste suscetíveis de desertificação, onde se destacam as regiões de Jaborandi, Cocos, Santa Maria da Vitória e Correntina – bacia do rio Corrente – e de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e Formosa do Rio Preto, bacia do rio Grande.

É difícil de entender que solos frágeis, por vezes com 10% de argila, francamente arenosos, tenham sido desmatados sem a manutenção de reservas previstas em lei e os decantados corredores ecológicos. Em algumas fazendas nem as APPs( áreas de preservação permanente ao longo das veredas) foi preservada. Hoje entendemos porque nossas primaveras são silenciosas, sem canto dos pássaros e, por via de consequência, sem os predadores naturais para o cultivo das lavouras. Veja a carta do leitor abaixo:

“Caro Diretor do jornal O EXPRESSO,

Sou natural de Santana (antiga Santana dos Brejos) e atualmente estou morando em Salvador. Desde 1986 que realizo pesquisas das cavernas da Bacia do Rio Corrente, com ênfase no Complexo Gruta do Padre que abrange parte de Canápolis, Santana e Santa Maria da Vitoria.

Quando eu trabalhava no antigo CRA (atual INEMA) escrevi alguns relatórios técnicos sobre a região do Rio Corrente, que atualmente é o maior contribuinte do Rio São Francisco.

Recebi por e-mail o seu jornal sobre a Mobilização da Comunidade de Correntina e  lhe dou parabéns pela iniciativa da matéria.

É preciso acrescentar algumas informações técnicos para o Povo de Corrente:

1 – A Constituição Estadual da Bahia 1989, diz que todos os rios da margem do Rio São Francisco do oeste baiano é Patrimônio do Estado.

O Governo do Estado da Bahia faz de conta que não sabe disto e a SEMA e INEMA, vão dando licenças ambientais absurdas infringindo a nossa Constituição.

2 – Mapa de Vulnerabilidade à desertificação na Bahia.

Neste mapa é visto que quase todas margens da veredas são suscetíveis a desertificação.  O Governo do Estado da Bahia sabe disto também e faz de conta que os moradores da nossa região somos bestas.

Isto tudo é Patrimônio da Bahia. Entendo que toda esta área deveria ser uma Unidade de Conservação. Abraços, Aloísio Cardoso.

MEC resiste à criação do campus da UFOBA na região do rio Corrente.

Na foto da esquerda para direita: Prudente de Moraes, Valmira Queiroz (Coordenadora Frente Territorial), Harnoldo Teixeira (Coordenador Frente Popular), Maguila (Prefeito de Correntina), Oziel Oliveira (Dep. Federal PDT/BA), Marcão (Prefeito de Santana), Amaro Pessoa (Secretário de Educação Superior do MEC), José Rocha (Dep. Federal PR/BA), Daniel Almeida, (Dep. Federal PCdoB/BA), Erivelton Santana (Dep. Federal PSC/BA), Amário Santana (Prefeito de Stª Mª da Vitória), Robson Vieira e Maurizan Cruz.

O Movimento em Prol da implantação do Campus da Universidade Federal do Oeste da Bahia no Território da Bacia do Rio Corrente esteve nesta terça-feira (22/maio) em Audiência com o Secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Amaro Henrique Pessoa Lins para tratar sobre a criação da UFOBA.

No encontro, ficou claro que o Ministério da Educação reconhece que foi uma injustiça deixar a Bacia do Corrente sem a implantação de um campus da futura Universidade. De acordo com a Diretoria de Desenvolvimento da Rede de Instituições Federais de Ensino Superior, Adriana Rigon Weska não há mais o que se discutir sobre a necessidade dos 11 municípios que compõem o Território da Bacia do Rio Corrente de receberem um campus da UFOBA. O MEC já tem os estudos técnicos que credenciam a Bacia em condição de receber um campus da UFOBA.

No entanto mesmo informando que a região deveria ter sido incluída para receber um campus da UFOBA desde a apresentação do Projeto de Lei 2204/2011, o MEC informou que a inclusão do campus em Santa Maria da Vitória – BA, por meio das três emendas apresentadas pelos deputados Daniel Almeida (PCdoB/BA), José Rocha (PR/BA) e Oziel Oliveira (PDT/BA), compromete o cronograma de criação da Universidade.

A proposta apresentada pelo MEC foi para que os deputados retirassem as Emendas, segundo o próprio MEC. Com isso o projeto seria aprovado rapidamente no Congresso, e que logo após a criação da Universidade, o campus de Santa Maria da Vitória seria criado pela própria reitoria da UFOBA. No entanto, isso só iria ocorrer depois da instalação da Universidade, que está prevista para final de 2013. O MEC não apresentou, entretanto, nenhuma garantia da realização dessa alternativa. Continue Lendo “MEC resiste à criação do campus da UFOBA na região do rio Corrente.”

Bom Jesus da Lapa recebe Seagri Itinerante

Com o objetivo de se aproximar ainda mais do agricultor familiar, a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) reúne pequenos produtores rurais de 24 municípios, do Território da Cidadania do Velho Chico e Bacia do Rio Corrente, nos dias 6 e 7 de dezembro.

A meta é levantar demandas e buscar soluções conjuntas para a agricultura familiar na região. O encontro acontece às 9h, na localidade do Projeto de Irrigação Formoso, em Bom Jesus da Lapa.

“Esse é um momento muito importante para a EBDA. Com a Seagri Itinerante conseguimos difundir e debater os problemas e desafios das cadeias produtivas de cada região do Estado. É um momento diferenciado”, disse o presidente da EBDA, Elionaldo de Faro Teles.

Durante o evento, serão discutidos os problemas e as possibilidades de soluções para diversas cadeias produtivas. As demandas diagnosticadas durante o evento serão prioridade da Secretaria e darão maior embasamento para a elaboração de políticas públicas voltadas para o setor agropecuário.

Além da EBDA, o projeto reúne, num mesmo local, a Bahia Pesca, a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) e a Coordenação de Desenvolvimento Agrário (CDA).