Senado: Comissão de Direitos Humanos pode votar Estatuto do Cigano

Pode ser votado na próxima semana pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) o projeto que cria o Estatuto do Cigano. O texto, do senador Paulo Paim (PT-RS), traz definições sobre o povo cigano e garante direitos aos indivíduos dessa população, que no Brasil é estimada em 500 mil pessoas. O relatório do senador Hélio José (Pros-DF) foi lido na terça-feira (7).

— Precisamos estender aos povos ciganos o manto da proteção e respeito que a doutrina contemporânea dos direitos humanos garante a todas as minorias étnicas, de modo a combater sua marginalização e concretizar o direito democrático de grupos específicos de ter a sua diferença legitimamente incluída na pluralidade democrática reconhecida no nosso ordenamento institucional — diz Hélio José.

Informações divulgadas pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) apontam a existência, no Brasil, de pelo menos três etnias ciganas: Calon, Rom e Sinti. Levantamento feito em 2011 mostrou que os acampamentos ciganos encontravam-se em 291 municípios situados em 21 unidades da Federação. Estima-se que, naquele ano, a população cigana brasileira chegava a meio milhão de pessoas.

Por conta dessa defasagem nos dados, um dos pontos reivindicados pelos ciganos e incluídos no projeto é justamente a obrigação de recolhimento periódico de dados demográficos sobre sua população para subsidiar a elaboração de políticas públicas.

Garantias

O projeto busca garantir aos povos ciganos a inclusão social, política e econômica, além da defesa dos direitos individuais e coletivos; e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica. De acordo com o texto, é dever do Estado e da sociedade promover a inclusão dos ciganos, defendendo sua dignidade, sua liberdade de crença e de consciência e sua cultura.

A proposição garante oportunidades nos diversos setores da vida social, no acesso a saúde, terra e trabalho, e nas políticas de promoção da igualdade social. Incentiva a educação básica dos ciganos, sem distinção de gênero. Também prevê a criação de espaços para a disseminação da cultura desta população.

Outra inovação é a caracterização das línguas ciganas como bem cultural de natureza imaterial e o reconhecimento de contribuição dos ciganos como povo formador da história do Brasil. Também está prevista a garantia do atendimento de saúde mesmo ao cigano que não for civilmente identificado.

Na área trabalhista, o governo deverá adotar ações para vedar a discriminação no emprego e na profissão. O texto também prevê oficinas de profissionalização e incentivo a empresas e organizações privadas para que contratem ciganos recém-formados.

Além disso, há a previsão de incentivo ao crédito e acesso à moradia, respeitando-se as particularidades culturais da etnia. Os ranchos e acampamentos são partes da cultura e tradição da população cigana, configurando-se asilo inviolável, diz o projeto.

Alterações

O texto já tinha sido analisado pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) e pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), onde sofreu alterações. Na CDH, o relator sugeriu novas mudanças, que ainda precisam ser votadas. Grande parte delas para melhorar a redação e atualizar alguns termos presentes no texto.

A expressão “população cigana” foi substituída por “povos ciganos”, considerada mais condizente com a realidade sociocultural desses grupos étnicos. “Um povo é um grupo de pessoas com identidade histórica e cultural própria, ao passo que população é apenas um conjunto de pessoas”, explicou. Outra substituição feita foi a de “igualdade de oportunidades” por “inclusão”, termo considerado mais atual pelo relator.

Já a expressão “valores religiosos” foi substituída por “liberdade de crença e de consciência”. Outro ajuste de redação sugerido é a substituição de “pequena e média produção, nos meios rural e urbano”, por “pequena e média empresa e para a agricultura familiar e o cooperativismo” na parte do texto que prevê o incentivo e a orientação do poder público sobre o acesso ao crédito para o povo cigano.

Hélio José também sugere suprimir a parte do texto que assegura à criança e ao adolescente ciganos o direito de transferência de matrícula quando forem filhos de artistas profissionais itinerantes. De acordo com o relator, esse direito já é garantido por lei a qualquer criança ou adolescente.

Mudanças acatadas

Além das emendas da CDH, o relator sugere, ainda, que sejam mantidas alterações feitas nas outras comissões, como a determinação da identidade cigana. O texto original previa que seriam considerados ciganos os que se autodeclarassem assim. Uma mudança aprovada pela CE e pela CAS reformulou essa definição e incluiu como critério para a identificação do cigano o reconhecimento da comunidade.

Outra alteração já aprovada anteriormente e mantida pelo relator foi a supressão do artigo que tornava obrigatório o estudo da história geral da população cigana no ensino fundamental e no ensino médio. O entendimento foi de que a implantação de inovações curriculares não deve ser feita por meio de alterações da legislação ordinária, mas pelas áreas técnicas do governo federal.

Também foram mantidas no relatório a inclusão de um capítulo específico para o desporto e o lazer, as alterações nas ações de saúde voltadas especificamente para os ciganos e a previsão de atendimento de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS) ao cigano que não for civilmente identificado. O texto original não especificava o tipo de atendimento. Da Agência Senado

 

 

 

Ibotirama: cigano é assassinado a tiros em casa

Na madrugada deste domingo(26), o cidadão brasileiro de origem cigana,  Orlando de Castro Dourado, foi morto a tiros na cidade de Ibotirama

Segundo informações da 24ª COORPIN,  a vítima estava deitada na parte externa de sua residência, quando 3 ou 4 homens armados pularam o muro, e se identificaram como policiais. A vítima levantou e correu para o interior da residência, onde foi atingido por disparos de arma de fogo, morrendo no local.

Afirmam que Orlando  respondia inquérito e processos pela autoria de homicídio.  E que as informações apontam que a vítima foi seguida por um veículo durante o dia.

A Polícia Civil investiga os fatos e nenhuma hipótese oficial ainda foi divulgada.

Fonte: 24ª COORPIN, com edição do Notícias de Bom Jesus da Lapa e de O Expresso.

Barra: Guerra entre ciganos? Ou vingança pela violência da semana passada?

Pedrinho, no momento em que foi baleado.
Pedrinho, no momento em que foi baleado.

A batalha entra os cidadãos de origem cigana continua a pleno. Hoje, em Barra, um cigano conhecido como Pedrinho da Hilux foi baleado pelas costas e está no Hospital da cidade, entre a vida e a morte.

Segundo testemunhas, um rapaz chegou a pé em um bar próximo a rodoviária de Barra e descarregou um revólver na direção de Pedrinho.

A seguir, saiu correndo e subiu em uma moto que o aguardava nas proximidades. A recepção do Hospital está cheia de ciganos. Na semana passada, dois ciganos atiraram em um rapaz. Todos acreditam que o episódio de hoje possa ser uma vingança pelo ocorrido.

Brasil tenta conhecer seus ciganos, principalmente no Nordeste.

A real situação dos ciganos no Brasil é pouco conhecida do governo, mas há relatos de discriminação e violência, principalmente na região Nordeste, feitos por representantes dessa comunidade no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, vinculado à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). As lideranças estimam que haja hoje no Brasil cerca de 800 mil ciganos, mas a consultoria da Seppir confirma só 250 mil. Leia mais sobre este assunto em O Globo. E veja também como a França está tratando os seus ciganos.

Ciganos armam confusão no ônibus e são presos por porte de arma

Armas de fogo e facas foram apreendidas durante
revista em ônibus (Foto: Adelmo Costa/ Voz da Bahia)

Cerca de 15 membros de um grupo cigano passaram a noite de Natal acampados ao lado da delegacia de Alagoinhas, a 108 km de Salvador, à espera da libertação dos familiares – oito homens e duas mulheres –presos por porte ilegal de armas na sexta-feira (23). Eles estão no local desde a ocasião da prisão.

A delegada plantonista Quitéria Maria Neta informa, na manhã deste domingo (25), que eles não manifestam nenhuma reação, apenas aguardam o desenrolar dos fatos. “Amanhã à tarde [segunda-feira] o delegado deve arbitrar a fiança, já que porte ilegal de armas é afiançável”, comenta.

Os ciganos detidos em flagrante já passaram pelo procedimento de interrogatório, mas, segundo a delegada, disseram que o material apreendido não pertence ao grupo.  Eles foram detidos em um posto de combustível da BR-101 em um ônibus de turismo durante viagem de São Paulo a Sergipe.

Dez armas de fogo municiadas – sendo nove revólveres e uma pistola – e cerca de 13 facas foram apreendidas na ocasião.  “Todos têm laços, são da mesma família. Foi uma confusão que aconteceu no ônibus, o cigano ameaçou o motorista e ele acionou a polícia, que iniciou o revista no veículo”, explica a delegada. Do G1.