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Pesquisa indica que custo da cesta básica caiu em 11 de 21 cidades
Sabe o que significa isso: redução de consumo. O povão está comendo menos e com a redução da demanda vem a redução dos preços. Tal não seria se não fosse o exemplo dos aumentos da gasolina: em Luís Eduardo Magalhães ainda tem posto vendendo o combustível por R$3,78, apenas 20 centavos mais caro de quando começou essa sucessão de aumentos. É claro que o consumo caiu muito.
O valor dos itens essenciais na mesa dos brasileiros diminuiu no último mês de outubro, em 11 das 21 cidades onde o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) faz, mensalmente, a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos. Comparada ao mês anterior, a pesquisa mostra um avanço inflacionário, já que na apuração passada, o preço da cesta básica tinha diminuído em 20 localidades.
As principais quedas ocorreram em Goiânia (2,79%), Maceió (2,52%) e Manaus (1,77%). Foram constatados avanços em 10 localidades com destaque para Campo Grande (2,67%), Curitiba (3,08%) e Cuiabá (3,49%).
A cesta mais cara foi registrada em Porto Alegre (R$ 446,87), seguida por São Paulo (R$ 428,13) e Rio de Janeiro (R$ 421,05). Em sentido oposto, os valores mais baixos foram encontrados em Salvador (R$ 318,31), Natal (R$ 325,09) e Recife (R$ 325,96).
Nos últimos 12 meses, todas as cidades tiveram queda e as principais reduções ocorreram em Cuiabá (16,10%) e Porto Alegre (6,53%). No acumulado de janeiro a outubro, os valores também caíram em todas as cidades pesquisadas e as maiores quedas foram em Manaus (11,62%), Maceió (11,57%), Cuiabá (10,91%), Belém (10,64%) e Salvador (10,37%).
O valor do salário mínimo ideal para que o trabalhador possa custear as suas despesas básicas e de sua família (composta de quatro pessoas) foi calculado em R$ 3.754,16, ou 4,01 vezes o mínimo de R$ 937 vigente. Essa quantia ficou ligeiramente acima da estimada, em setembro (R$ 3.668,55, ou 3,92 vezes o mínimo vigente), mas com um valor abaixo do indicado no mesmo mês de 2016 (R$ 4.016, 27 ou 4,56 vezes o salário mínimo daquele período que era de R$ 880).
Entre os produtos em queda nesse período estão o leite integral, feijão, açúcar e arroz. Na lista dos que tiveram alta nas regiões Centro e Sul destacam-se a carne bovina de primeira e a batata.
Pobre dá adeus ao churrasquinho de final de semana.

Com o boi magro (30 meses) valendo R$1.630,00 (em São Paulo) e arroba rondando os R$140,00, o mercado do País está todo travado. Quem tem o boi gordo, quer garantia de repor o estoque, mas o boi magro sumiu. Quem tem matrizes segura o abate do descarte, na esperança de novos bezerros ( hoje o preço do garrote de ano está em R$1.220,00 em SP).
Os frigoríficos sofrem para repassar ao supermercado, ao menos empatando, as crescentes altas do boi. E o consumidor, é óbvio, se retrai, olhando com mais carinho os balcões do frango e do porco.
O churrasquinho de final de semana está adiado para a maioria dos consumidores da base da pirâmide.
No Extra, em São Paulo, o contrafilé já é vendido a R$26,70; o filé mignon de 1,5 kg a R$57,33; a fraldinha, a R$24,20; e o músculo resfriado, a típica carne de panela do pobre, a R$21,10.
Ainda bem que estamos no Nordeste: a carne é mais fraca, mas o preço é bem mais em conta.
Seremos os maiores consumidores de café do mundo, em 2012.
“Neste ritmo, seremos, em 2012, os maiores consumidores do mundo. Seremos, portanto, os maiores produtores, exportadores e consumidores. A procura está tão grande também lá fora, que exportamos, nos últimos 12 meses, 33,7 milhões de sacas, reduzindo o estoque interno a níveis de risco”.
Palavras de João Lopes Araújo, presidente da Associação de Produtores de Café da Bahia, ontem, na abertura do 12º Simpósio.
De acordo com o presidente da Assocafé, a competitividade do produtor brasileiro chegou ao limite, e a produção não cresceu para atender o aumento de consumo per capta no país, que bate o recorde dos últimos 45 anos, com 4,81 kg/pessoa ao ano, o maior desde 1965.
A situação já era prevista, segundo Araújo, porque a competitividade brasileira era aparente, mas não compensava o produtor. “Conseguíamos vender, com preço cada vez menor, mas, por falta de renda, não pagávamos nossos financiamentos, nem dávamos os tratos culturais adequados às lavouras”, relembrou.
Os preços compensadores registrados atualmente, de cerca de U$300 a saca, contra U$50 registrados nos piores momentos, não foram aproveitados por grande parte dos produtores. “Muitos, quando o preço alcançou o nível atual, já não tinham o que vender. O preço só subiu por falta de café no mercado e foi além do esperado”, disse.

