Por Antônio Oliveira, da revista Cerrado Rural
“A Associação não emitirá nenhuma nota para a imprensa a respeito das desfiliações, principalmente por ferir seu estatuto que rege que assuntos internos da Aiba, como este, devem ser tratados apenas com seus associados. Desde já agradeço a compreensão”
Esta foi, até agora, a posição da atual diretoria da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), sobre as denúncias de irregularidades em suas contas, feitas por dois dos seus mais expressivos sócios, Sérgio Pitt, seu ex-diretor durante vários mandatos, e Walter Horita, ex-presidente por dois mandatos. Ambos fizeram as denúncias, gravíssimas, e se retiraram da instituição.
Ao que parece, tanto Pitt quanto Horita e demais insatisfeitos com a situação acataram e compreenderam a posição do atual presidente Júlio Busato, que pode ser assim entendida pela sociedade e imprensa de todo o oeste, da Bahia e do Brasil:
– Não vamos ferir os nossos estatutos, que resolvemos tudo entre nós. Não devemos satisfação à imprensa e muito menos a sociedade, mesmo sendo nós, dirigentes, sócios de uma instituição que representa mais de 1.200 produtores rurais, empresários e pesquisadores e, alvo das atenções públicas, pelos nossos relevantes serviços prestados a esta região, também alvo das atenções de investidores nacionais e internacionais.
Aqui da nossa redação em Palmas, enviamos e-mail para um dos sócios insatisfeitos com a situação, pedindo-lhe informações do desenrolar da situação, garantindo-lhe, como a lei de imprensa nos garante, o sigilo da fonte.
Somos imprensa e como tal, temos o direito de saber e informar o desenrolar de fatos.
Silêncio, total.
Eles entendem que devem obedecer estatuto e resolver o caso entre eles, mas não compreendem que a diferença para mais, ou para menos, nas contas da instituição é um escândalo – são milhões de reais – e que a sociedade que tanto admira, ou admirava, a instituição tem o direito de saber o que está acontecendo, isto porque trata-se de homens tidos como éticos.
Errar é um humano. Nem sempre a diferença negativa em caixa significa desvio. E é isto que deve ser esclarecido, se foi erro e se um ou outro agiu de má fé, arranhando a imagem da instituição.
Fica aqui uma pergunta para o senhor Júlio Busato:
– Se as contas da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária) – e, proporcionalmente, a Aiba é uma CNA do oeste da Bahia – tivesse rombos em suas prestações de conta, a instituição poderia se reservar ao direito de não prestar esclarecimentos à sociedade?
É o poderio econômico, a arrogância e a falta de respeito para com a opinião pública de alguns, que saíram e/ou que permanecem, vencendo o direito de informar e ser informado.
