Caso Master: Toffoli retira sigilo e investigação avança sobre “amigos de todos os Poderes” de Daniel Vorcaro

“Não consigo nominar aqui individualmente quem frequentava a minha casa”, disse Daniel Vorcaro, do Banco Master, em depoimento ao ser indagado sobre a rede de relações com políticos e autoridades.

Por Plinio Teodoro, no portal Forum

Em meio à pressão da mídia liberal e de setores da Faria Lima, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta quinta-feira (29) o sigilo dos depoimentos, incluindo vídeos, de Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e de Ailton de Aquino, diretor do Banco Central. O ministro também deu acesso à acareação entre o banqueiro e o executivo do banco estatal, incluindo vídeos em que os dois divergem.

O levantamento do sigilo acontece em meio ao aprofundamento das investigações da Polícia Federal (PF), que avança sobre lideranças políticas e autoridades que fazem parte do ecossistema criado por Vorcaro para exercer pressão contra a liquidação do Banco Master, concretizada em 18 de novembro de 2025, um dia depois da prisão do banqueiro pela operação Compliance Zero.

Em depoimento à delegada Janaína Palazzo, que conduz o inquérito da Operação Compliance Zero, Vorcaro admitiu ter “alguns amigos de todos os Poderes”, mas citou nominalmente apenas o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) e ressaltou que as relações com políticos e autoridades não teriam relação com a investigação.

“Eu queria só dizer o seguinte, se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso e não estava com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo. Então, acho que, primeiro, vale a pena considerar isso”, disse no depoimento feito em 30 de dezembro ao ser indagado sobre o tema.

A delegada então perguntou quantas vezes ele havia se reunido com o governador do DF entre janeiro de 2024 e novembro de 2025. Vorcaro, no entanto, fugiu de detalhes sobre os encontros.

“[Ibaneis] já foi à minha casa, se não me engano, uma vez. Eu já fui à casa dele, e a gente se encontrou poucas vezes”, respondeu.

Indagado sobre “quais os outros políticos, deputados, senadores, que o senhor costumava convidar para ir até a sua casa”, Vorcaro confirmou a rede de influência, mas saiu pela tangente, sem revelar nomes e ironizando a policial.

“Pergunta se eu tenho alguns amigos de todos os Poderes. Não consigo nominar aqui individualmente quem frequentava a minha casa. Também não vejo qual relação com o caso”, respondeu.

“A gente está estudando justamente as suas relações políticas, né? Por isso eu perguntei”, reagiu a delegado. “Sim, estudando as relações políticas, mas não tiveram nada a ver com esse caso específico do BRB”, respondeu o dono do Master.

A delegada, então, foi mais direta e indagou se Vorcaro “conversou com outras autoridades públicas, ministros, parlamentares, secretários de Estado, diretores de órgãos públicos, sobre a aquisição do Banco Master pelo BRB”.

“Além do governador que eu já mencionei e das autoridades do Banco Central, nenhuma”, respondeu, reagindo negativamente sobre interferências políticas na liquidação do banco.

Piada

Mostrando estar à vontade durante o depoimento, Vorcaro fez piada com membros do Ministério Público e da Polícia Federal que acompanhavam a oitiva, pedindo aos investigadores para lhe conceder o “benefício da dúvida”.

“Peço a grandeza aos senhores, com toda pressão de mídia, para tentar olhar e imaginar esse negócio com outro prisma. Até mesmo a doutora, o Ministério Público, o Wilker, que pelo que eu entendi tá desde 2019 tentando me pegar de alguma forma…”, afirmou, aos risos.

Em seguida, ele afirma que “gostaria que existisse o benefício da dúvida na cabeça dos senhores e, se existir, a gente realmente não precisava estar aqui. E realmente não existe ninguém que foi prejudicado”, ignorando o prejuízo que ultrapassa os R$ 40 bilhões aos investidores.

Termina mal a procissão do messiânico guru das notícias fakes.

O momento em que o raio atingia a aglomeração – dizem que de 16 mil fanáticos – promovida pelo controverso deputado Nikolas Ferreira, uma espécie de guru andrógino e ladino, envolvido com a Igreja da Lagoinha, com emendas parlamentares pouco transparentes e com o rei dos estelionatos, Daniel Vorcaro, que causou um prejuízo de mais de 40 bilhões no mercado financeiro.

A aventura de Nikolas resultou em 72 atendimentos, com 28 pacientes levados a hospitais de Brasília, entre os quais 8 em estado grave.

Celas especiais nas prisões de Brasília estão virando artigo de primeira necessidade, tantos políticos estão envolvidos com o golpe de Vorcaro.

Em meio a especulações sobre a mudança de instância que analisará o Caso Master, a Polícia Federal ouve, a partir desta segunda-feira (26/1), investigados na Operação Compliance Zero.

Eles terão papel determinante nas apurações acerca de irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) e no curso do processo.

Somente após as oitivas, será decidida a manutenção do caso no STF ou se as investigações voltam para Justiça Federal, em Brasília, e para a Justiça de São Paulo.

Estão previstos oito depoimentos na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), de forma remota por videoconferência e presencialmente. Devem ser escutados os ex-diretores do BRB e do Banco Master, além de empresários como Augusto Ferreira Lima – ex-sócio de Daniel Vorcaro. 

Eles estão envolvidos dentro do inquérito que investiga crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa. Na lista dos que devem ser escutados nesta segunda estão Dário Oswaldo Garcia Junior (ex-diretor financeiro do BRB) André Felipe de Oliveira Seixas Maia (ex-funcionário do Banco Master), Henrique Souza e Silva Peretto (empresário ligado a empresas envolvidas nas operações investigadas); Alberto Felix de Oliveira – superintendente-executivo de tesouraria do Banco Master.

O Brasil está afundando-se no brejo do crime organizado.

Bacellar

Contemple três cenários diferentes e tire suas próprias conclusões:

Cenário 1 – O ministro do STF, Dias Toffoli pega uma carona no avião do Banco Master para assistir a final da Copa Libertadores em Lima, Peru. Alguns dias depois avoca a si o processo de fraude e prisão de Daniel Vorcaro e determina sigilo absoluto sobre os autos.

Cenário 2 – O ministro do STF, Gilmar Mendes, restringe à Procuradoria Geral da República, através de decisão monocrática, o pedido de impechment de membros da Suprema Corte. O motivo é blindar os ministros sobre iminentes decisões que poderiam levar à prisão mais de meia centenas de parlamentares do Congresso por envolvimento com organizações criminosas.

Cenário 3 – A famigerada Assembleia Legilsativa do Rio de Janeiro, pelo dobro de votos, 42×21 decide pela soltura do presidente Rodrigo Bacellar, claramente envolvido na tentativa de frustrar a prisão do deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, envolvido com o tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.

Em sessão extraordinária, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) decidiu por 42 votos favoráveis a 21 contrários pela soltura do presidente afastado da Casa Rodrigo Bacellar (União Brasil). Houve duas abstenções, dos 65 deputados presentes.

O deputado estadual Rodrigo Bacellar foi preso preventivamente na manhã de quarta-feira (3), durante a Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF), para investigar o vazamento de informações sigilosas sobre a Operação Zargun, que prendeu o deputado estadual TH Joias. TH Joias está preso, desde setembro, acusado de intermediar a compra e venda de armas para o Comando Vermelho.

A ação ocorreu enquanto Bacellar prestava depoimento na sede da Polícia Federal, no Rio de Janeiro, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Bacellar é suspeito de envolvimento no repasse de informações que teriam antecipado detalhes da operação que mirava o deputado estadual TH Joias.

Segundo a PF, o vazamento comprometeu o andamento das investigações que resultaram na prisão de TH Joias. 

PF prende dono do banco Master em tentativa de fuga do País

A Polícia Federal prendeu na segunda-feira (17) Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no aeroporto de Guarulhos. Ele estava tentando fugir do país em um avião particular para Malta.

Ele foi alvo de uma operação que mira a venda de títulos de crédito falsos. Após ser preso, Vorcaro foi levado para a Superintendência da PF em São Paulo. 

Na manhã desta terça, o Banco Central emitiu um comunicado decretando a liquidação extrajudicial do Master e a indisponibilidade dos bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição.

Uma solução para o Master? Entenda o que está em jogo na compra do banco pela Fictor com investidores árabes

O negócio com o grupo Fictor, anunciada ontem, teria a participação de investidores dos Emirados Árabes Unidos e previa um aporte imediato de R$ 3 bilhões para reforçar o caixa do Master, que passa por dificuldades financeiras. A compra ainda precisaria da aprovação do Banco Central do Brasil e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade.

Com a decretação da liquidação extrajudicial, qualquer negociação de compra em andamento é automaticamente interrompida.

Operação da PF

A PF tinha uma operação prevista para esta terça, mas a prisão de Vorcaro foi antecipada diante da possibilidade de fuga dele.

Segundo investigadores, Vorcaro estava no banco na segunda-feira à tarde. Depois que saiu o comunicado da venda, ele pegou um helicóptero e foi para o aeroporto de Guarulhos.

Ele seguiu direto do terminal da aviação executiva pra pegar um avião particular com destino a Malta. Para a PF, não há dúvidas de que ele estava em fuga – não porque soubesse da operação desta terça, mas porque queria estar longe depois que a notícia da venda do Master fosse tornada pública.

No total, a operação Compliance Zero cumpriu sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.

Durante algum tempo o Master tentou vender seu controle acionário para o BRB – Banco Regional de Brasília, com intenso lobby do governador do DF, Ibaneis Rocha. A reação popular e dos meios políticos à aquisição de um banco quebrado evitou o desastre.

Com informações do g1.globo.com