Darcy Ribeiro, do tempo em que políticos eram homens de verdade

Uma frase para ser relembrada todos os dias, de autoria de Darcy Ribeiro  (1922-1997), antropólogo, educador, fundador da escola integral, escritor, político e um dos maiores brasileiros do Século XX:

Fracassei em tudo o que tentei na vida.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.
Tentei salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei.
Mas os fracassos são minhas vitórias.
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.

Darcy Ribeiro, mais atual do que nunca

Darcy Ribeiro, indigenista, educador, Chefe da Casa Civil de Jango Goulart e criador dos CIEPs, no Rio de Janeiro:

“O maior e único problema do Brasil são as suas elites: apátridas, parasitárias, vivem de vender o patrimônio nacional e manter o povo escravizado, ignorante, feito gado.”

Darcy morreu em 17 de fevereiro de 1997. Hoje, quase 21 anos depois suas palavras ressoam fortes. Foi um grande brasileiro.

As profecias de Darcy Ribeiro se cumpriram

Constatação do Intercept Brasil: o número de detentos teve um aumento de 100 mil em menos de dois anos, segundo dados de junho de 2016. Para resolver o problema da superlotação, seria necessário construir praticamente uma penitenciária por dia durante um ano.

A profecia do indigenista, sociólogo e educador Darcy Ribeiro, criador e construtor de 500 CIEPs no Estado do Rio de Janeiro, durante o governo Leonel Brizola, (1983-1987) se realizou com precisão.

Qual governo no País, Estado ou Município fala hoje em escolas de horário integral, como eram os Centros Integrados de Educação Pública?

O Brasil não ouve os seus visionários, os seus pró-homens, e paga amargamente por isso.

As profecias de Eric Nepomuceno estão se cumprindo. 2017, o ano da vergonha.

 

Como os caros leitores podem ver no vídeo, postado em janeiro deste ano, o jornalista Eric Nepomuceno fazia previsões sobre as vergonhas que todos os brasileiros iriam passar este ano. O vexame começa com a viagem do ministro Gilmar Mendes a Portugal, no avião presidencial, em companhia do ilegítimo Michel Temer, que ele julgou inocente nesta semana.

Não sei quanto da população brasileira é capaz de raciocínios lógicos sobre o que acontece no Brasil desde janeiro de 2015, quanto Dilma Rousseff assumiu o seu segundo mandato. O próprio Nepomuceno diz que todas as classes médias de qualquer país são burras e semi-alfabetizadas. Mas a do Brasil o é em especial.

No Brasil isso se agrava com uma classe média obscura, reacionária, interessada num incerto alpinismo social. Os patos do processo. Não estou falando desses escabrosos grupos de mídias sociais, como facebook e whatsapp, onde se prolifera uma classe de pessoas que mal sabe escrever mas não se nega a dar sua opinião sobre os assuntos mais complexos do quadro político nacional, criando hashtags e palavras de ordem como “cadeia já” e “fora isso ou aquilo”.

Que opinião terão esses internautas sobre pessoas como Temer, Aécio Neves da Cunha, Bolsonaro, Gilmar Mendes e sua orquestra de poltrões, Serra, Meirelles, Alexandre Moraes e pastores vendedores de milagres.

Vivemos sob essa lona de horrores, em um circo de feras e palhaços, agravados diariamente por uma classe média orientada por um jornalismo vil e maldoso, a serviço de patrões desconhecidos do grande público.

O Brasil precisa de educação de qualidade, para crianças, jovens, adultos e professores, que consigam, a médio prazo, entender o que acontece no Brasil e atingir a capacidade de um raciocínio. Mas isso já é a insípida e inatingível utopia de uma meia dúzia de brasileiros.

Como dizia Darcy Ribeiro, fundador da UNB, indigenista e criador dos CIEPS – Centros Integrados de Educação Pública:

“Sou um homem de causas. Vivi sempre pregando, lutando, como um cruzado, pelas causas que comovem. Elas são muitas demais: a salvação dos índios, a escolarização das crianças, a reforma agrária, o socialismo em liberdade, a universidade necessária. Na verdade somei mais fracassos que vitórias em minhas lutas, mas isso não importa. Horrível seria ter ficado ao lado dos que nos venceram nessas batalhas.“

Que não desistamos das nossas utopias! Voltando a Darcy Ribeiro:

“Coragem! Mais vale errar, se arrebentando, do que poupar-se para nada.“

Brasil, o País onde não se constroem escolas e nem presídios para substituí-las

presosRelatório do Conselho Nacional de Justiça, divulgado no final do mês de fevereiro, indica uma população carcerária de 654.372 presos no País. Partindo do pressuposto que cada detido sob a tutela do Estado custa R$2.500,00 por mês, o País está gastando R$1,63 bilhão de reais por mês ou a bagatela de 54 milhões de reais por dia. 

Certo estava o educador e político Darcy Ribeiro, quando há 50 anos asseverou:

“Se os governantes não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”

Um dos absurdos que se vê apenas no Brasil e em outros países sub-desenvolvidos é que os estudantes não tenham o direito de estudar o nível médio normal nas escolas e o ensino profissionalizante ao mesmo tempo. 

Está certo também quem diga que muitos desses detidos hoje, a grande maioria por tráfico de drogas e roubo, delinquiriam de qualquer maneira. Mas e a outra grande metade que poderia se salvar das grades seguindo o caminho correto? 

Lula ainda tentou: em 12 anos de governos de Lula e Dilma foram criadas 282 escolas técnicas federais, três vezes mais do que foi construído em quase um século de história do Brasil.

Mas aí chegou o tempo da chantagem, da extorsão, da propina e da corrupção, permeada no Governo do PT desde os tempos do mensalão, basicamente pelos “aliados” liderados pelo PMDB, as ariranhas do dinheiro público.

Darcy Ribeiro, em “O Povo Brasileiro”

darcy-ribeiro-fotoDarcy Ribeiro, o professor, indigenista, antropólogo, pensador e fundador de nação, em “O Povo Brasileiro”:

“Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados. Todos nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa que os supliciou.

A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos.

Descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre servos da malignidade destilada e instalada em nós, tanto pelo sentimento da dor intencionalmente produzida para doer mais, quanto pelo exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças convertidas em pasto de nossa fúria.

A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista” – Darcy Ribeiro, O Povo Brasileiro.

Aleluia pega pesado com o legado de Wagner

Sec José Carlos Aleluia_foto Valter Pontes6“Em sete anos, cinco meses e 24 dias corridos, o governador Jaques Wagner prometeu e não fez o Porto Sul, a Ferrovia de Integração Leste-Oeste (Fiol), a ponte Salvador-Itaparica, os novos aeroportos de Ilhéus e Vitória da Conquista, a duplicação da ponte do Pontal e da estrada Ilhéus-Itabuna, além de tantas outras obras que ficaram na promessa não cumprida”, afirma o presidente estadual do Democratas, José Carlos Aleluia.

Para o líder democrata, só na propaganda enganosa de seu governo, Wagner vai fazer tudo isso nesses últimos seis meses e seis dias dos oito anos de seu fracassado mandato. “O legado do PT na Bahia é o assustador crescimento da violência com o assassinato de 35 mil baianos, mais mortes do que na Guerra do Iraque. É o caos da saúde pública com as pessoas morrendo nas filas dos hospitais, esperando atendimento. É a péssima educação que deixa sem futuro milhões de jovens”.

Políticos adoram uma mise-en-scène, um jogo para a torcida. Aleluia sabe que Porto Sul, Fiol, aeroportos, duplicação da estrada e outras obras citadas são de exclusiva responsabilidade do Governo Federal. Os problemas de Saúde e de Segurança não são exclusividade da Bahia. No entanto, a herança maldita dos anos ACM e do próprio Wagner são efetivamente um problema que o próximo governador terá que administrar. E a aí, efetivamente, a porca torce o seu respectivo rabinho. 

Seria hora, talvez, de Jaques Wagner meditar e confortar-se com a famosa frase do antropólogo, educador e político de escol, Darcy Ribeiro, ao final da sua vida:

“Fracassei em tudo o que tentei na vida.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.
Tentei salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei.
Mas os fracassos são minhas vitórias.
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”

Dona Dilma descobre os CIEPs de Brizola.

Brizola, o resistente: a cada dia os vivos se inspiram mais nos mortos.
Brizola, o resistente: a cada dia os vivos se inspiram mais nos mortos.

Dona Dilma, no blog do Planalto:

“O ensino em tempo integral é amplamente apoiado pelos brasileiros. De acordo com dados da pesquisa nacional do Instituto Datafolha, publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, nove em cada dez brasileiros consideram escola em período integral necessária para a educação das crianças. Segundo Dilma, nenhum país do mundo se transformou numa nação desenvolvida sem que suas crianças e jovens tivessem acesso ao ensino em dois turnos.”

Pois é: antes tarde, do que nunca. Dona Dilma descobre tardiamente a “curva do mar” e coloca o ovo em pé. A roda é redonda, Presidenta, é só perguntar ao espírito do doutor Leonel de Moura Brizola, o Itagiba de Carazinho, e ao seu seguidor, o também ascensado antropólogo Darcy Ribeiro, o que eles pensavam da educação integral. Logo a Senhora, dona Dilma, fundadora do falecido PDT no Rio Grande do Sul? 

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