Especialistas defendem uso de bioinsumos no controle de pragas agrícolas

Especialistas apontaram o atual momento como “histórico” para o avanço do controle biológico de pragas agrícolas no Brasil, mas relataram temor por corte nas verbas para pesquisa.

Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Audiência pública debateu o avanço do controle biológico de pragas

A técnica de bioinsumos – que usa vírus, substâncias de insetos e predadores naturais no combate às pragas – é muito adotada na produção de orgânicos e também reduz a dependência de agrotóxicos na agricultura convencional.

O tema foi debatido nesta quinta-feira (5), em audiência pública conjunta de duas comissões da Câmara dos Deputados (Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural).

Na audiência, a diretora da Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico, Amália Borsari, afirmou que a fase futura da produção agrícola, apelidada de “agricultura 4.0 digital”, será baseada no aumento da oferta de bioinsumos.

“O uso de defensivos em manejo integrado de pragas é a peça-chave para uma agricultura do futuro. Há muito espaço para crescimento do mercado de biológicos tanto no Brasil como no restante do mundo. Entretanto, esse crescimento só será sustentável se a qualidade dos produtos e a regulamentação forem sólidas”, disse Amália Borsari.

Incentivo ao setor
O governo federal elabora um Programa Nacional de Bioinsumos. A coordenadora da área no Ministério da Agricultura, Mariane Vidal, disse que a intenção é ampliar e fortalecer o setor com políticas de crédito e incentivo.

O número de registro de novos produtos biológicos cresceu de apenas 3, em 2011; para 106, no ano passado. Este último número já foi superado nos primeiros oito meses deste ano, quando 107 produtos chegaram ao mercado. Atualmente, 72 empresas atuam no setor.

A pesquisadora Rose Monnerat, que há 30 anos estuda o tema na área de recursos genéticos e biotecnologia da Embrapa, disse que a rica biodiversidade brasileira é um trunfo para o avanço do controle biológico de pragas agrícolas. No entanto, Monnerat alerta que regras claras e investimento em pesquisa são fundamentais.

“Precisamos ter uma legislação específica que favoreça e facilite o registro. Também precisamos de mais pessoas trabalhando junto ao registro de produto no Ministério da Agricultura, porque a equipe é pequena e a demanda é enorme”, disse a pesquisadora.

“Por se tratar de área em expansão, é importante que mais pesquisas sejam realizadas. A gente não conhece quase nada da nossa biodiversidade e podemos estar perdendo alguns inimigos naturais importantíssimos que poderiam estar nos ajudando a controlar pragas”, afirmou.

Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Rose Monnerat: regras claras e investimento em pesquisa são fundamentais para o setor

Menos agrotóxicos
Organizador do debate, o presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP), vê no controle biológico de pragas a solução para diminuir o impacto negativo dos agrotóxicos na saúde humana e na própria produção agrícola.

“Com certeza, dentro dessa agricultura 4.0, o controle biológico vai ganhar muita força. Ao longo do tempo, a gente já vem assistindo a uma tendência do mercado consumidor de querer produtos mais saudáveis, com menos químicos. E a própria agricultura brasileira também precisa encontrar formas de baratear o seu custo, já que hoje a dependência de químicos externos é muito grande dentro da nossa produção”, disse o deputado.

Evolução
O controle biológico de pragas é prática antiga. Desde o século 3, os chineses usam formigas predadoras para controlar pragas. No fim do século 19, besouros se tornaram eficazes no combate a doenças agrícolas no plantio de frutas cítricas.

Hoje, os bioinsumos são classificados em:

  • macrobiológicos, como no caso dos besouros e joaninhas;
  • microbiológicos, como vírus, bactérias e fungos patogênicos;
  • semioquímicos, no caso dos feromônios, que insetos e outros animais usam para demarcar território e atrair parceiros; e
  • bioquímicos, vindos de outras substâncias de origem animal ou vegetal.

Os bioinsumos não têm uso apenas agrícola: o Bacillus thuringiensis, que é uma espécie microbiológica, já se mostrou eficiente no combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e outras doenças.

Reportagem – José Carlos Oliveira, Edição – Pierre Triboli, para a Câmara Federal.

Caminhão com carga valiosa de defensivos é assaltado na localidade de Placas

caminhão

Um caminhão Mercedes Benz 1113, trucado, ano 80, placas IBM 7066, de Ibirubá, RS, de cor azul, carregado de defensivos, foi assaltado hoje pela manhã, por volta de 7 horas, na região de Placas. O caminhão fazia o transporte para a empresa SEMEAR.

Três indivíduos, pilotando um VW Gol de cor grafite, tomaram o caminhão do motorista depois de fazer alguns disparos.

Os defensivos roubados eram das marcas comerciais Crucial, U46 e Vitavax.