Privatização da Eletrobrás vai gerar prejuízo de R$ 400 bilhões.

Até FIESP percebeu a a armadilha em que o Brasil vai se meter

“Com a votação da MP da Eletrobras pautada para esta quarta-feira (16) no Senado, a Fiesp resolveu se posicionar sobre o texto que entrará em discussão. A entidade diz que o custo de capitalização da estatal pode levar prejuízos de R$ 400 bilhões aos brasileiros.

Desse total, cerca de R$ 300 bilhões seriam provenientes de altas na conta de luz, segundo a Fiesp. “É um mercado monopolista. Os brasileiros não podem trocar de companhia em busca de uma melhor oferta”, diz a entidade.

Ainda segundo a projeção da Fiesp, a proposta de contratação das térmicas chamadas de inflexíveis, que geram energia sem parar, pode elevar em R$ 50 bilhões os custos nas tarifas no período de 20 anos.

Na esteira das críticas ao texto da MP dos setores da indústria e energia, a federação argumenta que haverá gastos adicionais de R$ 30 bilhões em duas décadas com reserva de mercado para pequenas centrais hidrelétricas.

A Fiesp também soma em seus cálculos, nesse período, R$ 20 bilhões referentes à renovação de contratos “antigos e caros” de geradoras pelo Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica).”

Reportagem de Mariana Grazini e Andressa Motter, para a Folha de São Paulo

O golpe da privatização de 40% da energia brasileira está em marcha.

“Tudo foi calculado para a venda da Eletrobras”, diz Leonardo Stoppa sobre risco de apagão elétrico.

Para engenheiro elétrico, o problema de energia não é de falta de chuva, mas sim de coordenação para “criar a ideia de que estamos num risco sistêmico, que somos ineficientes e não somos capazes de produzir energia nas nossas empresas públicas.”

Na última sexta-feira (28), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) editou um decreto que regulamenta a realização de leilões para contratar usinas “reservas” de geração de energia.

Segundo o governo, a medida foi adotada para evitar um apagão elétrico, que seria causado por uma crise hídrica no momento no país.

Para o engenheiro e especialista em sistemas elétricos de potência Leonardo Stoppa, “o que estamos vivendo hoje não é um problema de meteorologia e de falta de chuva, é um problema de coordenação”. Stoppa foi entrevistado no programa Fórum Onze e Meia desta segunda-feira (31).

“Estamos repetindo a mesma picaretagem que Fernando Henrique fez anos atrás para criar desespero social, e enfiar dinheiro nos bolsos dos empresários geradores de energia. Não existe risco técnico de apagão, o que acontece é que Bolsonaro jogou água fora para nos levar a um momento em que vamos ter que produzir energia usando combustíveis fósseis, e quem vai pagar o alto preço da energia é o povo”, explica.

Ele questiona por que num momento de recessão econômica, diante da crise sanitária, econômica e social, que o país atravessa, há falta de energia:

“Por que durante todo o período dos governos Lula e Dilma, em que as indústrias estavam produzindo, o povo tinha poder de consumo, estava gastando eletricidade a rodo, a gente não teve risco de apagão? E agora neste momento, em que as indústrias estão fechadas com Bolsonaro, o povo está gastando pouco com medo de passar fome, a gente está com risco de apagão?”

Segundo ele, a resposta é simples: “Desde o início do governo Bolsonaro, foram coordenando medidas para levar a este ponto e traz o risco de apagão no momento em que a Eletrobras vai para a privatização no Senado”.

Pequenos governos, grandes negócios!

Da Revista Fórum, editado

Energia eólica supera expectativa em 2011.

O Brasil encerrou o ano de 2011 com mais de 1.400 MW  ( quase 10% da energia gerada em Itaipu) de capacidade eólica instalada. O volume é superior às previsões iniciais do governo e do setor, de 1.200 MW. O motivo foi a antecipação de usinas negociadas no primeiro leilão da fonte, em 2009, e que deveriam entrar em operação só em 2012.

Este é o caso do complexo de Mangue Seco, em Guamaré (RN) que tem quatro usinas com 104 MW. A Petrobras participa dos quatro projetos em parceria com Alubar, Eletrobras e a Wobben Windpower, que foi responsável pela instalação das plantas.

Outro parque que começou a operar mais cedo foi Cerro Chato (90 MW), da Eletrosul e Wobben Windpower, em Santana do Livramento (RS). A usina foi a primeira contratada em leilão a funcionar no país.

Ao todo, 17 usinas eólicas começaram a gerar em 2011, acrescentando 435,8 MW à matriz elétrica, segundo a Aneel. Desses, 275,8 MW foram resquícios do Proinfa e o restante do leilão exclusivo da fonte. Só no último trimestre entraram em operação cerca de 200 MW.

Segundo a Aneel, o Brasil tem 1.422,92 MW de capacidade eólica instalada, distribuídos por 54 usinas nas regiões Nordeste, Sul e Sudeste. 

Atualmente existem mais de 70 projetos de implantação de energia dos ventos no País.