Pelo direito de entrar muda e sair calada

A ex-chefe de gabinete do governador Marconi Perillo (GO), Eliane Gonçalves Pinheiro, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) um habeas corpus para ter o direito de ficar em silêncio no depoimento marcado para esta terça-feira (5) na CPI que investiga as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira.
No pedido, protocolado na tarde desta segunda-feira (4), a defesa de Eliane também requisita o adiamento do testemunho da ex-servidora até que seus advogados acessem todas as provas do inquérito, incluindo os depoimentos já prestados na CPI.. Ela solicita também aos ministros do STF a garantia de não ser presa por desobediência ou falso testemunho.

Depois de um mês sem nada avançar nas investigações, os integrantes da CPI estão loucos por um espetáculo especial para agradar os participantes desta obra circense.

Liberdade para Dadá

A Justiça Federal decidiu nesta segunda (4) conceder habeas corpus para o sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá. Ele é acusado de ser um dos integrantes da quadrilha liderada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal – que acusa Dadá de participar das atividades de espionagem do grupo. Desta forma, Dadá responderá em liberdade à Justiça Federal em Goiânia, mas continua proibido de manter contato com outros denunciados e de viajar sem autorização judicial. Dadá estava preso no 6º Comando Aéreo Regional (Comar), na Base Aérea de Brasília, desde o dia 29 de fevereiro.

“Bem vindo ao clube Nextel”

O jornal O Globo de hoje relata fato inusitado: a rede de informações e favores do bicheiro Carlinhos Cachoeira chegava bem perto do gabinete do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

Cachoeira usou sua equipe de infiltrados na Polícia Federal para obter informações sobre operações e repassá-las para o chefe de gabinete de Perillo, Eliane Gonçalves Pinheiro. Ela também ganhou de Cachoeira um rádio Nextel que seria à prova de grampo. Cachoeira usava o mesmo esquema para repassar à construtora Delta informações sobre ações da PF.
‘Tava em Brasília? Roubando ou o quê?’
Ao receber um rádio de Cachoeira, o delegado da PF, Deuselino Valadares foi saudado com um “bem-vindo ao clube Nextel” por um sócio do bicheiro. Na conversa, Valadares pergunta: “Tava roubando aí?”