OAB baiana vai pedir reparação à Ford pelo fechamento da fábrica.

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Estado da Bahia (OAB-BA) aprovou o ajuizamento de uma ação civil pública contra a multinacional Ford, para reparar os danos do encerramento das atividades da fábrica na Bahia. A deliberação foi tomada durante a primeira sessão do Conselho Pleno da Seccional em 2021, realizada virtualmente na manhã desta sexta-feira (5).

A decisão será passada para a Procuradoria da OAB, que fará o texto da ação. “A Ford não se preocupou em instruir um planejamento de processo de transição para desmobilizar a planta de Camaçari”, argumenta o parecer da proposta, lido pela conselheira Cinzia Barreto. “A empresa se distanciou das diretrizes dos direitos humanos, com vistas, apenas, nos interesses corporativos e nos lucros”, diz outro trecho do documento.

Segundo Cinzia, mesmo tendo em vista os impactos econômicos da pandemia, a Ford havia se comprometido com o Sindicato de Metalúrgicos a permanecer em funcionamento com 8 mil empregos diretos até o dia 31 de dezembro de 2024. “Seu funcionamento até esta data, então, não era só factível, mas plausível”, explicou.

O presidente da Comissão de Arbitragem, Gabriel Seijo, integrante do grupo de estudos que elaborou o parecer, afirmou que são garantidas a livre iniciativa e liberdade de concorrência à Ford, mas apontou que a desmobilização da fábrica deveria acontecer de forma adequada, “em consonância com o compromisso social da empresa e mitigando os danos causados pelo empreendimento”.

A deliberação pelo ajuizamento da ação levou em consideração, ainda, a legitimidade da OAB de defender a constituição e os direitos sociais. “Estamos cumprindo nossa função, defendendo a sociedade da Bahia. Esse é o nosso papel na condição de entidade líder da sociedade civil”, destacou o presidente da Seccional, Fabrício Castro.

Participaram do grupo de estudos responsável pela proposta a Procuradora-Geral de Prerrogativas da OAB-BA, Mariana Oliveira e os advogados Sílvio Avelino, Sérgio Novaes Dias, Miguel Calmon e Gabriel Seijo.

A Justiça do Trabalho concedeu liminar que suspendendo a demissão coletiva de funcionários da Ford da fábrica de Camaçari, na região metropolitana de Salvador. A empresa anunciou, em janeiro, fechamento de todas as fábricas no Brasil. A liminar, concedida na noite desta sexta (5), proíbe demissões dos trabalhadores até que o acordo entre a empresa e os funcionários seja encerrado. As informações são do G1.

O juiz do trabalho Leonardo de Moura Landulfo Jorge, da 3ª Vara do Trabalho de Camaçari, foi o responsável pela decisão. Ele determina que, durante as negociações e enquanto vigorem os contratos de trabalho, a Ford não poderá suspender o pagamento dos salários e das licenças remuneradas dos trabalhadores.

A Ford estava há 20 anos na Bahia e chegou a produzir 250 mil carros por ano.

 

O castigo sempre vem a galope!

A Ford do Brasil anunciou mais 750 demissões. Quando demite 750 na fábrica, outro tanto é demitido também nas fornecedoras de auto-peças e terceirizadoras, como, transporte de veículos 0KM, fornecedores de alimentação, saúde e segurança.

Quando na campanha presidencial de 2018 o então candidato Fernando Haddad visitou a fábrica para fazer um discurso, fecharam os portões e gritaram: Mito! Mito! Mito!. Agora o mito mandou-os para casa, para se virar na disputa por um emprego entre 13,4 milhões de desempregados.

Se não fossem pais de família, cidadãos trabalhadores e cumpridores dos seus devedores, era para gritar: bem feito!

Veja a nota da empresa:

“A Ford informa que, com o fim da produção do Fiesta em 13 de junho, foi necessário adequar seu o quadro de funcionários e iniciar o processo de desligamento de 750 empregados ociosos. A iniciativa é parte do processo de encerramento das operações de manufatura na fábrica de São Bernardo do Campo (SP) como consequência da estratégia global de deixar de atuar no segmento de caminhões na América do Sul.”

O apoio da Federação das Indústrias de São Paulo, comandada por Paulo Skaf, que colocou nas ruas seu pato amarelo, ao golpe de 2016, foi um tiro no pé dos industriais paulistas.

“O Estado de São Paulo, maior polo industrial do País, registrou o fechamento de 2.325 indústrias de transformação e extrativas nos primeiros cinco meses do ano. O número é o mais alto para o período na última década e 12% maior que o do ano passado, segundo a Junta Comercial”, aponta reportagem do Estado de S. Paulo, deste domingo.

“Entre 2014 e 2018, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro acumulou queda de 4,2%, enquanto o da indústria de transformação em todo o País caiu 14,4%.

“Significa que a produção caiu bastante e obviamente teve impacto nas empresas, com fechamento de fábricas e demissões”, diz o economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados”, aponta ainda o texto.

Nada como um Bolsonaro depois de um Temer.

Olha o Brasil aí gente, descendo a ladeira, como Argentina e Venezuela.

Se a Ford de São Bernardo do Campo de fato parar, como foi anunciado hoje, não são apenas os 3.500 empregos diretos.

Se considerar as empresas de auto-peças, terceirizados, segurança e outros serviços tomados pela multinacional a conta passa de 10 mil.

Contando as famílias, são mais de 35 mil pessoas que serão jogadas no olho da rua num piscar de olhos

Tanto a Ford como a General Motors, que também ameaçou parar, já não estavam inspiradas em investir no Governo Temer.

Os absurdos da campanha de 2018, da transição e do início conturbado deste governo foram os motivos da decisão. Há três anos a venda de veículos caiu para quase a metade e a recuperação ainda não veio.

Com o pacote de maldades que está vindo por aí, o que vai faltar mesmo é consumidor.  Já tem economista prevendo queda de até 3,5% da economia este ano.

Com a decisão da Ford, anunciada no meio da tarde, os funcionários da empresa decidiram, em assembleia geral, entrar em greve.