Folclore político: o caso do vereador que recebeu 50 contos, direto de Deus.

Vereador em Itiruçu, Bahia, estava duro. A seca tinha comido tudo. Sem dinheiro para a feira, foi pedir ao prefeito Pedrinho. Pedrinho brincou:

– Por que você não pede a Jesus Cristo? Ele não é o pai dos pobres?

Voltou para casa, escreveu a Jesus Cristo pedindo 50 contos.

Endereçou: “Para Nosso Senhor Jesus Cristo”. E pôs no Correio.

No correio, abriram a carta, levaram para o bar. Lá fizeram uma vaquinha, apuraram 42 contos, registraram e mandaram para o vereador. Quando ele abriu viu os 42 contos, sentou-se e escreveu nova carta:

“Nosso Senhor, agradeço muito sua atenção. Recebi o dinheiro que lhe pedi. Mas rogo o seguinte: se o senhor for mandar dinheiro novamente, faça o obséquio de mandar em cheque, porque, dos 50 contos, o pessoal do correio meteu a mão em 8.” (Registro de Sebastião Nery em seu Folclore Político).

Salgando o “véio”.

Esta é mais uma do folclore político regional: Pedro Guedes era prefeito de Formosa do Rio Preto e tinha ido a Salvador para resolver problemas de sua comuna. Um brejeirinho, muito pobre, vai à sua casa, e na ausência do Prefeito, é atendido por dona Raulina, mulher durona e de poucas falas. Reproduzimos o diálogo:

– Ô dona, cadê seu Prefeito?

– Ele está em Salvador e volta nos próximos dias.

– Pois a Dona num sabe, meu pobre painho morreu e vim cá atrás de um caixão, mode de enterrar ele.

Responde a primeira-dama:

– Isso é só com o Prefeito e como já lhe disse ele está em Salvador. Quando ele voltar resolve essa situação.

O capiauzinho vai embora desconsolado, mas volta uns 15 minutos depois:

– Sinhá Dona, a Senhora não me arruma então 10 reais?

– E pra quê moço?

– É pra comprar uns 20 quilos de sal pra salgar o véio, mode seu Pedro demorar muito a chegar.