Nota de Bolsonaro e Mourão pode ter tido efeito contrário entre oficiais das três forças armadas.

O jornal Folha de São Paulo analisa, em matéria de Igor Gielow, publicada no sábado, que as reações de altos oficiais das três forças armadas pode não ser exatamente aquilo que o presidente da República, Jair Bolsonaro, esperava.

Existe uma reação silente e discreta, não só à figura do Presidente, como do Ministro da Defesa, que assinaram uma nota ameaçadora sobre “ordens absurdas”, “intervenção das forças armadas” e fechamento de instituições dos outros dois poderes da Nação, Legislativo e Judiciário.

Enquanto isso, 45 pedidos de impeachment do Presidente dormem em berço esplêndido nas gavetas do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Mais.

***FOTO DE ARQUIVO*** BRASILIA, DF, BRASIL, 15-05-2020, 08h00: O presidente Jair Bolsonaro fala com apoiadores e imprensa ao sair do Palácio da Alvorada na manhã de hoje. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

 A nota em que o presidente Jair Bolsonaro, o vice Hamilton Mourão e o ministro Fernando Azevedo (Defesa) dizem que as Forças Armadas não cumprirão “ordens absurdas” foi reprovada por setores da cúpula militar e pelo seu alvo, os ministros do Supremo Tribunal Federal.

O texto foi elaborado na noite de sexta (12), após o ministro Luiz Fux conceder uma decisão provisória delimitando a interpretação do artigo 142 da Constituição, que regula o emprego dos militares.

Na liminar, Fux respondia a um questionamento do PDT acerca da interpretação corrente no bolsonarismo de que o artigo permitiria às Forças Armadas intervir caso um Poder tentasse tolher o outro.

A visão vem sendo ventilada pelo presidente, pelo vice e outros membros do governo. A nota de sexta dizia também que as Forças não tolerariam “julgamentos políticos”, uma referência nem tão velada à ação de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão que corre no Tribunal Superior Eleitoral.

A reportagem conversou com oficiais-generais da ativa dos três ramos armados. Enquanto muitos consideram que o Judiciário tem exagerado em suas decisões, e todos ressaltem que os signatários da nota são seus superiores hierárquicos, o tom foi reprovado.

Para um almirante, a nota coloca as Forças Armadas como um poder moderador acima da lei. Ele disse que é óbvio que os militares têm de responder a decisões e que, se não concordarem, sempre caberá recurso dentro da Constituição.

Em grupos de WhatsApp de oficiais, a crítica mais comum era a de que as Forças foram colocadas como uma extensão do bolsonarismo militante, que tem no confronto com Poderes uma de suas características.

Já havia grande irritação pela entrevista que o general Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) havia concedido à revista Veja, no qual ele falou em tom ameaçador contra a oposição ao mesmo tempo em que se apresentava como representante das Forças.

Ramos, já no centro de insatisfações quando foi cogitado por Bolsonaro para substituir o comandante Edson Pujol, ao mesmo tempo cedeu a pressões e decidiu passar à reserva -irá deixar o interino da Saúde, Eduardo Pazuello, como último general da ativa com cargo de primeiro escalão.

A nota coroou uma semana de ruídos entre a ativa e o governo Bolsonaro. A tentativa de maquiagem de dados da Covid-19 na Saúde, a frustrada portaria para dar direito ao uso de aviões ao Exército e a revelação de negócio entre a Força e uma empresa americana de armas favorecida pelo filho presidencial Eduardo Bolsonaro não foram bem digeridos.

Ante todo esse clima, com efeito, Mourão concedeu entrevista ao jornal Folha de S.Paulo na manhã deste sábado (13) e tentou modular a nota, dizendo que não há indisciplina possível entre os fardados da ativa.

Há relatos divergentes acerca de uma consulta do Planalto aos comandantes de Forças sobre o tom da nota. A reportagem questionou o general Azevedo sobre isso, mas ainda não obteve resposta.

Já entre ministros do Supremo, o tom variou de desânimo a irritação.

O desapontamento veio do fato de que o Planalto havia dado sinais de uma tentativa de normalização na relação com a corte, que está em processo de votação que deverá manter vivo o inquérito das fake news -que atinge o coração do bolsonarismo.

A principal sinalização foi dada acerca do ministro Abraham Weintraub (Educação), que na reunião ministerial de 22 de abril disse que queria ver os integrantes do Supremo, a quem chamou de vagabundos, na cadeia.

Nas últimas semanas, emissários fizeram chegar a ministros da corte que o Planalto estaria disposto a rifar Weintraub como punição pela fala. Em vez disso, o ministro envolveu-se em nova polêmica, com a rejeitada medida provisória que previa nomeação de reitores de universidades federais nesta semana.

A esse empoderamento somou-se a nota de sexta. A liminar de Fux havia sido alvo de contestações interna por parte de alguns ministros, que viram nela um certo truísmo ao reafirmar o que já está na Constituição e pela vacuidade do objeto: é uma decisão retórica, na prática.

Mas há simbolismos inescapáveis, e aí entra a contrariedade geral. Fux será o próximo presidente da corte, a tomar posse em setembro, e em momentos de crise entre Poderes os 11 integrantes do Supremo costumam agir em bloco.

Assim, o ataque direto a Fux se tornou, por extensão, mais uma afronta à corte por parte de Bolsonaro, que já participa de modo contumaz de atos pedindo o fechamento do órgão máximo do Judiciário e do Congresso.

A assinatura conjunta com Mourão foi vista como um recibo de ambos pelo fato de serem objeto da ação no TSE. Já a presença de Azevedo reforçou um sentimento que vem se consolidando na classe política: Bolsonaro tem usado as Forças Armadas como escudo por extrema fragilidade.

Assim, a banalização das ameaças, que assustam muitos devido ao passado intervencionista das Forças, tem sido vista pelo decrescente valor de face. Preocupa mais o Supremo a eventual perda de controle nas ruas, estimulada por Bolsonaro.

Chocou especialmente a sugestão do presidente para que hospitais sejam invadidos para provar a hipótese de que governadores estão inflando politicamente números da Covid-19.

Situações de violência implicam o uso das polícias militares, consideradas muito próximas do espírito bolsonarista. O motim da PM do Ceará no começo do ano, apoiado veladamente pelo governo, é um exemplo sempre lembrado.

Seja como for, no Distrito Federal a polícia acabou com o acampamento do 300 do Brasil neste sábado sem incidentes. O grupo pró-Bolsonaro prega violência e fechamento de Poderes, e não houve a temida adesão de policiais a ele.

As consultas que começaram na noite de sexta prosseguem neste sábado no mundo político, dado que Bolsonaro conseguiu elevar ainda mais o patamar de suas provocações institucionais, mas por ora o clima é mais de observação de cenário do que de reações exacerbadas.

Militares de baixa patente romperam com Bolsonaro, diz sindicalista

Da Agência Pública.

Por Vasconcelo Quadros

O presidente da Associação Nacional dos Militares do Brasil (ANMB) diz que a categoria se sentiu traída por Bolsonaro com projeto, aprovado no Congresso, sobre aposentadorias e reajustes

Que o clã Bolsonaro flerta com o autoritarismo ninguém mais tem dúvida. Mas se decidisse fechar qualquer um dos outros dois poderes da República, como sugeriu o deputado Eduardo Bolsonaro, o filho 03, o presidente Jair Bolsonaro teria, ele mesmo, de dirigir o jipe:

“Cabos e soldados estão com raiva do presidente e dos oficiais”, disse em entrevista à Agência Pública o cabo reformado do Exército Marcelo Machado, presidente da Associação Nacional dos Militares do Brasil (ANMB).

De acordo com o cabo reformado, Marcelo Machado, as categorias que representam as bases militares estão decepcionadas com o presidente Bolsonaro

A rebelião em curso dos praças e graduados foi provocada pelo projeto, de autoria do governo, aprovado no Congresso na semana passada que reestrutura as carreiras e aposentadorias militares – e que privilegia oficiais em detrimento daqueles de baixa patente. Soldados, cabos, sargentos e subtenentes representam nas Forças Armadas 82% do efetivo de 325 mil militares da ativa e a mesma porcentagem dos 700 mil veteranos e pensionistas. Eles votaram em massa no candidato Jair Bolsonaro em 2018, mas agora, arrependidos, chamam o projeto de “PL da traição” e anunciam, sem reservas, que as relações políticas com a família Bolsonaro estão definitivamente rompidas.

“O presidente só está na política por ter defendido, ainda como capitão, a pauta de melhores salários para cabos e sargentos. Desde que ele foi para a reserva, os praças sempre votaram nele e na família Bolsonaro. Agora ele deu uma punhalada fatal nos praças pelas costas”, compara Machado, que não vê chances de voltar a apoiar o clã Bolsonaro. “As categorias que representam as bases militares estão decepcionadas. É como uma louça que se quebra. Não há conserto”, diz.

Nos embates que movimentaram a Comissão Especial da Câmara dos Deputados durante oito meses, onde o polêmico PL foi aprovado de forma terminativa, os familiares dos praças não conseguiram apoio dos parlamentares ligados ao governo, o que determinou que a matéria, sem passar pelo plenário, fosse enviada diretamente para o Senado. O texto foi aprovado na íntegra na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado na terça-feira passada e de forma simbólica na quarta (4/12) pelo plenário, numa sessão que durou menos de meia hora. Se for sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro, os militares terão agora que permanecer 35 anos na ativa – cinco a mais do que pelas regras anteriores – para se aposentarem, entre outras mudanças. O que gerou a maior revolta nos praças, porém, foi a desigualdade no reajuste dos salários até 2022: a lei prevê cerca de 45% de aumento nos salários dos oficiais e apenas 4% para as carreiras de baixa patente.

Em dois adicionais, o de disponibilidade e de habilitação, que serão incorporados ao soldo, os oficiais ficam, respectivamente, com aumento de 32% e 73%, enquanto os de baixa patente, com 5% e 12%. Militares – incluídos aí policiais militares estaduais e bombeiros – irão para a reserva remunerada com o salário e reajustes da ativa. Passam a ter direito a outros benefícios, como auxílios de representação, transporte e ajuda de custo. A lei cria a alternativa de evolução na carreira para melhorar a remuneração por meio de estudos, mas só para quem está na ativa. O governo espera um superávit de R$ 2,29 bilhões até 2022 e de R$ 10,45 bilhões em dez anos. A economia seria de R$ 97,3 bilhões, mas o novo plano de carreira consumiu R$ 86,85 bilhões, bem mais flexível que a reforma da Previdência dos aposentados civis.

Duas vozes praticamente solitárias nos debates na Câmara, os deputados Marcelo Freixo e Glauber Braga, ambos do Psol do Rio de Janeiro, mesmo com críticas de colegas da esquerda, assumiram a defesa dos praças como causa de trabalhador. Embora derrotados na Comissão Especial, quebraram o preconceito histórico recíproco entre esquerda e militares num tempo de polarização política.

“Por incrível que pareça, foi de dois deputados da esquerda que recebemos apoio”, reconhece Marcelo Machado. O líder dos praças diz que o debate sobre o PL 1.645 provocou uma reação com a qual o governo não contava.

Nos debates na Comissão Especial e pelas redes sociais, mulheres militares da reserva encabeçaram um movimento de contestação ao governo e à cúpula militar, acusados de virar as costas às baixas patentes.

Num dos tantos posts publicados no Facebook criticando o presidente, a palavra mito, destacada em negrito na vertical, serve para carimbar Bolsonaro, na linha horizontal, de “mentiroso, injusto, traidor e omisso”.

Em sua página, o presidente da ANMB postou o famoso artigo do então capitão do Exército à revista Veja, em 1973 (“Os salários estão baixos”), em que Bolsonaro defende cabos e sargentos, para demonstrar o quanto ele mudou ao chegar ao poder. “É surpreendente sua postura atual”, escreveu Machado, debitando ao presidente a responsabilidade pelas consequências do projeto na caserna.

O dirigente informa ter ouvido de fontes do governo e de oficiais da ativa pedidos para que segurasse o ímpeto dos praças para evitar divisão nas Forças Armadas. Machado respondeu que os fatores que podem resultar na divisão no estamento militar, com consequência ainda imprevisíveis, é a mudança de postura de Bolsonaro em relação à tropa. O Ministério da Defesa chegou a publicar uma nota oficial nas redes sociais em que alertava que militares são proibidos de se reunir em associações, o que foi visto pelas entidades como ameaça de perseguição.

O senador Izalci Lucas (PSDB-DF), vice-líder do governo, percebeu possíveis estragos. Ele admitiu que o texto tem distorções e, como está, é injusto com as categorias de baixa patente, mas acabou sendo convencido pela área econômica do governo de que não seria possível mexer no projeto agora. Também concorda que Bolsonaro mudou de posição.

“Como deputado, ele votou contra todas as reformas. Agora é o mundo real. Ele está no Executivo”, disse em entrevista à Pública.

Pressionado pela área econômica, Bolsonaro quer sancionar o projeto até o fim do ano. Segundo Izalci, uma comissão a ser criada em janeiro discutirá com o governo um pacote de medidas para corrigir as distorções por meio de decreto ou novo projeto de lei.

O que é visto com ceticismo pelos militares de baixa patente, já que as mudanças poderiam ser feitas no próprio PL 1.645 por meio de emendas que, no entanto, foram rejeitadas pelos apoiadores do governo.

Machado votou em Bolsonaro, mas lembra que, longe da hierarquia e da disciplina dos quartéis, cabos e sargentos têm posições históricas desvinculadas da direita.

“Sempre estivemos à esquerda. Basta ver as origens dos fatos políticos que deram no golpe em 1964. A revolta dos sargentos, em 1963, em Brasília, foi o primeiro dos episódios que deflagraram o movimento”, lembra o presidente da ANMB.

Machado se refere à rebelião que eclodiu na madrugada de 12 de setembro de 1963, em Brasília, em reação à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), tornando inelegíveis os graduados da Marinha e Aeronáutica que haviam disputado (e vencido) eleições legislativas. O movimento foi sufocado no mesmo dia pelo Exército, com a prisão dos revoltosos, mas vários líderes engrossariam a fileira da esquerda, alguns deles entrando na luta armada.

A mudança de comportamento dos praças não significa, pelo menos por enquanto, quebra de hierarquia e disciplina, mas coloca dúvida sobre a força que Bolsonaro insinua ter nas Forças Armadas. Também as manifestações do presidente, seus filhos, ministros e seus apoiadores de grupos de extrema direita – o tema da vez é o desejo de reeditar o AI-5 – parecem não encontrar ressonância nos quartéis.

O deputado federal, Eduardo Bolsonaro, disse que para fechar o STF bastaria um soldado e um cabo

Ruptura institucional

“Bolsonaro aposta na ruptura institucional”, avalia o coronel reformado da Aeronáutica e ex-piloto de caça Mauro Rogério, que preside o Movimento Brasil Futuro (MBF), entidade que reúne de militares da reserva a profissionais liberais de centro. Ligado ao PTB e estudioso das questões militares, Rogério acha que, se tivesse apoio, o presidente não titubearia em dar um golpe. “Ele não avança o sinal porque não teria apoio dos setores que exercem poder de influência nas Forças Armadas e têm um compromisso forte com a Constituição e com a democracia”, afirma Rogério. Para ele, é zero a chance de apoio nas Forças Armadas a uma eventual tentativa de aventura autoritária.

O coronel diz que, embora tenha preenchido um terço dos cargos de primeiro escalão com oficiais de alta patente, Bolsonaro não é visto na caserna como um líder nem exerce na tropa a influência que passa ao senso comum. “Bolsonaro não terminou a carreira militar, portanto não é uma referência. Mas foi o único político que abraçou o movimento de 1964 e defendeu o regime nos últimos 30 anos. A cúpula militar viu essa postura com simpatia e o absorveu. Mas isso não implica em concordar com medidas fora da Constituição”, afirma o coronel.

Na avaliação de Mauro Rogério, as sucessivas ameaças de adoção de medidas de exceção fazem parte do jogo de xadrez que Bolsonaro e seu entorno operam estrategicamente, como método de gerar tensão na política. Quem conhece o funcionamento dos poderes e o espírito militar, segundo ele, não se assusta com retórica radical.

“A pancada na mesa espanta civis. Mas há ainda muita gordura democrática a ser queimada e uma linha que não pode ser ultrapassada”, diz, alertando que, numa eventual tentativa de guinada autoritária, Bolsonaro se colocaria numa encruzilhada. “Tanque não dá marcha à ré”, diz o militar, que acredita que, em uma hipótese remotíssima de intervenção, o governo cairia e novas eleições seriam convocadas, conforme determina a Constituição.

O Psol e os militares de baixa patente

Enquanto os bolsonaristas se envolviam numa guerra interna pelo comando do PSL e a formação de um novo partido, o Psol abriu os braços para as baixas patentes das Forças Armadas. A derrota na Comissão Especial teve um sabor de vitória quando os dirigentes das entidades reagiram com gritos de “traíra” contra Bolsonaro.

“Entramos porque a causa era justa. Os praças nem foram chamados para discutir. O projeto tratou dos oficiais e ignorou quem está na base da pirâmide militar e nem foi chamado para participar das discussões. Se tem divisão nas Forças Armadas ou quebra de hierarquia, a responsabilidade é do governo”, disse o deputado Glauber Braga.

“Sofremos críticas de companheiros da esquerda, mas tomamos o lado certo e quebramos um preconceito histórico resultado de uma ditadura de 21 anos. Praças e graduados merecem a mesma defesa que os trabalhadores civis”, afirmou o deputado Marcelo Freixo, numa transmissão pela internet. Glauber Braga foi mais pragmático, afirmando que era necessário disputar uma das bases mais importantes do bolsonarismo. “Entramos na luta também por questão de justiça. Os militares foram prejudicados pelo governo”, afirmou Glauber Braga à Pública. Ele participou da malograda mobilização no Senado para tentar corrigir o texto.

“Praças e graduados merecem a mesma defesa que os trabalhadores civis””, afirma o deputado Marcelo Freixo (Psol)

“O que nós queremos é ajuda”, defendeu o cabo Marcelo Machado. Na semana passada, ele estava aberto ao diálogo com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deixou a cadeia afirmando que quer conversar com os militares.

“Estávamos em condições financeiras infinitamente melhores durante o governo Lula. Ele foi o único que deu algum reajuste”, reconhece o cabo.

“Os praças de hoje têm maior nível de instrução, consciência política mais forte e, apesar da forte doutrinação imposta dentro dos quartéis, mais afinidade com as pautas da esquerda”, garante.

Glauber Braga avalia que, ao se afastar cada vez mais das forças de segurança institucionais, a tendência do bolsonarismo é disputar uma base social agenciando milicianos e outros grupos paramilitares.

Segundo o deputado, esse caminho está implícito na iniciativa de Olavo de Carvalho, guru da família Bolsonaro, que tem dado cursos gratuitos a policiais e militares (inativos e ativos), cuja finalidade, conforme Braga, seria dar suporte ao bolsonarismo.

Ele diz que a insistência com que a direita defende medidas extremas indica um ensaio de autoritarismo.

“O Bolsonaro vai fazendo testes para ver o que cola”, afirma.

Reportagem originalmente publicada na Agência Pública

Jornalistas vazam plano de Bolsonaro para transformar Amazônia em lavouras de soja e mineração.

Parece que o fio da história voltou rapidamente para trás, cerca de 50 anos, quando os militares queriam rapidamente povoar a Amazônia por motivos estratégicos.

O governo de Jair Bolsonaro está discutindo, desde fevereiro, o maior plano de ocupação e desenvolvimento da Amazônia desde a ditadura militar.

Gestado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos, com coordenação de um coronel reformado, o projeto Barão de Rio Branco retoma o antigo sonho militar de povoar a Amazônia, com o pretexto de desenvolver a região e proteger a fronteira norte do país.

Documentos inéditos obtidos pelo Intercept detalham o plano, que prevê o incentivo a grandes empreendimentos que atraiam população não indígena de outras partes do país para se estabelecer na Amazônia e aumentar a participação da região norte no Produto Interno Bruto do país.

A revelação surge no momento em que o governo está envolvido numa crise diplomática e política por conta do aumento do desmatamento no Brasil. Bolsonaro se comprometeu a proteger a floresta em pronunciamento em cadeia nacional de televisão, mas o projeto mostra que a prioridade é outra: explorar as riquezas, fazer grandes obras e atrair novos habitantes para a Amazônia.

Veja a matéria completa “Movido a Paranoia” clicando neste link

Vai atacar o Brasil? Que não seja numa segunda-feira, por favor!

Guerra só em dias úteis, pela manhã, menos nas segundas-feiras.

Após corte orçamentário, Exército suspende expediente às segundas-feiras. Medida preventiva foi tomada em razão da estimativa de rombo de R$ 139 bilhões nas contas do governo deste ano.

O Exército não terá mais expediente às segunda-feiras. Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a medida foi adotada pelo comandante da Força, general Edson Pujol, como forma de economizar os gastos discricionários da instituição.

De acordo com a publicação, o comando do Exército prevê economizar cerca de R$ 2 milhões por dia em cada uma das cinco segundas-feiras do mês de setembro, período em que a medida foi adotada. O Exército teve 28% de seus gastos discricionários contingenciados pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

A medida preventiva foi tomada em razão da estimativa de rombo de R$ 139 bilhões nas contas do governo deste ano. O Estado confirmou a decisão de Pujol, anunciada ao Alto-Comando do Exército por meio de um e-mail revelado pelo jornal Folha de S. Paulo, com três generais, dois dos quais comandantes de tropas.

O corte de gastos deve afetar até mesmo as cinco brigadas classificadas como forças de emprego estratégico: a Brigada de Infantaria Paraquedista (com sede no Rio e subordinada ao Comando Militar do Leste), a 12.ª Brigada de Infantaria Aeromóvel (com sede em Caçapava, no interior paulista, e subordinada ao Comando Militar do Sudeste), a 23.ª Brigada de Infantaria de Selva (com sede em Marabá, no Pará, e parte do Comando Militar do Norte), a 5.ª Brigada de Cavalaria Blindada (Ponta Grossa, Paraná, no Comando Militar do Sul) e a 4.ª Brigada de Cavalaria Mecanizada (em Dourados, em Mato Grosso do Sul), subordinada ao Comando Militar do Oeste. Editado pelo bahia.ba.

O Exército tem 151 oficiais generais, entre eles, general-de-exército (15), general-de-divisão (45) e general-de-brigada (91). E a Força Aérea possui um efetivo de 85 oficiais-generais, entre tenente-brigadeiro (08), major-brigadeiro (25) e brigadeiro (52). Na Marinha, são 67 oficiais-generais, divididos entre almirante-de-esquadra (07), vice-almirante (20) e contra-almirante (40). E mais um tanto de generais de pijama, que ficam em casa conspirando e pensando como garantir a pensão. O general Heleno, chefe do gabinete institucional de Bolsonaro (GSI) já disse que tem vergonha de receber o salário líquido de R$20 mil por mês.

Com tanto comandante, a medida mais apropriada é mesmo decretar feriado às segundas-feiras, cortar o almoço e tirar a tarde de folga. E rezar que a França não invada a Amazônia num final-de-semana prolongado.

A entrevista esclarecedora, no bom e no mau sentido, dada por Villas Boas à Folha

Importante a todos eleitores ler a entrevista do ministro do Exército, Villas Boas, concedida ao jornalista Igor Gielow na Folha de São Paulo. Como se temia, o Exército exerceu forte pressão sobre o Judiciário para afastar o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva da disputa eleitoral. 

Espero que a ação do meu conterrâneo Villas Boas seja de fato um ato de patriotismo. O Brasil carece de uma legião de patriotas que restaure a democracia em toda a sua integridade. De desonestos e malucos fundamentalistas temos uma dose extra, nunca dantes experimentada neste País.

Leia a entrevista na íntegra clicando aqui.

Os caminhoneiros queriam o Exército nas ruas?

Comboio de veículo militar Foto: Michael Melo/Metrópoles

Pois bem. Ele está vindo, mas é para desmanchar os bloqueios e permitir o livre tráfego de cargas. Só um detalhe: nem todas as forças federais tem combustível para uma ampla operação de rescaldo da greve.

O ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna, afirmou nesta sexta-feira (25) que as Forças Armadas atuarão de maneira “rápida” e “enérgica” para liberar as rodovias bloqueadas por caminhoneiros pelo país.

Silva e Luna deu a declaração após se reunir com os comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica para definir a atuação dos militares.

Mais cedo, nesta sexta, o presidente Michel Temer afirmou em pronunciamento no Palácio do Planalto que havia acionado as tropas federais para liberar as estradas onde há bloqueios.

A intrincada missão das Forças Armadas na intervenção federal do Rio de Janeiro

General Braga Netto: uma missão pra lá de complicada!

A partir de hoje (segunda, 19), a Câmara dará início em plenário à inédita votação, sob vigência de um regime democrático, do decreto de intervenção federal que, assinado na última sexta-feira (16) pelo presidente Michel Temer, transferiu do governo do Rio de Janeiro para as Forças Armadas o comando da segurança pública estadual.

Polêmica, a medida virou o tabuleiro político de cabeça para baixo no período pós-carnaval, quando o Congresso de fato volta a trabalhar. Em compasso de espera no Rio, as tropas militares, boa parte já instalada no estado, só podem dar inícios às ações de campo depois de aprovado o decreto (veja o rito de votação abaixo).

Para a maioria dos governistas, trata-se de “medida extrema negociada”, como ontem (sábado, 17) definiu o próprio Temer, que se fez inevitável diante do caos fluminense; para a oposição, foi a maneira que o governo encontrou para camuflar a insuficiência de votos para a reforma da Previdência, bem como um jeito de “sair das cordas” na reta final de um mandato marcado por denúncias de corrupção e uma impopularidade que tem superado, renitentemente, 90% em todas as mais recentes pesquisas. Além, acrescentam os oposicionistas, do viés “eleitoreiro” e “midiático” da decisão, que pode agradar àquele eleitorado simpático ao recrudescimento do combate à criminalidade.

Do Congresso em Foco, onde o leitor poderá se inteirar da íntegra da matéria.

Particularmente acredito que os resultados da medida serão pífios. A corrupção e o desmantelamento operacional de uma polícia que nem recebe seus salários em dia exige mais que intervenção.

Exige a aposentadoria compulsória de centenas de oficiais da PM, prisão para outros e demissão de milhares de soldados e policiais civis. Mais: a promessa das Forças Armadas de intensificar as ações de inteligência precisa ser cumprida na sua totalidade e expandida na medida do possível.

Não é possível, nem necessário, confronto direto com traficantes escondidos em meio a uma população pobre e trabalhadora.

O serviço das forças armadas seria esse, a difícil segregação do joio e do trigo. Para que não se cometam mais crimes contra a população miserável, já que os grandes traficantes nem estão na favela. Lá só se encontram soldadinhos e aviõezinhos do tráfico.

A difícil missão das forças armadas e das forças policiais

Pelotão de Fronteira
Soldados de Pelotão de Fronteira

O Ministério da Defesa resolveu  suspender, hoje, licitação pública destinada a comprar mesas de sinuca, jogos de dominó e 300 apitos esportivos, num valor pouco superior a R$70 mil, segundo notícia de O Globo.

Nada mais justo para a distração dos guerreiros durante os seus descansos na caserna. No entanto, dentro de uma conjuntura em que as forças armadas encontram sérias dificuldades para controlar as fronteiras e agora estão inseridas, ao menos temporariamente, na segurança de cidades importantes, como Boa Vista, Natal, Vitória e Rio de Janeiro, a contratação de compra de tais artigos parece inoportuna.

O País está em verdadeira guerra civil com o crime organizado. Mais de 60 mil mortes violentas acontecem todo ano. Forças policiais militares, policias civis, guardas metropolitanas parecem estar debilitadas diante da insuficiência de verbas; não existem mais vagas nos presídios; a justiça conta com deficiência de pessoal e uma irritante lentidão.  15.735 km de fronteiras terrestres e mais de 7.000 km de fronteiras marítimas,  exigem especial atenção.

As forças armadas não têm recursos para enfrentar essa multiplicidade de tarefas. Não é hora de pensar em prosaicas mesas de sinuca.

Cidade em cólera: Forças Armadas chegam a Natal para auxiliar na segurança

forcas

As ações criminosas são uma retaliação à instalação do bloqueadores de celular no Presídio Estadual de Parnamirim (PEP), em Natal

Tropas das Forças Armadas chegaram nesta quarta-feira a Natal (RN) para auxiliar a polícia na segurança e combate aos ataques a ônibus e prédios públicos que ocorrem desde a última sexta em cidades do interior do Rio Grande do Norte e na região metropolitana da capital. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, nesta quinta ao Estado para definir com as autoridades locais as ações de cooperação dos militares. Cerca de 1,2 mil homens do Exército e da Marinha atuarão no Rio Grande do Norte até 16 de agosto.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed), 85 pessoas já foram detidas suspeitas de envolvimento nos ataques. No total, foram registradas 92 ocorrências, entre incêndios, tentativas de incêndios, disparos contra prédios públicos e proximidades, depredações e uso de artefatos explosivos; 29 veículos, entre ônibus e micro-ônibus foram incendiados.

As ocorrências foram registradas em 31 cidades. Nesta quarta-feira, o secretário da Sesed, Ronaldo Lundgren, visitará algumas cidades com as forças de segurança para analisar a necessidade de reforços no interior do estado. Segundo a Sesed, na capital “a situação está mais tranquila”, já no interior, houve mais tentativas de vandalismo.

Retaliação

As ações criminosas são uma retaliação à instalação do bloqueadores de celular no Presídio Estadual de Parnamirim (PEP), em Natal. Segundo o governo do estado, outros bloqueadores de sinal serão instalados em unidades prisionais.

– A população tem apoiado o governo porque toda essa ação (dos ataques) começou a partir de medidas de controle. Eles (os criminosos) estão incomodados. Mas o governo não vai recuar e isso tem sido aprovado pela população mesmo diante dos ataques que estão sendo registrados – disse assessor de Comunicação da Sesed, capitão Christiano Couceiro.

Ele informou que os serviços públicos estão funcionando normalmente na capital, mas com reforço de policiamento nos 23 terminais de ônibus, corredores de transporte público, escolas e presídios. A atuação das Forças Armadas só será detalhada após a visita do ministro Raul Jungmann, mas, segundo a secretaria, as forças federais devem ocupar esses lugares nas ruas para que a polícia local foque nas investigações e combate direto aos criminosos.

Diferenças básicas.

Obama disse que as Forças Armadas devem sofrer um corte de US$ 450 bilhões nos próximos dez anos.

Apesar dos cortes, o presidente disse que os Estados Unidos irão manter sua superioridade militar no mundo.

Obama disse também que as Forças Armadas devem ampliar sua presença na Ásia e reforçar sua parceria com a Otan (aliança militar do Ocidente).

E o Brasil, hein?, que não tem 10 bilhões de dólares para comprar uns aviõezinhos novos? Em termos de recursos, as forças armadas brasileiras estão só com o toco da espada. E poderiam se equipar melhor, até para defender as fronteiras brasileiras do tráfico de drogas e armas.

Tenho um amigo, muito bem humorado, que sempre diz: deveríamos entregar o Piauí aos americanos em troca de dinheiro para a educação, segurança e infraestrutura. Resta saber se os piauenses chegariam a um consenso e resolveriam abandonar o novo Estado americano ou seriam tirados a força.

As Forças Armadas e as suas novas missões

Repete-se à exaustão: uma boa foto vale mais que mil palavras. A imagem da primeira reunião de Celso Amorim com os comandantes das Forças Armas é significativa. Enquanto ele, ministro, participa da reunião com um notebook, os ministros militares tem como ferramenta de trabalho umas folhinhas brancas e uma caneta BIC.

Nada fora do contexto para as Forças Armadas, que estão voando em aviões obsoletos, atirando com um fuzil que já tem meio século e navegando em frota restrita a uns poucos navios. A reestruturação das forças armadas não é uma questão de guerra, nem de desestimular ataques externos. Trata-se da segurança do território frente à 16 mil km de fronteiras, de 8 mil km de litoral, do espaço aéreo de características de um continente, invadido a cada segundo por contrabandistas e traficantes.

O País precisa orgulhar-se novamente das Forças Armadas e das suas novas missões.