Escândalo do FUNDEB em Barreiras: Indícios de fraude sistemática e “gestão fantasma” no Conselho colocam sob risco rateio de R$ 106 milhões.

Escandalo do FUNDEB Otoniel Teixeira 23122025

Investigação revela convocatória de 2025 assinada por ex-presidente em flagrante desrespeito ao Decreto de 2022 e à Lei Federal 14.113/2020; levantamento do SINPROFE aponta sobras milionárias enquanto “operador fantasma” manipula sistema federal à revelia da lei.

Caso de Política | Luís Carlos Nunes

O controle social dos recursos da educação em Barreiras mergulhou em um abismo jurídico que ameaça o destino de uma fortuna. Documentos oficiais apurados com exclusividade pelo Portal Caso de Política expõem uma brutal confusão administrativa: a Convocatória nº 02/2025, emitida em 16 de dezembro de 2025 para deliberar sobre as contas do exercício, foi subscrita por Patrícia Cavalheiro, que deixou a presidência do Conselho de Acompanhamento e Controle Social (CACS-Fundeb) há três anos.

A legítima autoridade do órgão, conforme o Decreto nº 204/2022, é Maria Josivânia dos Santos Pereira, que inclusive assinou parecer oficial em março de 2025.

O ressurgimento do nome de Patrícia em um documento de 2025 sugere uma “gestão de conveniência”. Fontes indicam que a atual composição do conselho pode não ter sido devidamente cadastrada nos sistemas do Governo Federal (SIOPE/FNDE), o que teria levado a gestão a “ressuscitar” credenciais antigas para validar contas sem o devido crivo dos novos conselheiros.

O Caso de Política tentou contato com Patrícia, não obtendo sucesso, porém fontes que teriam conversado com a ex-presidenta do CACAS/FUNDEB afirmam que a mesma estaria disposta a acionar o Judiciário para questionar o uso indevido de sua assinatura em um rito do qual não faz mais parte legalmente.

O “Operador Fantasma” e o montante para um possível rateio de R$ 106 milhões

A gravidade do caso ganha cifras alarmantes. Um levantamento técnico e independente realizado pelo SINPROFE revela que as sobras do FUNDEB em Barreiras são milionárias, podendo chegar a mais de R$ 106 milhões.

No entanto, o acesso a esses valores está trancado em uma “caixa-preta”. Em julho de 2025, o município havia aplicado apenas 61% dos recursos na remuneração dos profissionais – quando a legislação exige o mínimo de 70%.

A ocultação dos balancetes de dezembro, sob a vaga justificativa de “folha aberta“, impede o cálculo exato do rateio que deveria ser destinado a professores, diretores, coordenadores pedagógicos, servidores técnico-administrativos e pessoal de suporte. Enquanto os servidores aguardam, uma figura sombria atua nos bastidores: um “operador fantasma” – identificado como um homem sem qualquer cargo no colegiado – seria o responsável real pela alimentação do SIOPE. Este operador validou os dados do 5º bimestre no sistema da União em 29 de novembro, semanas antes da própria convocatória (nula por vício de autoria) ser emitida em 16 de dezembro.

A omissão de Otoniel: o Prefeito do “Só por Ordem Judicial”

O prefeito Otoniel Teixeira adotou uma postura de “omissão estratégica” que beira o sarcasmo institucional. Durante entrevista concedida à rádio Oeste FM, no dia 19 de dezembro de 2025 ao radialista Marcelo Ferraz, o gestor declarou publicamente que só efetuará o pagamento do rateio do FUNDEB mediante uma decisão judicial. É um paradoxo refinado: o prefeito exige uma ordem da Justiça ao mesmo tempo em que sua própria gestão bloqueia os instrumentos necessários para que tal ordem seja emitida.

Provas dessa blindagem constam na CI nº 275/2025 e no Ofício PGM nº 142/2025 (aqui e aqui), enviados pela Prefeitura ao sindicato. Nestes documentos, o Executivo não fornece os dados financeiros detalhados de dezembro, alegando que a folha de pagamento estaria “aberta”. Na prática, a gestão Otoniel esconde os números que a Justiça precisaria para decidir, enquanto opera sob as sombras de um operador sem rosto e assinaturas “ressuscitadas” de 2022.

O rito legal: a anatomia da fraude e os artigos violados

Para que o controle social não seja uma mera peça de teatro, a Lei Federal nº 14.113/2020 estabelece um rito que não permite “atalhos”. A validade jurídica da prestação de contas depende estritamente do cumprimento dos seguintes dispositivos:

  • Art. 37: O controle deve ser exercido pelo Conselho, e a validação no SIOPE deve refletir uma decisão colegiada real. Validar dados antes da reunião é uma afronta direta à fiscalização federal.
  • Art. 34: Obriga o Executivo a garantir transparência total e disponibilizar balancetes ao Conselho em tempo hábil. A desculpa da “folha aberta” não tem amparo legal para o bloqueio de dados.
  • Art. 26: Define que os recursos devem ser acompanhados por conselhos legítimos. O uso de uma assinatura de 2022 (Patrícia Cavalheiro) para validar atos de 2025 anula o rito por vício de competência.

Inverter a ordem – aprovar no sistema para depois “fingir” uma reunião com uma convocatória inválida – configura, em tese, o crime de Inserção de dados falsos em sistema de informações (Art. 313-A do Código Penal) e Falsidade Ideológica.

Consequências e Vigília

A persistente recusa em abrir as contas de dezembro – mês que concentra a maior arrecadação, impulsionada pelo IPVA e pela complementação da União – sugere que o Executivo pode ter dado um destino indevido aos R$ 106 milhões que pertencem aos profissionais da educação. Juristas alertam que o município flerta com a rejeição automática de contas pelo TCM e a suspensão de repasses federais já em 2026.

Com o SINPROFE em plantão e o Legislativo – através do presidente Yure Ramon e do vereador João Felipe – ameaçando um Mandado de Segurança, a prefeitura de Barreiras chega ao fim de 2025 sob o estigma de uma gestão que prefere o “fantasmagórico” à clareza dos números.

Se a “caixa-preta” não for aberta até 31 de dezembro, o próximo encontro do prefeito com o FUNDEB poderá ser nos tribunais, longe da conveniência das assinaturas anacrônicas.

 

CGU encontra caminhões e tratores da Codevasf em fazenda de vereador, no Oeste da Bahia.

Codevasf beneficia produtores familiares do Norte da Bahia com mecanização agrícola — Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba Codevasf

Auditoria apontou suspeitas de irregularidades no uso dos equipamentos doados para associações de agricultores. Do jornal A Tarde.

Uma parte dos equipamentos doados pela Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) a associações de agricultores no país pode estar sendo utilizado de forma indevida, incluindo casos apurados em cidades na Bahia. É o que aponta auditoria da CGU (Controladoria-Geral da União), realizada no final do ano passado e divulgada nesta quarta-feira, 8, pelo site Metrópoles.

Em Cocos, Oeste do estado, um caminhão, um trator, canos e caixas d’água comprados pelo governo federal foram localizados na fazenda do vereador Gregson Luz, que também é presidente da Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Cubículo. Segundo o site, o relatório da CGU mostra que o vereador disse à fiscalização que iria cobrar de terceiros o aluguel dos equipamentos. O comportamento, ainda segundo o órgão, pode fazer com que ele tenha “vantagens indevidas”, podendo considerada um potencial “desvio de finalidade da doação”.

A auditoria também revelou que um trator doado para uma associação do município de Santa Maria da Vitória (BA) foi encontrado em uma fazenda privada em São Félix do Coribe (BA), cidade vizinha na região Oeste. A CGU afirmou que não há fiscalização da Codevasf sobre o destino dos bens doados e diagnosticou falhas nos critérios de distribuição e na fiscalização de equipamentos.

Apesar dos casos suspeitos, a auditoria da CGU constatou que, na maioria do material apurado, os equipamentos doados pela Codevasf na Bahia estavam sendo utilizados corretamente, tendo em vista o estímulo à  agricultura familiar.

Cobrança permitida

A Codevasf disse que, caso necessário, as associações podem cobrar pela operação e manutenção dos equipamentos, por serem responsáveis por mantê-los funcionando, mas, que, se for averiguado desvio de finalidade, os itens retornarão à companhia.

De acordo com a Codevasf, as doações ocorrem apenas após “pareceres técnicos” e observa as recomendações dos órgãos de controle, estando o uso de equipamentos nas propriedades dos integrantes de uma associação de acordo com a finalidade da doação.

“Muitas das entidades não possuem sede própria; nesses casos, suas reuniões ocorrem em locais como escolas, igrejas e quadras esportivas. Assim, a guarda do bem por associados tem por objetivos a segurança do equipamento e a redução de custos de vigilância”, informou a Codevasf.

Fraude das empresas do terceiro setor rendeu R$80 milhões em Barreiras

Oscips

Entre 2010 e 2015, a estimativa da Controladoria Geral da União é que dois grupos envolvidos na Operação Infecto faturaram R$ 360 milhões só na Bahia, dos quais R$ 80 milhões apenas em Barreiras.

As estimativas são baseadas em dados do Tribunal de Contas dos Municípios. De acordo com Adilmar Gregorini, chefe da Controladoria Regional da União na Bahia, os pagamentos eram depositados em uma conta identificada como “conta master”, específica do termo de parceria com as prefeituras.

Em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (5), Gregorini afirmou que já existem dois inquéritos em andamento, dos quais um tem como alvo o prefeito de um dos municípios envolvidos, mas seu nome não foi revelado.

O outro inquérito investiga servidores do TCM e da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), que ainda não foram identificados. Há indícios de que o prefeito e os servidores tenham recebido valores em suas contas bancárias pessoais.

A operação investiga organizações criminosas suspeitas de praticar desvios de recursos públicos, sonegação de tributos e lavagem de dinheiro, utilizando-se de entidades supostamente sem fins lucrativos, qualificadas como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). 

Conteúdo de Luana Ribeiro e Estela Marques, do Bahia Notícias, com edição deste jornal.

Jusmari e Oziel Oliveira, eleito deputado federal em 2010: eles sabiam do perigo do relacionamento com o Instituto Socializar Iso
Jusmari e Oziel Oliveira, eleito deputado federal em 2010: eles sabiam do perigo do relacionamento com o Instituto Socializar Iso

Conforme o jornal O Expresso anunciou ontem à tarde, a Operação Infecto, em Barreiras, alcança no mínimo dois anos do governo da ex-prefeita Jusmari de Oliveira, que contratou a OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público denominada Socializar Iso, com sede em Vitória da Conquista, para terceirizar pessoal e serviços da Prefeitura.

Durante dois anos este jornal denunciou, de maneira quase sistemática, os desmandos relacionados com a operação dessa organização.

Veja matéria do dia 29/07/2011:

Nos últimos 11 meses, a Prefeitura Municipal de Barreiras realizou, mediante Dispensa de Licitação Pública, onze Termos de Parceria (TP) com duas Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), o Instituto Socializar (ISO) e o Centro Comunitário Social Alto Paraíso (Cecosap). Os contratos com as entidades somam o montante de R$ 45.170.644,47.  

As secretarias de Educação, Infraestrutura, Administração, Ação Social e Saúde cederam para as Oscips à operacionalização de diversos serviços e programas que deveriam ser geridos pela própria municipalidade. No último contrato, realizado no mês de abril, mais de R$ 5,5 milhões foram assinados em favor da Cecosap, para que esta administre o transporte escolar. 

Em alguns órgãos governamentais se detectam fraudes de licitação, fracionamento de licitações, simulacros e outros artifícios. Em Barreiras, não temos esse problema. É tudo sem concorrência mesmo. 

Em 23/01/2011, o site ZDA também denunciava:

A Prefeitura Municipal de Barreiras realizou nos últimos 7 meses, mediante Dispensa de Licitação Pública, dez Termos de Parceria (TP) com a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), Instituto Socializar ­ ISO. De acordo os processos, as secretarias de Educação, Infraestrutura, Administração, Ação Social e Secretaria de Saúde cederam ao Instituto à operacionalização de diversos programas que resultam no valor R$ 39.613.917,75.

Apesar de relativo amparo legal, tanto da legislação federal como pela Lei Municipal 920/2010 aprovada (por unanimidade, é claro) pela Câmara de Barreiras em dezembro último, há controvérsias quanto à efetiva legalidade de ambas para tal aplicação.

Mesmo a OSCIP ISO tendo pouco mais de um ano de fundação e sem lastro administrativo conhecido, a entidade vem desde julho de 2010 gerindo boa parte do orçamento da maior cidade do Oeste.

Isso demonstra que dona Jusmari de Oliveira não deixou de ser avisada do perigo do seu relacionamento com a entidade do terceiro setor. O jornalista Fernando Machado, em seu blog ZDA, sempre questionou as relações com o Instituto Socializar Iso. Portanto, as dores de cabeça que sentir de hora em diante são apenas frutos indesejáveis de suas decisões temerárias. 

Oziel é um fenômeno: conseguiu 5 mil seguidores no Face em um dia

Oziel fan page

 

O ex-prefeito de Luís Eduardo Magalhães e ex-deputado federal é um homem popular. Ao abrir um nova página no Facebook conseguiu mais de 5.000 seguidores em apenas três dias, com aumento de mais de 33.000%.

Mesmo levando em conta uma suposta agilidade de seus curtidores, isso pode ser feito de outras maneiras. A primeira, a mais simples e pouco ética, é a contratação de um profissional ou empresa especializada no assunto.

A segunda, também revestida de pouca ética, é a criação de uma página de interesse geral e, logo a seguir,  fazer a troca do nome da página logo depois de ela ter conquistado seguidores suficientes.

A denúncia é de um leitor, que nunca curtiu – e pela sua indignação não pretende curtir – a página do político e está registrado o seu click na página.

Como disse, recentemente,  Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, ‘se por um lado, os brasileiros fazem o Facebook crescer, por outro estragam tudo”.

A família Canhedo, de novo no olho do furacão

Wagner Canhedo Filho, preso, inclusive por porte de arma
Wagner Canhedo Filho, preso, inclusive por porte de arma

A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) desarticularam nesta sexta (22), no Distrito Federal, esquema de fraudes envolvendo a cobrança judicial de créditos públicos inscritos em dívida ativa. As pessoas envolvidas estão sendo acusadas de lavagem de capitais, formação de quadrilha e falsidade ideológica. O golpe era comandado por gestores do grupo empresarial Canhedo, que atua no ramo de transportes e turismo.
De acordo com PF, por meio de empresas de fachada, os gestores do grupo empresarial movimentaram cerca de R$ 900 milhões que deveriam ter sido usados para quitar débitos fiscais e tributários.
A Procuradoria da Fazenda Nacional afastou da gestão do grupo empresarial os suspeitos de comandar o esquema. Para ocupar o lugar dos gestores foi nomeado, pela PFN, um auditor fiscal. A operação, denominada Patriota, envolve o cumprimento de 29 mandados judiciais, sendo 18 de busca e apreensão e 11 de condução coercitiva.

De acordo com PF, o nome da operação é uma referência ao Hotel Nacional, que pertence ao grupo empresarial investigado.

Campanha de candidata do PT no Paraná é flagrada com falsos testemunhais

“Eleitores” usados em campanha de Gleisi Hoffman ao Governo do Paraná na verdade são modelos. E de outros países. Veja o que diz a Gazeta do Povo, de Curitiba:

Esses dois homens nas fotos acima votam em Gleisi declaradamente, certo? Eles fazem parte de uma série de imagens que a candidata do PT ao governo do estado vem divulgando na internet. A campanha da petista põe a cada vez a imagem de um profissional de uma área e divulga que ele (ou ela) vota em Gleisi. Curiosamente, porém, esses dois homens das fotos ao lado aparecem também fazendo propaganda de uma empresa de serviços na Califórnia, como se pode ver logo abaixo.

gleisi

Polícia Federal procura três envolvidos no golpe da Mega Sena

caixa

Por Mariana Jungmann, da  Agência Brasil. Foto Valor Econômico.

Brasília – A Polícia Federal procura três envolvidos no desvio de R$ 73 milhões da Caixa Econômica Federal, no maior golpe registrado na história do banco público. Dez mandados de busca e apreensão em Goiás, no Maranhão e Tocantins foram cumpridos nas últimas horas. Permanecem presos o gerente-geral da agência da Caixa em Tocantinópolis (TO), Robson Pereira do Nascimento, e o suplente de deputado Federal, Ernesto Vieira Carvalho Neto.

Para o delegado federal Omar Pepow, entretanto, é improvável que novas prisões aconteçam em breve. “Nós estamos procurando os outros envolvidos. Nos próximos dias, os advogados devem entrar com os pedidos de revogação dos mandados de prisão. Eles devem ficar escondidos enquanto os advogados trabalham”, afirmou Pepow.

O delegado disse à Agência Brasil não acreditar que os procurados tenham fugido do país, porque muitos não receberam dinheiro suficiente para isso. Segundo Pepow, no primeiro momento, as investigações se concentraram na identificação das contas que receberam valores mais altos. Agora, um levantamento das contas que receberam valores menores começará a ser feito em conjunto com a Caixa.

“Essas pessoas vão ser chamadas a explicar de onde veio o dinheiro. Por que entrou o dinheiro na conta dele? Se entrar 750 mil na sua conta, você tem que saber dizer da onde veio esse dinheiro”, disse o delegado.

No início das investigações, um homem que tinha recebido R$ 5 milhões chegou a ser preso, mas conseguiu a liberdade provisória depois de apresentar indícios de que o dinheiro pode não estar relacionado com a fraude. O delegado optou por preservar a identidade dele diante da possibilidade maior de inocência.

Segundo a PF, a quadrilha usou documentos falsos para abrir uma conta-corrente em uma agência da Caixa de Tocantinópolis (TO). Pouco tempo depois, cerca de R$ 73 milhões foram depositados na conta. Desviado do banco estatal, o dinheiro foi depositado como sendo o pagamento de um prêmio da Mega Sena que nunca existiu. Por fim, o montante foi transferido para várias contas. Em nota, a PF informou ter recuperado aproximadamente 70% do total desviado.

Vergonha: Flamengo teria comprado final da Taça do Brasil

PauloO jornalista Vickery, da BBC Brasil, denuncia em sua coluna uma grande fraude na Copa do Brasil:

“Quando o competente e comprometido diretor Dagoberto dos Santos saiu do Atlético-Pr sem qualquer motivo (relembre aqui), muitos não entenderam o porquê. Mas aos poucos tudo vai se esclarecendo. Já não é de hoje que fãs deste que um dia foi o esporte mais popular do planeta vem sendo confrontados com uma dura realidade: futebol virou um negócio. Nada mais.
Desde outubro começou a rondar nos bastidores o medo de que o Atlético-Pr não conseguisse terminar a tempo as obras da Arena da Baixada e, assim, perdesse o direito de sediar a Copa do Mundo. Não apenas o clube paranaense, mas também a CBF ligou o “alerta vermelho”. O time, porém, vinha correspondendo muito bem em campo, e é atualmente vice-líder do campeonato brasileiro, com vaga na Libertadores da América praticamente garantida.
A derrota na final da Copa do Brasil levantou suspeitas: como um dos melhores plantéis do país poderia perder para um time como o Flamengo, que lutou para não ser rebaixado no Campeonato Brasileiro? Os fatos que serão aqui expostos estão sendo apurados e muito em breve aparecerão na grande mídia, tão logo as provas definitivas sejam colhidas.
No dia 26 de Novembro, véspera do jogo final, o Sr. Mario Celso Petraglia (presidente do Atlético), o técnico Vagner Mancini, e o Sr. Jorge Fontes Hereda, diretor geral da Caixa Econômica Federal, se reuniram com os jogadores e apresentaram uma curiosa “proposta”: perder o jogo, dando ao Flamengo seu terceiro título no prestigiado torneio nacional.
De acordo com o que foi proposto, clube e jogadores seriam beneficiados: ao Atlético-PR, a garantia de que o estádio ficaria pronto e apto a abrigar os 4 jogos da Copa do Mundo e uma renovação do patrocínio da Caixa Econômica Federal, que alegadamente vinha pagando menos ao clube do que ao rival, Coritiba.
Para os jogadores, houve um pagamento em dinheiro (R$ 50.000 para cada um e mais um bônus de R$2 milhões a serem divididos entre os titulares, reservas e comissão técnica) e a garantia de transferência para a Europa, envolvendo um clube polonês: o Wisla Cracóvia transferiria atletas para o Atlético-PR, que viabilizaria bons contratos na Europa para alguns dos principais jogadores, especialmente Delatorre, Weverton e Ederson.
O título do Flamengo ainda não está homologado na CBF: Grêmio e Goiás já entraram com recurso solicitando suspensão imediata dos dois finalistas.
Terá sido um bom negócio para o Atlético?”
Tim Vickery
BBC Brasil/SPORTV
http://www.bbc.co.uk/blogs/timvickery/

Ontem mesmo denunciávamos aqui que os resultados da primeira divisão do campeonato brasileiro cheiravam a fraude. Malas pretas existem e não são apenas uma figura de retórica.