Sojicultores do Oeste da Bahia investem R$ 2,42 milhões em adequações socioambientais

Este valor é a contrapartida dos produtores baianos ao aporte de 270 mil euros (R$ 972 mil) repassados pelo fundo holandês IDH por meio da ONG Solidaridad

O programa Soja Plus Bahia termina 2016 com a apresentação de resultados concretos de um ano e meio do convênio com a Fundação Solidaridad e o IDH. Os sojicultores do Oeste da Bahia investiram R$ 2,42 milhões como contrapartida aos 270 mil euros (R$ 972 mil) aportados pelo fundo holandês IDH.

Para a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), coordenadora nacional do Soja Plus, o montante investido pelos produtores baianos mostra a credibilidade na orientação técnica dos supervisores de campo do programa, que aplicam nas visitas técnicas às fazendas cerca de 180 indicadores socioambientais.

A contrapartida prevista no projeto aprovado era de R$ 1,5 milhão, mas os produtores do Soja Plus Bahia superaram essa meta em 61%, com investimentos em adequações de construções rurais, tais como tanque de abastecimento de combustível, lavanderia de EPI’s, alojamento e refeitório para funcionários, galpão de máquinas e implementos agrícolas. Também houve adequações ambientais em recuperação de áreas degradadas, além de regularização de áreas de reserva legal e de preservação permanente.

“O sojicultor participante do Soja Plus Bahia entendeu a importância de se adequar às legislações trabalhistas e ambientais e às demandas dos importadores de mercados exigentes, como o europeu”, diz Bernardo Pires, coordenador nacional do programa de gestão econômica, social e ambiental, que também está implantado em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

O projeto com a Solidaridad atingiu 130 fazendas que trabalham no bioma Cerrado da nova fronteira agrícola brasileira, o Matopiba. São nove os municípios localizados na região Oeste da Bahia: Baianópolis, Barreiras, Côcos, Correntina, Formosa do Rio Preto, Jaborandi, Luís Eduardo Magalhães, Riachão das Neves e São Desidério.

Os produtores participaram de 19 cursos sobre: gestão de custos da empresa rural, legislação trabalhista, saúde e segurança do trabalhador rural, adequação ambiental e negócio certo rural. O Soja Plus Bahia também ofereceu aos produtores dias de campo, oficinas e seminários, além de placas orientativas e kits de primeiros socorros.

No âmbito do projeto com a Solidaridad, o Soja Plus Bahia, gerenciado pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), produziu, também, cartilha ilustrada para orientar o produtor rural sobre como se ajustar ao Código Florestal e como cumprir a legislação ambiental estadual.

Para a Solidaridad e o IDH, a parceria com o Soja Plus é uma oportunidade para

1) fortalecer iniciativas de apoio aos produtores nas boas práticas socioambientais e de gestão, que permitem melhorar a produtividade;

2) estimular acesso a novos mercados;

          3) melhorar a sustentabilidade da propriedade.

“Os resultados positivos do Soja Plus Bahia mostram que o programa deve ser replicado em outros estados sojicultores”, diz Cindy Silva Moreira, coordenadora de sustentabilidade da Abiove. A associação, que reúne empresas processadoras e comercializadora do complexo soja, trabalha em parcerias com entidades que têm um objetivo comum: tornar a cadeia da soja cada vez mais sustentável.

Projeto estimula pecuária sustentável no oeste da Bahia

Parceria entre a Fundação Solidaridad, Associação dos Criadores de Gado do Oeste da Bahia (Acrioeste) e a empresa de consultoria Profissional promove a gestão das propriedades ligadas à pecuária do ponto de vista econômico, social e ambiental

Orientação e assistência técnica projeto pecuária sustentável
Orientação e assistência técnica projeto pecuária sustentável

Em seu novo caderno, o pecuarista Genésio Pedroso Dias, 47, senta e começa a escrever apoiado na mesa da cozinha. Além de servir as refeições, este é o ponto de apoio para a nova rotina: registrar as despesas e rendas da sua propriedade localizada em Santa Maria da Vitória, na região Oeste da Bahia. Ao administrar as finanças da fazenda de 220 hectares, e do rebanho com 156 cabeças de gado, ele tenta se adaptar à nova rotina. “No mês passado foram vendidos dois bezerros e duas vacas e tivemos despesas com botijão de gás, roçagem da fazenda e cana e rapadura”, conta, ao apontar as informações com a letra de forma no caderno.

Embora pareça uma atividade simples para administrar qualquer negócio, Genésio somente passou a adotar a gestão financeira da sua fazenda há apenas dois meses, com o apoio especializado de técnicos ligados ao projeto de pecuária sustentável desenvolvido no Oeste da Bahia. Fruto das parcerias entre a Fundação Solidaridad, Associação dos Criadores de Gado do Oeste da Bahia (Acrioeste), consultoria Profissional e Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS), o projeto inicia a segunda etapa, ligada à assistência técnica direta aos pecuaristas na região, visando apoiá-los em cinco eixos principais: gestão da propriedade, produção animal, legislação trabalhista, meio ambiente e relacionamento com comunidades no entorno.

Pecuarista Noel Santiago de Souza, Correntina, BA
Pecuarista Noel Santiago de Souza, Correntina, BA

Antes da assistência técnica ligada ao projeto, Genésio apenas registrava o pagamento de funcionários em um caderno que carrega até hoje. De herança do avô, Izidoro Celestino da Cruz, a propriedade sustenta mais 14 pessoas da família, dentre irmãos e sobrinhos. “Agora consigo enxergar melhor o que entra e o que sai. Fica mais fácil para planejar. Quem sabe não consigo me organizar para comprar um carro”, almeja, ao ser perguntado em quê pretende investir com o lucro da criação de gado.

Além de Genésio, de Santa Maria da Vitória, o trabalho de treinamento, capacitação e acompanhamento também vem sendo realizado junto a outros quatro pecuaristas do oeste baiano, dos municípios de Angical, Correntina, Riachão das Neves e Wanderley, que deverão ser os disseminadores de uma gestão sustentável na pecuária. “A ideia é sensibilizar estes pecuaristas a seguirem uma nova prática de gestão, preocupada com a sustentabilidade financeira e ambiental, para que futuramente se transformem em modelos a serem adotados pelos módulos rurais mais próximos”, explica o engenheiro agrônomo da Profissional, Márcio Oliveira. Continue Lendo “Projeto estimula pecuária sustentável no oeste da Bahia”

Sindicato Rural sela parceria para certificação internacional da soja

O selo RTRS é reconhecido internacionalmente e aceito em todas as transações comerciais. Adesão ao Programa é voluntária do produtor rural.

 

Assinatura do convênio. Presidente do Sindicato Rural, Vanir Kölln e Harry van der Vliet, coordenador da Solidaridad-Brasil.
Assinatura do convênio. Presidente do Sindicato Rural, Vanir Kölln e Harry van der Vliet, coordenador da Solidaridad-Brasil.

Aproximadamente 60% de todos os produtos que compramos no supermercado tem a soja como matéria-prima essencial. Em todo o mundo mais de 100 milhões de hectares de terra agricultáveis são utilizados para o cultivo de cerca de 250 milhões de toneladas da oleaginosa, o que faz da soja, a mais importante fonte de proteína do mundo.

Sua utilização global apresenta uma cadeia de fornecimento caracterizada por um grande número de produtores (grandes e pequenos) e um grande número de usuários na alimentação animal (agricultores) e no produto final (consumidores). Junto a essa cadeia somam-se os desafios de impacto ambiental e social, os quais variam de região para região, como desmatamento, perda da biodiversidade, toxidade, poluição da água devido ao uso excessivo ou incorreto de agrotóxicos, direitos trabalhistas, disputas de terras e inclusão de pequenos produtores.

Para certificar propriedades do oeste da Bahia que trabalham a favor de uma produção de soja economicamente viável, socialmente equitativa e ambientalmente adequada, o Sindicato Rural de Luís Eduardo Magalhães firmou convênio com a Fundação Solidaridad, uma organização internacional com mais de 20 anos de experiência na criação de cadeias de fornecimento justo e sustentável: do produtor ao consumidor.

Visita da comitiva holandesa a Luís Eduardo, com apresentação de detalhes do projeto de certificação.
Visita da comitiva holandesa a Luís Eduardo, com apresentação de detalhes do projeto de certificação.

O programa “Selo de Sustentabilidade RTRS para o Oeste da Bahia”, firmado em janeiro passado, conta com recursos do Governo da Holanda e da IDH (Iniciativa Holandesa de Comércio Sustentável) através do fundo SFTF (Fundo de Via Rápida para Soja) e segue o padrão de produção de soja responsável da RTRS  (Associação Internacional de Soja Responsável) fundada em 2006 na Suíça, que inclui requerimentos para conservar áreas com alto valor de conservação, promover as melhores práticas de gestão, assegurar condições de trabalhos justas, e respeitar as reclamações pela posse de terras. O selo RTRS é reconhecido internacionalmente e aceito em todas as transações comerciais.

O Selo de Sustentabilidade RTRS para o Oeste da Bahia, de adesão voluntária do produtor, apresenta entre as vantagens, a produção diferenciada valorizada no mercado; identificação da origem; acesso a mercados diferenciados; influência a cadeia de produção na busca de fontes sustentáveis; blindagem contra litígios; maior transparência no gerenciamento; maior poder de negociação com acesso fácil aos dados; valorização da propriedade no caso de venda e valorização na obtenção de crédito RTRS. Em três anos, a meta é atingir 80.000 hectares de área certificadas no oeste baiano.

Comitiva holandesa

O Diretor de Programa da IDH, Jan Nicolai, esteve em Luís Eduardo no início do mês de março visitando fazendas com potencial de certificação RTRS, além de acompanhar o processo de expansão agrícola de soja e milho na Fazenda Bananal, ao norte de Luís Eduardo Magalhães, empreendimento de 26 mil hectares.

Os programas da IDH objetivam melhorar a sustentabilidade das cadeias produtivas internacionais, trabalhando no sentido de combater as deficiências sociais, ambientais e econômicas de setores como o da soja, nos países em desenvolvimento sob os critérios de certificação estabelecidos pela RTRS.  A IDH busca, até o ano 2015, utiliza-se de soja 100% responsável na produção de alimentos. A Holanda é o segundo maior comprador de produtos de soja brasileiros, ficando atrás apenas da China.

Também esteve acompanhando os trabalhos no oeste da Bahia, o Diretor do Grupo Agrifirm, Ruud Tijssens, empresa internacional (Europa e China). O foco da visita de Tijssens foi a importação de farelo da soja brasileira para a fabricação de ração. Texto de Cátia Döor.

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