Apesar da chuvarada no Centro-Oeste e Sudeste, situação dos reservatórios ainda é preocupante.

Serra da Mesa, em Uruaçu-GO: água se encontra muito longe das margens tradicionais.

Os grandes reservatórios do País continuam reagindo lentamente às últimas chuvas. Sobradinho, o mais importante do Nordeste e o maior do País, responsável por 58% do potencial hidrelétrico da região, cresce lentamente.

Na medição de ontem apontava 32,41% da capacidade de acumulação, apesar da cheia do rio São Francisco acusar vazões de até 4.500 m³ por segundo e a vazão de suas turbinas ser mantida em 1.100 m³ por segundo. A CHESF calcula que até meados deste mês o reservatório atingirá 40% de sua capacidade.

Outro grande reservatório, o de Furnas, responsável por 17,28% do potencial de energia do Sudeste-Centro Oeste, estava, ontem, um pouco acima de 18%.

Os reservatórios de Nova Ponte e Emborcação, no rio Paranaíba, responsáveis, na soma, por 21% do potencial energético do subsistema Sudeste-Centro Oeste, estavam com 17% e 20%, respectivamente.

E o grande reservatório de Serra da Mesa, que chegou a ter apenas 7% de sua capacidade nos últimos meses de estio, recupera-se para 11,67%.  Serra da Mesa está localizada no rio Tocantins e é responsável por 17% do potencial energético do subsistema Sudeste-Centro Oeste.

Suspenso, por pedido de vistas, recurso contra arquivamento de inquérito contra Aécio Neves

O julgamento dos recursos da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o arquivamento de inquérito contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), foi suspenso após o pedido de vista do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). O julgamento ocorreu na 2ª Turma da Corte.

O arquivamento dos inquérito foi promovido pelo ministro Gilmar Mendes.

A PGR investigava a responsabilidade de Aécio Neves em crimes de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados ao recebimento de vantagens de empresas contratadas pela Furnas Centrais Elétricas. 

A PGR pediu que, com a mudança do entendimento do STF de foro privilegiado, as ações contra Aécio Neves devem ser remetidas para Justiça Federal do Rio de Janeiro.

O relator, ministro Gilmar Mendes, em junho de 2018, determinou o arquivamento dos inquéritos diante da ausência de indícios mínimos de autoria ou materialidade.

A PGR alega que o trancamento de inquérito apenas pode se dar em hipóteses excepcionais de evidente constrangimento ilegal, não configurado nos casos concretos. Sustenta ainda que as investigações em andamento estão em conformidade com o princípio da duração razoável do processo.

Furnas é retrato da situação energética do País.

furnas

termelétricas a óleo diesel
termelétricas a óleo diesel

As imagens do lago de Furnas, que já recuou suas margens até 3 km, divulgadas ontem na TV, impressionam. A velha hidrelétrica já tem turbinas desligadas fora dos horários de pico do consumo e até os pescadores não encontram mais o seu produto. É inexplicável porque o Governo ainda não largou a campanha de racionalização do consumo de energia. O brasileiro ganhou em poder aquisitivo e, esbanjador, largou prá lá a conta de energia. Precisa voltar à realidade.

Apenas 27% da capacidade

O Lago de Furnas continua em baixa, assim como a usina que leva seu nome e responde por 17,42% da energia elétrica que abastece as Regiões Sudeste e Centro-Oeste do País. O efeito, além da ameaça ao sistema energético nacional, muito dependente das hidrelétricas, é sentido por dezenas de municípios banhados pelas águas do lago e que dependem delas para sobreviver, principalmente, em razão do turismo e da agricultura.

Segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS), que mede o setor energético, ontem (28) a Usina de Furnas operava com 27,95% da capacidade do seu reservatório. O índice preocupa pois vem caindo nas últimas semanas, mesmo no chamado período das águas, que está chegando ao fim.

Do Lago de Furnas ainda dependem outras três usinas, das quais duas também estão em situação crítica: Marimbondo, operando com 26,14% da capacidade, e Água Vermelha, com 29,48%. A baixa do reservatório obriga as usinas a represarem mais água e várias cidades da região adotaram medidas emergenciais. Em Pimenta, o prefeito Ailton Costa decretou uma série de medidas para garantir o racionamento de água. As contas de consumo vêm com alerta e na cidade são distribuídos panfletos, sem contar as chamadas nas rádios para que o povo se conscientize. Segundo ele, pousadas da região e os agricultores são prejudicados.

As principais culturas atingidas foram as de tomate, milho e soja. O seguro agrícola não cobre os efeitos da seca por ser considerada fenômeno da natureza. Só de tomate saíam diariamente 15 caminhões carregados; agora são no máximo dois.

As previsões meteorológicas de longo prazo dizem que só chove muito, para recuperar totalmente os reservatórios, em 2016. O governo vai subir impostos e aumentar a conta de luz no ano que vem para cobrir o rombo bilionário dos gastos com as usinas térmicas. Choveu pouco, a energia ficou mais cara. A conta de luz em si só vai aumentar este ano, mas vai ser paga com dinheiro público dado pelo contribuinte. Faltou chuva, os reservatórios baixaram e as térmicas – que produzem energia mais cara – foram acionadas. Com isso, as distribuidoras tiveram os custos aumentados.