Gasto com deputados federais chega perto de R$1 bilhão

nuvens negras
Aumento anunciado para verbas dos parlamentares e prometido reajuste salarial devem elevar despesas com os 513 deputados em R$ 129 milhões por ano. Com novas medidas, custo salta de R$ 799 milhões para R$ 928 milhões

Quando o mandato dos atuais deputados começou, em fevereiro de 2011, o contribuinte gastava, em média, R$ 122 mil por mês para manter um gabinete na Câmara. Com as propostas de aumento de salário e outros benefícios em curso na Casa, a perspectiva é de que essa mordida sobre o bolso do cidadão brasileiro salte para R$ 142 mil mensais.

Ou seja, em um ano, o custo dos 513 deputados no exercício do mandato aumentará R$ 129 milhões por ano, passando dos atuais R$ 799 milhões para R$ 928 milhões. Um gasto extra de 16%. Os dados são de levantamento exclusivo do Congresso em Foco.

Está cada vez mais duro manter esta tal democracia: senadores, deputados federais, deputados estaduais, vereadores. Pedimos aos nossos leitores um minuto de silêncio pela nossa democracia, pelos legisladores e pelos gestores públicos que, em grande parte,  são acobertados por eles.

Para que servem os deputados?

Ontem, dois deputados, um na presidência de uma comissão e outro no plenário, aprovaram 180 projetos, em menos de 10 minutos. Isso reforça a teoria de que a democracia precisa de poucos legisladores. Se eles são mais de 500, por que não deixarmos apenas dois por estado e mandarmos os senadores para casa, para uma aposentadoria calma. Para que servem mais de 50 mil vereadores em todo o País: apenas para gastarem, com gula, o duodécimo pago com o sagrado dinheirinho do contribuinte. O Estado precisa ficar menor, o salário dos legisladores precisam ser congelados e as suas absurdas despesas precisam ser eliminados.

Veja esta, por exemplo: o deputado Paulinho das Forças Ocultas (PDT-SP), relator dos planos de carreira da Câmara e do Tribunal de Contas da União (TCU), disse que lutará para aprovar ainda este ano os reajustes de ambas as Casas. Juntos, eles terão impacto no Orçamento estimado em R$ 496 milhões ao ano.

Outro exemplo: denúncia do deputado Roque Barbiere (PTB) sobre maracutaia na Assembleia Legislativa de São Paulo é alvo de investigação do Ministério Público Estadual. Segundo Barbiere, “tem bastante” parlamentar ganhando dinheiro por meio da venda de emendas e fazendo lobby de empreiteiras junto a administrações municipais. “Não é a maioria, mas tem um belo de um grupo que vive e sobrevive e enriquece fazendo isso”, afirma.

Enquanto isso, na Bahia, a festa continua: foi inaugurado, com pompa e circunstância, ontem, o puxadinho da Assembléia Legislativa, orçado em R$21 milhões, mas que custou na verdade R$26 milhões e jogou a casa legislativa num buraco financeiro de R$29 milhões. 

Será que nenhum maluco se atreve a acabar com essa loucura, com essa afronta ao sacrificado povo baiano, que não tem educação, saúde, transporte e segurança? Será que alguém, completamente sem juízo, não se atreve a colocar um pé de fogo nessa porcaria?

Uma noite no motel: o prêmio de uma rifa que circulou na Assembléia baiana.

Um período de quatro horas em um dos motéis mais luxuosos de Salvador por apenas R$ 5.
Este é o prêmio oferecido por uma rifa que circulou entre deputados e funcionários da Assembleia Legislativa da Bahia, em Salvador.

Os bilhetes foram vendidos pela servidora Shirlei Góes, que tem cargo de chefia. Segundo ela, a iniciativa foi para ajudar uma colega que está doente e passa por dificuldades financeiras. O prêmio começou a ser sorteado no último dia 30 pela Loteria Federal, mas de acordo com a responsável pela rifa, até agora, ninguém ganhou a noite no motel.

Shirlei conta que arrecadou R$ 450 e não esperava que fosse gerar tanta discussão. Ela diz que a Assembleia é uma empresa qualquer e se o prêmio fosse uma geladeira não causaria tanto problema. A servidora só admite um erro: ter usado o telefone do gabinete dela para vender os bilhetes.

A equipe de reportagem não conseguiu falar com nenhum funcionário que admitisse ter comprado a rifa. Alguns deputados criticaram a iniciativa da funcionária. Do G1, com informações da TV Bahia.

Os legislativos vivem uma realidade distante do povo brasileiro, numa sequência interminável de incúria, descaso, desmandos e desperdício do dinheiro público. Vereadores e deputados que aprovam a compra de carros de luxo para uso pessoal, vereadores que votam segundo benefícios concedidos pelo Executivo, deputados corruptos que se abrigam na impunidade da Câmara. O caso relatado é iconográfico: fazer rifas utilizando os equipamentos de comunicação da Assembléia pode não causar danos de monta, mas explicita o espírito da classe. O interesse público que se dane aos olhos desses cidadãos acima de qualquer suspeita.

Nota da Redação: A protagonista do caso da Rifa do Prazer, Shirley Cristiane da Silva Goes, teve sua exoneração publicada na edição de hoje, 13,  do Diário Oficial do Estado, página 27 do caderno Legislativo. Ela foi afastada pelo presidente da Assembleia Legislativa (ALBA), deputado Marcelo Nilo (PDT), da chefia da gerência de departamento de apoio técnico por utilizar o prédio e o telefone da ALBA para comercializar bilhetes de uma rifa, que tinha como prêmio o direito de utilizar um quarto de motel por 4 horas. Por ser concursada, ela mantém o emprego, mas perde o cargo de chefia.