Ato de sabotagem derruba linha de transmissão e prejudica expansão do setor elétrico no Oeste da Bahia

A Paranaíba Transmissora de Energia S.A, principal transmissora de energia elétrica para o Oeste da Bahia, sofreu um atentado criminoso neste mês de agosto, no dia 10, quando uma das suas linhas de transmissão em operação no município de São Desidério foi derrubada em um ato de sabotagem. O crime cometido, ainda na fase de investigação por parte da Polícia Civil da Bahia, pode gerar prejuízos à empresa na ordem de R$ 20 milhões.

Com uma demanda crescente por energia elétrica, principalmente para a implantação de indústrias, este atentado pode colocar em “xeque” futuros investimentos para a implantação de novas linhas, impedir o desenvolvimento socioeconômico do Oeste da Bahia ou até mesmo causar falta de energia elétrica, comprometendo residências e o comércio da região de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães e, assim, a vida econômica e social da população.

A sabotagem aconteceu na noite do dia 10 de agosto em uma torre do tipo estiada localizada no distrito da Ilha do Vítor, na zona rural de São Desidério, que por sorte não impactou a distribuição de energia às residências e do comércio em toda a região de Barreiras.

Este é o segundo atentado cometido este ano, sendo o primeiro em janeiro, no dia 15, quando foi derrubada uma linha de transmissão, também no município de São Desidério, e prejudicou o fornecimento de energia elétrica na Bahia e no Tocantins.

Dilma diz que implantou 23 mil km de linhas de transmissão de energia. Foi um pouco menos: 16,7 mil km.

Termelétrica Eneva
Termelétrica Eneva, em Itaqui

O blog Preto no Branco, do jornal O Globo, diz que Dona Dilma ampliou um pouco, na propaganda política, as obras do Governo Federal para transmissão de energia elétrica.

Na tarde desta quinta-feira, 21 de agosto, o terceiro programa eleitoral de TV da presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, informou que:

Segundo relatório oficial da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) referente a 2012, em 2010, ao fim do governo Luiz Inácio Lula da Silva, portanto, o Brasil tinha um total de 95.915 quilômetros de linhas de transmissão de energia elétrica.

Em 2011, segundo o mesmo documento, o país já tinha 98.587 quilômetros.

Em 2012, 101.669.

Em 2013, segundo dados da assessoria de imprensa da Aneel, o Brasil tinha 111.669 quilômetros de linhas de transmissão.

Então se pode dizer que, nos três primeiros anos do governo Dilma, foram implantados 15.754 quilômetros de linhas de transmissão.

No site da agência reguladora, o leitor/eleitor encontra um documento oficial com a previsão de crescimento das linhas no primeiro semestre de 2014.

De acordo com esse texto, entre janeiro e junho de 2014, já foram “energizados” 1.016,7 quilômetros.

Assim sendo, o total implantado por Dilma até junho de 2014 é de 16.770,7 quilômetros.

E emblemático o fato dos parques eólicos do Rio Grande do Norte e da Bahia terem ficado quase dois anos parados à espera de linhas de transmissão, no momento que o País atravessa uma crise de fornecimento de energia sem precedentes. Esta semana, duas termelétricas, a gás e carvão importado, próximo ao Porto de Itaqui, foram colocadas em funcionamento, uma delas a Eneva, que foram construídas pelo grupo OGX de Eike Batista e vendida a terceiros.

Novos leilões de energia eólica: Bahia é o segundo estado em números de projetos

image_preview

A Bahia apresenta o segundo maior número de projetos eólicos, 105 no total, habilitados a participar do leilão de energia do tipo A-3 nesta segunda-feira (18). A maioria dos 429 projetos de geração de energia são de fonte eólica. O Rio Grande do Sul foi o estado que apresentou maior número de projetos deste tipo, 110.

O leilão A-3 visa à contratação de eletricidade para abastecer o mercado consumidor do país no ano de 2016. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 381 empreendimentos de geração eólica foram habilitados a participar. A capacidade instalada dos parques eólicos totaliza 9.191 megawatts (MW).

A fonte solar, que pela primeira vez participa dos leilões públicos de comercialização de eletricidade promovidos pelo governo, obteve 31 centrais de geração, em um total de 813 megawatts. A Bahia liderou os projetos fotovoltaicos, com 12 no total.

O preço teto do leilão, para todas as fontes participantes, será de R$ 126/MWh.

A pergunta é a seguinte: desta vez combinaram com a CHESF, responsável pela transmissão da energia? Ou vai ficar como os sítios eólicos de Guanambi e do Rio Grande do Norte, onde dezenas de geradores permanecem parados por falta de linha de transmissão?

Veja esta matéria da Globo.com, editada em julho, quando 19 sítios eólicos completaram um ano sem funcionar. Um prejuízo que na época passava de R$ 400 milhões.

“Doze parques do maior complexo de energia eólica da América Latina foram inaugurados em julho do ano passado (2012) e estão parados. São 184 torres em uma área que abrange três municípios do Sudoeste da Bahia.
Se estivessem funcionando, os geradores seriam capazes de alimentar mais de 500 mil casas com média de quatro moradores em cada uma, ou uma população de mais de dois milhões de habitantes.
Além desse complexo, outros sete parques do Rio Grande do Norte estão na mesma situação. Foram inaugurados há um ano e não funcionam por falta de linhas de transmissão. A CHESF, companhia estatal que deveria ter entregue as conexões, atribui o atraso a três fatores.
“O processo de licenciamento ambiental, o processo de anuência dos órgãos do patrimônio histórico, e hoje uma questão muito grave, a questão fundiária”, diz João Bosco de Almeida, presidente da CHESF.
A energia que deveria ser gerada nesses parques eólicos já foi leiloada. E, de acordo com o contrato, as distribuidoras têm que pagar mesmo sem receber. Assim, as usinas não perdem dinheiro. É o caso da Renova Energia, que administra os parques do Sudoeste da Bahia.

“Nós recebemos a receita, mesmo porque essa receita é usada para pagar o financiamento que contraímos junto ao BNDES. São R$ 15 milhões ao mês”, revela Carlos Mathias Becker, diretor-presidente da Renova Energia.

Os 19 parques eólicos da Bahia e do Rio Grande do Norte já receberam cerca de R$ 400 milhões durante este ano em que ficaram parados. Segundo a Aneel, no fim, quem paga essa conta é o consumidor, pois esse valor é considerado um custo extra e entra no reajuste da tarifa.
Para garantir a geração de energia, o governo decidiu que apenas as usinas próximas a subestações de transmissão poderão participar dos próximos leilões.”

Enquanto isso, as caríssimas termoelétricas a petróleo (fuel oil) consomem o dinheiro do contribuinte para tapar os buracos das hidrelétricas.