Disjuntor próximo a Belo Monte foi responsável por apagão de energia

Por Vladimir Platonow – Repórter da Agência Brasil

A queda no fornecimento de energia para as regiões Norte e Nordeste foi causada por falha em um disjuntor na Subestação Xingu, no Pará, responsável pela distribuição da maior parte da carga gerada pela Usina de Belo Monte para a Região Sudeste. A informação foi divulgada na noite desta quarta-feira (21), pelo diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Eduardo Barata Ferreira.

Segundo nota do ONS, o problema se iniciou às 15h48, e em todas as capitais do Norte e Nordeste ocorreu interrupção do suprimento de energia elétrica. De acordo com Ferreira, mais de 70 milhões de pessoas foram afetadas. As causas da falha no disjuntor estão sendo investigadas, mas o ONS descartou sobrecarga no sistema, fatores climáticos ou queimadas.

Com o desligamento do disjuntor, “houve um excesso de geração” para a Região Norte. Isso disparou uma proteção automática em todo o sistema, separando a região Norte da Nordeste e as duas do resto do país.

De acordo com Ferreira, o religamento do sistema teve de ser feito aos poucos, para garantir segurança no processo, evitando que nova queda.

O diretor-geral do ONS disse que o problema também afetou outras regiões do país, mas sem maior gravidade. “No Sistema Sul-Sudeste, nós tivemos uma pequena perturbação, que foi a atuação do primeiro estágio do esquema regional do alívio de carga, e rapidamente houve a recomposição das cargas. Praticamente, na Região Sudeste, não tivemos maiores repercussões.”

Uma reunião entre todas as empresas diretamente responsáveis pelo sistema afetado será realizada na sexta-feira (23) ou na segunda-feira (26), segundo o ONS, quando serão detalhados os fatores que contribuíram para a falha no disjuntor.

Saiba Mais

Veja um breve relato de apagões de energia colecionado em página da Wikipedia:

O primeiro blecaute de grandes proporções no Brasil ocorreu no dia 18 de abril de 1984. Um incêndio ocorrido na subestação Jaguara da usina hidrelétrica homônima, localizada entre Minas Gerais e São Paulo, causou um apagão que afetou 12 milhões de pessoas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo além de partes do Mato Grosso do Sul e Goiás.

Em 17 de setembro de 1985, uma sobrecarga do sistema na cidade de São Roque, estado de São Paulo, provocou o apagão de 17 de Setembro de 1985. Este apagão atingiu nove estados, incluindo todos os estados das regiões Sul e Sudeste.

Na década de 1990, houve o blecaute de 11 de Março de 1999, que atingiu grande parte do território do Brasil, deixando mais de 60 milhões de pessoas sem luz por cerca de quatro horas. Este episódio causou algumas horas de verdadeiro caos em metrópoles como Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.

Na noite de 10 de Novembro de 2009, uma possível falha no Sistema Integrado de Distribuição de energia elétrica provocou o maior apagão da história do Brasil, atingindo 18 estados, além de um corte de 30 minutos no fornecimento em 87% do território do Paraguai, afetando diretamente mais de 60 milhões de pessoas.

Veja também nos links outros apagões de energia:
Norte e Nordeste, 2010

Região Nordeste, 2011

Região Nordeste, 2012

Tocantins, Região Nordeste, Pará e Distrito Federal, 2012

Região Nordeste, 2013

Porto Alegre, 2014

Recife e Região Metropolitana, 2014

O País mergulhado numa crise sem precedentes

Wanderley Guilherme, 82 anos, eleitor em 15 eleições presidenciais no Brasil, pensador e blogueiro em Segunda Opinião, em entrevista de Maria Cristina Fernandes, no Valor Econômico:

Nunca me deparei com uma circunstância de crise política igual à atual. Nunca vi nada igual a isso e não apenas no Brasil. Há uma desestruturação tão grande no sistema político, uma multiplicação de centros autônomos de decisão arbitrários que, todavia, não podem ser domesticados ou enquadrados. Também não quer dizer que suas decisões sejam cumpridas, mas torna-se um fato a própria decisão, e não o cumprimento dela.

A entrevista, reservada para assinantes, vale o valor da assinatura anual. De uma lucidez sem par, onde desfilam as alas mais radicais do PT, a direita assombrada com a perspectiva de nova derrota eleitoral, o judiciário comprometido e desmoralizado e a certeza de que os próximos meses serão um calvário para o eleitor e cidadão comum.

O Brasil certamente não é um país para ser estudado por principiantes. Desde 1963, ainda adolescente e me preparando para o vestibular de jornalismo, vi o Rio Grande do Sul sacudido pela “Campanha da Legalidade”, pela ascensão de Jango ao poder. Logo depois veio a “redentora” de 1964, os atos institucionais, o AI-5, quando já era jornalista. E depois dos anos de chumbo, a abertura, lenta e gradual.

Nestes anos todos também nunca vi o País mergulhado em crise institucional desta proporção, tendo como pano de fundo um povo inculto, de parcas capacidades de raciocínio e radical, para não dizer xucro, em seu conceito do que é gestão pública, democracia e princípios constitucionais.